Floresta Viva: BNDES e Prefeitura do Rio firmam convênio para aportar R$ 10 mi no restauro da Mata Atlântica

  • São R$ 5 mi do município e outros R$ 5 mi do Banco para serem investidos em projetos de restauração ecológica e produtiva do bioma na capital fluminense

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) firmaram nesta quinta-feira, 7, convênio de adesão do município à iniciativa Floresta Viva. Assinado pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e pelo prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, o convênio prevê o aporte de R$ 10 milhões por meio de matchfunding, sendo metade aportada pelo Banco e metade pelo município, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Clima. Os recursos serão utilizados para apoio a projetos de restauração ecológica e produtiva do bioma Mata Atlântica no município do Rio, especificamente na Serra da Posse, em Campo Grande, na Zona Oeste.

Com prazo de execução de 48 meses, o projeto prevê o plantio e a manutenção de 337.125 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em uma área total de 93 hectares, fortalecendo a recuperação ambiental e a resiliência climática da região.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ao lado do prefeito Eduardo Cavalieri, destacou a série de parcerias entre a prefeitura e o Banco em investimentos fundamentais para o desenvolvimento da cidade, com apoios em infraestrutura, mobilidade, cultura e revitalização do patrimônio histórico, além de financiamentos para a ampliação da Dutra, rodovias que ligam Rio e Minas e outras obras que têm impacto direto na vida dos cariocas.

"Hoje estamos fazendo uma coisa muito importante e bonita, que é o restauro florestal. O BNDES colocou como grande prioridade o restauro florestal, estamos fazendo na Amazônia e em todos os biomas brasileiros. A Mata Atlântica é onde está concentrada a população do país. É um bioma muito rico, mas muito agredido. A revitalização da Mata Atlântica é uma outra dimensão muito importante para o desenvolvimento", afirmou o presidente do Banco.

"Quando tem um governo federal, e o presidente Lula é o maior exemplo disso, que entende o papel do governo na vida dos cariocas, isso é absolutamente decisivo no caso do Rio de Janeiro", disse o prefeito Eduardo Cavalieri. "O Floresta Viva não poderia ser em outra cidade. Esse projeto também cumpre papel de disputa do território e defesa no estabelecimento de limites de áreas de fronteiras sensíveis em que a população passa a fazer parte de manutenção das florestas", apontou Cavalieri.

Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, assinam acordo para restaurar Mata Atlântica

Foto: André Telles/BNDES

O projeto promove a criação de um corredor ecológico, integrando áreas previamente reflorestadas pelo Programa Mutirão Reflorestamento e por medidas compensatórias ambientais. Com isso, será formada uma faixa contínua de vegetação, essencial para o deslocamento da fauna, a manutenção da biodiversidade e a estabilidade ecológica da região.

A proposta de restauração substitui gradativamente gramíneas invasoras por cobertura arbórea nativa, reduzindo o risco de incêndio e promovendo o sombreamento natural do solo.

"O Rio de Janeiro é o primeiro município a aderir as duas edições do Floresta Viva e isso abre um novo capítulo no programa, que mostra o compromisso da cidade com o reflorestamento, destacou o superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadri. "Numa cidade como o Rio, a agenda de restauração tem grandes impactos na melhoria da qualidade de vida e qualidade térmica em áreas quentes da cidade e reduz os impactos do aquecimento global. São soluções como essas, baseadas na natureza, que ajudam a resolver problemas complexos na cidade", completou.

O protocolo de intenções da Prefeitura foi entregue em novembro de 2025, em Belém (PA), durante a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2025 (COP30).

“É uma parceria entre dois entes públicos que potencializa os recursos e amplia o alcance da restauração ecológica”, afirmou Mercadante. “Esse aporte de R$ 5 milhões do município do Rio, com contrapartida de igual valor do BNDES, é crucial para aumentar a resiliência climática, sequestrar carbono, preservar a biodiversidade e criar empregos verdes na Mata Atlântica, alinhando a agenda municipal às metas das Nações Unidas e do governo do presidente Lula”.

Floresta Viva – O Floresta Viva é uma iniciativa do BNDES destinada a apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas em todos os biomas brasileiros. Também atua no fortalecimento da estrutura técnica e de gestão da cadeia produtiva do setor de restauração e no apoio a sistemas agroflorestais de produção associados à restauração ecológica.

O Floresta Viva conta com 50% de recursos oriundos do Fundo Socioambiental do BNDES, e 50% oriundos de instituições apoiadoras. Devido ao sucesso da iniciativa, que já mobilizou investimentos de quase R$ 500 milhões, o BNDES lançou, no segundo semestre do ano passado, a segunda fase da iniciativa: Floresta Viva 2025.

O apoio do município do Rio faz parte da segunda fase da iniciativa. Para essa nova etapa, o BNDES anunciou que a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) foi selecionada para administrar os recursos.

A escolha de um parceiro gestor permite chegar em maior número de localidades e alcançar resultados mais efetivos no apoio à restauração. Entre as principais atribuições do parceiro gestor estão a seleção, contratação e acompanhamento de projetos de restauração ecológica. A FBDS foi escolhida por meio de edital de seleção pública, lançado em agosto de 2025, sendo considerada a melhor entre as 13 propostas apresentadas.

Mudanças – A segunda fase traz algumas novidades em relação à primeira etapa da iniciativa. Ao invés de fazer editais com uma única oportunidade para apresentação de propostas, serão oferecidas chances sucessivas, até que todos os recursos previstos sejam alocados. Outra mudança é que, além do restauro, os projetos poderão incluir atividades e conservação da biodiversidade.

Os benefícios da restauração promovida por meio da iniciativa são amplos: recuperação de áreas degradadas, conexão de fragmentos florestais, conservação de recursos hídricos, preservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais, redução da erosão, melhoria do microclima, remoção de dióxido de carbono da atmosfera, fortalecimento das cadeias produtivas ligadas ao reflorestamento, geração de empregos e renda, além do potencial de geração de créditos de carbono.

Reconhecimento internacional – A iniciativa rendeu ao BNDES o Prêmio Alide 2024, reconhecimento internacional concedido pela Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, destacando o modelo inovador de governança do programa – com parceiro gestor operacional, que confere agilidade e escala aos resultados – e a articulação entre diferentes atores: empresas privadas e públicas, multinacionais, governos e banco público de desenvolvimento.

BNDES e prefeitura do Rio assinam acordo para restaurar Mata Atlântica

Foto: André Telles/BNDES

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