BNDES dobra aprovações no Nordeste no 1º tri de 2026
- Volume de aprovações na região chegou a R$ 3,38 bilhões, sendo R$ 2,2 bilhões para micro, pequenas e médias empresas
As aprovações do BNDES para o Nordeste cresceram 98,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 3,38 bilhões. O resultado foi apresentado nesta terça-feira (17) pela diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, durante o evento “Nordeste em Pauta — Resultados e perspectivas da região que mais cresce no país”, realizado em Brasília.
Do total aprovado, R$ 2,2 bilhões foram destinados a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), atendidas por meio das instituições financeiras parceiras do BNDES — que hoje cobrem mais de 90% dos municípios brasileiros. Os demais recursos contemplaram diferentes eixos econômicos: Infraestrutura (R$ 1,35 bilhão), Comércio e serviços (R$ 838,3 milhões), Agropecuária (R$ 623,6 milhões) e Indústria (R$ 560,8 milhões).
No evento, Maria Fernanda explicou que os números são resultado de um conjunto de iniciativas adotadas pelo banco, desde 2023, para impulsionar o crédito nesses estados. Entre as ações, ela citou o estabelecimento de orçamento dedicado ao Nordeste de linhas incentivadas, como o Mais Inovação e o Fundo Clima; o estabelecimento de condições de juros mais vantajosas para quem toma crédito na região; e o treinamento e reativação do relacionamento com bancos parceiros, como o Banco do Nordeste (BNB), que já acumula mais de R$ 800 milhões em repasses.
“Hoje, por exemplo, é mais barato adquirir máquinas e equipamentos pelo Finame no Nordeste que na região Sudeste”, citou Maria Fernanda, ao falar sobre a linha de financiamento do BNDES. Outra ação relevante foi a recriação do Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais (Coriff), sob coordenação da Sudene, orientando carteiras de projetos alinhadas às necessidades regionais. “O que houve foi uma decisão de colocar o Nordeste e o Norte no centro das decisões”, afirma Coelho.
Os resultados do primeiro trimestre se inserem em uma trajetória de expansão consistente. Entre 2023 e 2025, o BNDES aprovou R$ 53,6 bilhões no Nordeste — volume 63% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2019 a 2021 (R$ 32,8 bilhões), evidenciando o fortalecimento da presença do Banco na região.
Em 2025, pela primeira vez, foi realizada a Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil (NIB) que atraiu R$ 127 bilhões projetos nas áreas de transição energética com foco em armazenamento, bioeconomia com foco em fármacos, hidrogênio verde, data center verde e setor automotivo, incluindo máquinas agrícolas. A Chamada foi resultado de uma ação conjunta e inédita de fomento, construída entre os bancos públicos federais –BNDES, Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (Caixa), Banco do Nordeste (BNB) – e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com apoio técnico da Sudene) e do Consórcio Nordeste.
Maria Fernanda também destacou iniciativas aprovadas pelo banco para restauro e incentivo à produção agrícola da caatinga. Exemplos foram os editais, em parceria com o BNB, para restauro de cerca de 3 mil hectares de caatinga, que somam R$ 78 milhões; e o investimento de cerca de R$ 1 bilhão no programa Sertão Vivo, que vai atender cerca de 250 mil agricultores em cinco estados.
“Quase 50% de toda a agricultura familiar do Brasil está na região Nordeste”, afirmou Coelho, ressaltando a importância da restauração desse bioma e da organização dos agricultores familiares para ampliar a produção no Nordeste.
Diretora Maria Fernanda Coelho participa do evento que discutiu perspectivas para o Nordeste
Foto: Lucas Rodrigues / BNDES