BNDES tem papel estratégico no avanço da bioeconomia sustentável na Amazônia, diz estudo da OCDE
- Publicação aponta Banco como peça-chave na estruturação de financiamento e políticas para o setor na região
- Fundo Amazônia já mobilizou mais de R$ 1,6 bilhão e deve beneficiar mais de 100 mil pessoas na Amazônia Legal
- Iniciativas apoiadas fortalecem cadeias produtivas sustentáveis e inclusão de comunidades tradicionais
- Organização internacional destaca ainda protagonismo do Brasil e papel do BNDES na transição para economia de baixo carbono
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem papel central na viabilização da bioeconomia como vetor de desenvolvimento sustentável na Amazônia, ao combinar financiamento, inovação e inclusão produtiva. A avaliação consta do estudo Production Transformation Policy Review: Spotlight on Bioeconomy for Sustainable Development in the Amazon Region (Brazil), lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reconhece o protagonismo do Brasil e o papel do Banco na estruturação dessa agenda.
O reconhecimento ocorre em um contexto de ampliação dos investimentos na agenda de sociobiodiversidade do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Desde a retomada de sua governança, em 2023, o Fundo Amazônia quadruplicou o ritmo anual de aprovações de projetos, com a média passando de cerca de R$ 300 milhões para R$ 1,3 bilhão por ano. Ao completar 18 anos, o mecanismo soma R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados, beneficiando mais de 650 organizações, 169 Terras Indígenas, 192 Unidades de Conservação e cerca de 260 mil pessoas na Amazônia Legal.
Segundo o estudo da OCDE, a bioeconomia vem se firmando globalmente como um novo modelo de desenvolvimento capaz de conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e redução de desigualdades. Nesse cenário, o Brasil se destaca com iniciativas como a Estratégia Nacional de Bioeconomia, lançada em 2024, e a criação da Iniciativa do G20 sobre o tema, durante a presidência brasileira do grupo.
José Maria dos Santos, vice-presidente da Acosper (Santarém, PA) vendo o processamento de óleo de andiroba
Foto: Marcelo Curia/BNDES
A Amazônia ocupa posição estratégica nesse processo. O bioma concentra cerca de 10% da biodiversidade mundial, abriga populações indígenas e comunidades tradicionais e apresenta elevado potencial econômico e científico. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios históricos ligados à infraestrutura, conectividade e inclusão produtiva. Para a OCDE, a bioeconomia representa uma alternativa concreta para gerar valor econômico de forma sustentável, mantendo a floresta em pé e fortalecendo as economias locais.
Nesse contexto, o BNDES é apontado como um dos principais instrumentos para viabilizar a transição para uma economia de baixo carbono. O relatório destaca a atuação do Banco na estruturação de mecanismos financeiros, no apoio ao desenvolvimento regional e na articulação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à inovação.
“Ao colocar a Amazônia no centro da estratégia de desenvolvimento sustentável, o governo do presidente Lula demonstra que a bioeconomia vai além de uma agenda ambiental: trata-se de um caminho concreto para impulsionar a transformação produtiva, gerar renda, promover inclusão social e fortalecer a soberania tecnológica. Nesse contexto, o BNDES reafirma seu papel histórico como indutor do desenvolvimento, ao apoiar a construção de uma economia mais verde, inovadora e inclusiva no país”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A gestão do Fundo Amazônia pelo BNDES é destacada como referência internacional em financiamento climático. De acordo com a OCDE, instrumentos de longo prazo como o Fundo serão decisivos para ampliar investimentos em restauração, infraestrutura sustentável, conectividade e fortalecimento de pequenos produtores.
Produção de açaí na Terra Indígena Uaçá (Oiapoque - AP)
Foto: Marcelo Curia/BNDES
Sociobioeconomia ganha escala - Retomado a partir de 2023, após quatro anos paralisado, o Fundo Amazônia entrou em uma nova fase, com ampliação de escala e capilaridade dos projetos de sociobioeconomia. O foco está na inclusão produtiva de povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares e comunidades tradicionais, promovendo geração de renda aliada à conservação ambiental.
Entre os principais projetos apoiados está o Restaura Amazônia, com R$ 450 milhões voltados à recuperação de áreas degradadas no Arco do Desmatamento até 2030, abrangendo unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos. Já o programa Amazônia na Escola destina até R$ 336 milhões para integrar a produção de agricultores familiares ao abastecimento da rede pública de ensino, incentivando alimentação saudável e sustentável.
Na frente de inclusão social e infraestrutura, o Sanear Amazônia prevê R$ 150 milhões para ampliar o acesso à água potável e apoiar mais de 4.600 famílias rurais. O projeto Coopera, em parceria com o Sebrae, investe R$ 107 milhões no fortalecimento de cerca de 50 cooperativas e 6.400 produtores.
O Fundo também atua na ampliação do acesso a mercados. O projeto Amazônia Viva, da Conab, mobiliza R$ 96 milhões para apoiar organizações produtivas, enquanto a chamada pública para cadeias de valor sustentáveis reúne mais de R$ 160 milhões e já beneficia mais de 25 mil pessoas. Outros projetos estruturantes somam mais de R$ 340 milhões, com foco em assistência técnica, agregação de valor e articulação territorial.
A publicação também reforça o papel do Banco na implementação da política industrial Nova Indústria Brasil (NIB) do Governo Federal, especialmente nas missões voltadas à bioeconomia, descarbonização e transição energética. Entre as frentes de atuação estão o financiamento a projetos sustentáveis, ações de restauração florestal e apoio à agricultura familiar e às cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
Produção e beneficiamento de castanha-do-Brasil na Cooperacre (Rio Branco - AC)
Foto: Marcelo Curia/BNDES