BNDES anuncia mais R$ 40 milhões para produção de bioinsumos e chega a mais de R$ 2,4 bi mobilizados para segurança alimentar

  • Novo ciclo do BNDES Bioinsumos para agricultura familiar foi anunciado em Brasília, durante Plenária do Consea

 

  • Os 2,4 bilhões foram mobilizados, entre 2023 e 2026, para iniciativas voltadas à construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e inclusivos

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta quarta-feira (6), um novo ciclo do BNDES Bioinsumos, com R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis para apoiar cooperativas e associações de agricultores familiares na produção de bioinsumos para uso próprio. O lançamento foi feito durante a 3ª Plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em Brasília, onde o Banco apresentou o balanço da atuação na área de segurança alimentar. Desde 2023, o BNDES já mobilizou mais de R$ 2,4 bilhões para iniciativas voltadas à construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e inclusivos.

Aberta até 31 de agosto,a nova chamada pública do BNDES Bioinsumos dá continuidade à iniciativa lançada em 2025, que destinou recursos não reembolsáveis a cooperativas da agricultura familiar para produção e multiplicação de bioinsumos acessíveis e replicáveis. O primeiro ciclo foi encerrado em 28 de novembro de 2025 e contou apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Como resultado preliminar, quatro projetos foram selecionados, somando R$ 20 milhões. Esses projetos seguirão agora para uma nova etapa de avaliação do BNDES antes da contratação.

Por meio da iniciativa, o BNDES fomenta a produção e a multiplicação de bioinsumos para uso próprio em unidades industriais ou semi-industriais, contribuindo na transição tecnológica e agroecológica dos sistemas produtivos. A proposta é tornar os bioinsumos mais acessíveis à agricultura familiar e fortalecer práticas sustentáveis de produção de alimentos.

Bioinsumos são produtos de origem biológica, como microrganismos, predadores naturais de pragas, extratos vegetais ou enzimas, que promovem o crescimento, o desenvolvimento e a saúde de sistemas agrícolas, animais, aquícolas e florestais.

A iniciativa apoia categorias como inoculantes a partir de microrganismos isolados, bioestimulantes, microrganismos para controle de pragas, insetos para controle biológico, biofertilizantes produzidos a partir de biomassa vegetal, compostos farelados fermentados e compostagem de resíduos orgânicos, desde que combinada a outra categoria apoiável.

“O BNDES Bioinsumos é uma iniciativa estratégica para fortalecer a agricultura familiar, ampliar a produção de alimentos saudáveis e reduzir a dependência de insumos convencionais. Ao anunciar um novo ciclo de R$ 40 milhões, o Banco reforça seu compromisso com a segurança alimentar, a inovação no campo e a transição para uma agricultura mais sustentável, com mais autonomia produtiva para cooperativas e associações de agricultores familiares”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Todas as organizações que não foram contempladas no primeiro ciclo poderão concorrer novamente. As instituições que participaram da chamada anterior e não passaram pela análise inicial, caso tenham interesse, receberão devolutivas da equipe técnica do BNDES sobre os pontos a serem melhorados em seus projetos, de forma a qualificar novas propostas.

“Esta nova chamada de projetos mostra que o BNDES está construindo uma política de fomento contínua para bioinsumos, olhando especialmente para a agricultura familiar. Além de apoiar estruturas produtivas, queremos fortalecer capacidades locais, reduzir custos para quem produz alimentos e ampliar o acesso a tecnologias sustentáveis. O objetivo é que mais cooperativas e associações estejam preparadas para produzir bioinsumos com qualidade, biossegurança e escala”, destacou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

 

R$ 2,4 bilhões para fortalecer sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis

Os mais de R$ 2,4 bilhões que o BNDES mobilizou, entre 2023 e 2026, para iniciativas voltadas à segurança alimentar é fruto de diversas ações. O montante reúne R$ 1,2 bilhão do Fundo Amazônia, coordenado pelo Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), de R$ 1 bilhão em recursos mistos com apoio de organismos internacionais e R$ 232 milhões do Fundo Socioambiental do BNDES, mobilizados em ações que integram produção, acesso, abastecimento e consumo de alimentos. 

O balanço presentado ao Consea mostrou  a atuação estruturante do Banco em uma agenda que combina segurança alimentar e nutricional, redução das desigualdades, enfrentamento da pobreza, adaptação climática e conservação da biodiversidade, com foco na agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais e territórios vulneráveis.

“Combater a fome exige fortalecer quem produz alimentos, melhorar o abastecimento e garantir que a comida saudável chegue à mesa da população. O BNDES atua para fazer o investimento chegar na ponta, com apoio à agricultura familiar, à bioeconomia, ao acesso à água e à inclusão produtiva. Esse é o papel de um banco público: transformar recursos em desenvolvimento e melhoria de vida para as pessoas”, avaliou o presidente do BNDES.

 

Produção sustentável e agricultura familiar – Entre os destaques está o Sertão Vivo, que mobiliza cerca de R$ 1 bilhão para agricultores familiares em cinco estados do Semiárido, combinando recursos do BNDES, do Fundo Verde para o Clima (GCF) e do FIDA. A iniciativa promove adaptação às mudanças climáticas, aumento da produção de alimentos e restauração de áreas degradadas, com impacto previsto para cerca de 1 milhão de pessoas.

Ainda no Semiárido, o Sertão + Produtivo, realizado em parceria com a Petrobras, destina R$ 100 milhões ao fortalecimento da produção e comercialização de alimentos saudáveis por empreendimentos coletivos da agricultura familiar. O programa apoia mais de 10 mil agricultores e 230 organizações em 244 municípios.

“Segurança alimentar não se resolve com uma ação isolada. É preciso atuar em toda a cadeia: apoiar quem produz, fortalecer cooperativas, ampliar o acesso à água, melhorar o abastecimento e estimular a produção de alimentos saudáveis nos territórios”, afirmou Tereza Campello.

No Cerrado, o edital Cerrado + Cooperativo prevê R$ 50 milhões não reembolsáveis para projetos voltados à produção sustentável, agregação de valor, acesso a mercados e ampliação da oferta de alimentos saudáveis.

Já o programa Ecoforte apoia redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica em todo o país, fortalecendo a transição agroecológica e a produção de bioinsumos, com recursos do BNDES, da Fundação Banco do Brasil e do Fundo Amazônia.

 

Amazônia, povos e territórios – Na Amazônia, o programa Amazônia na Escola articula produção da agricultura familiar e alimentação escolar, com R$ 332 milhões em projetos que devem beneficiar mais de 120 mil produtores e alcançar mais de 120 municípios, fortalecendo cadeias locais e o acesso a alimentos saudáveis nas redes públicas de ensino.

O Sanear Amazônia destina R$ 150 milhões para levar água potável, saneamento e tecnologias adaptadas à realidade amazônica a milhares de famílias rurais, promovendo saúde, segurança alimentar e inclusão produtiva.

O Coopera + Amazônia, em parceria com Sebrae, MDIC, OCB e Unicafes, apoia cooperativas da sociobiodiversidade com investimentos superiores a R$ 100 milhões, ampliando produtividade, renda e acesso a mercados.

Já o Florestas e Comunidade: Amazônia Viva, em parceria com a Conab, investe cerca de R$ 96,6 milhões para fortalecer a estruturação socioprodutiva e o abastecimento de produtos da sociobiodiversidade.

O programa Naturezas Quilombolas destina R$ 33 milhões para fortalecer a gestão territorial e ambiental de territórios quilombolas, garantindo sustentabilidade dos modos de vida e das atividades produtivas.

O Prêmio Fundo Amazônia – Conhecer e Reconhecer vai apoiar 50 iniciativas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, valorizando práticas que já apresentam resultados na proteção dos territórios e na produção sustentável, incluindo ações relacionadas à segurança alimentar. O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES sob coordenação do MMA.

O Banco também apoia a agenda indígena, com projetos que alcançam terras indígenas em toda a Amazônia, e o programa Restaura Amazônia, que mobiliza R$ 450 milhões para recuperação de áreas degradadas no Arco do Desmatamento, integrando produção sustentável, restauração e geração de renda.

Além disso, iniciativas de regularização fundiária e fortalecimento institucional somam R$ 433 milhões, beneficiando mais de 40 mil famílias e apoiando a organização produtiva em assentamentos e territórios tradicionais.

 

Abastecimento, periferias e inclusão produtiva – O BNDES também atua no fortalecimento do abastecimento alimentar, com estudo em parceria com a Conab para modernizar o sistema nacional e aprimorar políticas públicas.

Nas cidades, o programa BNDES Periferias apoia iniciativas em comunidades urbanas voltadas à produção, comercialização e acesso a alimentos saudáveis, além de promover inclusão produtiva e economia do cuidado.

 

Inovação e autonomia produtiva – Na área de insumos agrícolas, o programa BNDES Bioinsumos apoia cooperativas e associações da agricultura familiar na produção própria de insumos, reduzindo custos e ampliando a autonomia produtiva. O primeiro ciclo já selecionou quatro projetos, e um novo edital de R$ 40 milhões será lançado para ampliar a iniciativa.

 

 

 

Foto: Lucas Ribeiro/BNDES

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