BNDES amplia mobilização para levar até R$ 80 milhões a mulheres empreendedoras e iniciativas de cuidado nas periferias

  • Chamada BNDES Periferias Mulheres está aberta até 12 de junho para projetos de geração de renda, inclusão produtiva e economia do cuidado em favelas e comunidades urbanas. 
  • Oficina teve participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, da secretária Nacional de Política de Cuidados e Família/MDS, Laís Abramo, e da diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. 
  • Nesta edição, a chamada é voltada exclusivamente para mulheres e está estruturada em duas frentes: BNDES Periferias Empreendedoras e BNDES Periferias Economia do Cuidado.

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou, nesta quarta-feira, 29/4, a Oficina do BNDES Periferias Mulheres, encontro virtual voltado a organizações interessadas em apresentar projetos à chamada pública que destinará até R$ 80 milhões para apoiar mulheres empreendedoras e iniciativas da economia do cuidado em favelas e comunidades urbanas.

O evento contou com a participação da ministra do Ministério das Mulheres, Márcia Lopes; da secretária Nacional de Política de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Laís Abramo; e da diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

A oficina ofereceu mais uma oportunidade para esclarecer dúvidas sobre as regras da chamada, orientar instituições sobre a elaboração das propostas e ampliar o acesso de organizações da sociedade civil a uma das principais iniciativas do Banco voltadas à inclusão produtiva de mulheres nas periferias urbanas. A chamada do BNDES Periferias Mulheres está aberta até 12 de junho de 2026, às 17h.

"Queremos fortalecer os territórios, aumentar a geração de renda e de oportunidades para jovens, além do fortalecimento da autonomia das mulheres. Uma parte das nossas atividades fortalecimento esse empoderamento das mulheres como empreendedoras", destacou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, que destacou a iniciativa inédita do Banco no apoio à economia do cuidado nas periferias. "É a primeira vez que o BNDES se volta para essa agenda tão inovadora e necessária", reforçou Campello.

"Quando se fala no BNDES Periferias em empreendedorismo e política de cuidado se associam duas dimensões muito importantes. O projeto do BNDES, então, torna de fato essas mulheres empreendedoras, no sentido mais amplo sentido e digno da palavra. Sem a precarização que ocorria no passado, profissionalizando e qualificando essas profissionais com processos, fluxos e procedimentos necessários para que elas disputem verdadeiramente em seus territórios a inclusão e o desenvolvimento, sendo consideradas plenamente na economia local", afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

“A iniciativa BNDES Economia do Cuidado voltada a apoiar as iniciativas de geração de emprego e renda e serviços de cuidado nos territórios periféricos é de grande importância em um momento em que a questão da garantia do direito ao cuidado foi colocada como uma prioridade nos termos da Lei 15.069/2024 que institui a Política Nacional de Cuidados. Estamos neste momento avançando na implementação da lei através da territorialização do Plano Nacional de Cuidados Brasil que Cuida. São as mulheres da periferia – principalmente as mulheres negras - as que tem sobre os seus ombros a maior carga de trabalho de cuidados, tanto no interior de suas famílias quanto como trabalhadoras remuneradas do cuidado em diversas áreas da economia. Promover a qualificação profissional dessas trabalhadoras e criar serviços que diminuam essa carga de trabalhos de cuidado é fundamental para a promoção da igualdade de gênero e raça, assim como para a redução da pobreza, a justiça social e o desenvolvimento sustentável do país", disse a secretária Nacional de Política de Cuidados e Família do MDS, Laís Abramo.

O BNDES Periferias Mulheres integra a iniciativa BNDES Periferias, que reúne diferentes formas de atuação do Banco para apoiar periferias urbanas e sua população, com foco em diversidade, redução das desigualdades, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial.  Nesta edição, a chamada é voltada exclusivamente para mulheres e está estruturada em duas frentes: BNDES Periferias Empreendedoras e BNDES Periferias Economia do Cuidado. As duas modalidades somam orçamento de até R$ 80 milhões e têm como objetivo apoiar projetos que promovam geração de renda, fortalecimento de negócios locais, inclusão produtiva e redes de cuidado nos territórios periféricos.

Na frente BNDES Periferias Empreendedoras, serão apoiados projetos voltados a empreendedoras e potenciais empreendedoras periféricas. As propostas devem atender exclusivamente empreendimentos de mulheres periféricas ou ser apresentadas por instituições geridas majoritariamente por mulheres, sempre com atuação em favelas e comunidades urbanas.

As ações apoiadas poderão incluir elaboração de diagnóstico e mapeamento de empreendedoras e oportunidades de negócios; capacitação técnica; capacitação em gestão; formação em temas socioemocionais, com abordagem sobre protagonismo feminino, gênero e violência contra a mulher; mentorias; melhoria dos negócios; ampliação de mercados; acesso a financiamento; e aporte de capital semente para empreendedoras.

Oficina de dúvidas da Edição BNDES Periferias Mulheres, na sede do BNDES, no Rio

Foto: Vivian Fernandez/BNDES

A chamada também busca responder a desigualdades persistentes no mercado de trabalho e no acesso ao crédito. Ao fortalecer mulheres empreendedoras nas periferias, o BNDES pretende contribuir para transformar iniciativas locais em negócios mais sustentáveis, com capacidade de gerar renda, ampliar redes econômicas nos territórios e fortalecer a autonomia econômica feminina.

Já a frente BNDES Periferias Economia do Cuidado apoiará projetos voltados a negócios coletivos e individuais nas periferias, com foco na geração de trabalho e renda em serviços de cuidado. Poderão ser contempladas iniciativas que prestem serviços a pessoas que precisam de cuidado e também ações voltadas a quem exerce essas atividades.

Entre os serviços que poderão ser apoiados estão cuidado domiciliar a crianças, idosos ou pessoas com deficiência; cuidado em instituições, como centros de convivência, centros-dia e cuidotecas; serviços comunitários de apoio ao cuidado indireto, como lavanderias coletivas e cozinhas solidárias; e iniciativas de acolhimento, escuta e orientação de cuidadores”, reforçou a secretária Nacional de Política de Cuidados e Família do MDS, Laís Abramo.

Os recursos também poderão financiar diagnóstico e mapeamento da oferta e da demanda por cuidado no território; capacitação em gestão; formação técnica em cuidados; mentorias; capital semente; e investimentos fixos para implantação de polos de cuidados, incluindo construção, revitalização de espaços e aquisição de equipamentos necessários ao funcionamento dos serviços. No caso dos polos de cuidado, o apoio é voltado apenas a negócios coletivos.

A frente de cuidado também prevê articulação com políticas públicas, especialmente com a Política Nacional de Cuidados e o Plano Nacional de Cuidados, incentivando parcerias com estados e municípios que aderiram ao Plano Nacional de Cuidados – Brasil que Cuida. A proposta reconhece o cuidado como uma agenda econômica, social e territorial, capaz de gerar trabalho, fortalecer redes comunitárias e reduzir desigualdades de gênero, raça e renda.

Quem pode inscrever propostas – Podem apresentar propostas pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos. Os projetos também podem ser apresentados por duas ou mais organizações que atuem em parceria em um mesmo território. Nesse caso, uma delas deverá ser indicada como organização líder, responsável pelas informações apresentadas ao BNDES e pela relação com o Banco.

Na frente BNDES Periferias Empreendedoras, os projetos devem apoiar exclusivamente empreendimentos de mulheres periféricas ou ser apresentados por instituições cuja gestão seja majoritariamente feminina. A chamada é voltada a organizações da sociedade civil e instituições que desenvolvam programas de apoio ao empreendedorismo feminino em favelas e comunidades urbanas.

Na frente BNDES Periferias Economia do Cuidado, podem ser apresentados projetos voltados a negócios coletivos ou individuais que ofereçam serviços de cuidado ou fortaleçam pessoas que exercem essas atividades nas periferias. As propostas devem estar relacionadas à inclusão produtiva urbana em favelas e comunidades urbanas.

A participação do BNDES poderá chegar a até 90% do valor do projeto, a depender das características da instituição proponente e da proposta apresentada. O investimento total mínimo por projeto é de R$ 5 milhões, incluindo a contrapartida.

Entre os requisitos de avaliação estão sustentabilidade do investimento, capacidade de execução da organização proponente, qualidade técnica da proposta, governança, perfil dos beneficiários, aderência ao território, adicionalidade e diagnóstico das potencialidades locais. Também serão consideradas características como diversidade racial na gestão, estimativa de beneficiários e, no caso da economia do cuidado, alinhamento com a Política e o Plano Nacional de Cuidados.

Como inscrever sua proposta – As propostas devem ser protocoladas pelo Portal do Cliente do BNDES. Para preencher o Roteiro de Apresentação de Projetos, documento que reúne os detalhes da proposta e a documentação necessária para análise, é preciso baixar a versão em Word mediante cadastro no Portal do Cliente.

No Portal do Cliente, a organização deve buscar a opção “Fundos, Editais, Chamadas Públicas e Mercado de Capitais”, depois “Outros Fundos, Editais e Chamadas Públicas” e, em seguida, “BNDES Periferias 5º ciclo — Edição Mulheres — Chamada Permanente”. Apenas protocolos feitos pelo Portal do Cliente serão aceitos.

Agenda de gênero – O BNDES Periferias Mulheres integra um conjunto de iniciativas anunciado pelo Banco em março para ampliar sua atuação no enfrentamento às desigualdades de gênero e à violência contra mulheres. Na ocasião, o BNDES também assinou carta de compromisso com o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando o compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e com a prevenção da violência.

Entre os compromissos assumidos estão a incorporação da perspectiva de gênero na formulação e execução de políticas e instrumentos financeiros do Banco, o estímulo a práticas organizacionais mais diversas e inclusivas no setor público e privado e a priorização de investimentos voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

BNDES Mulheres em Segurança – Entre os anúncios feitos em março em celebração ao Dia Internacional da Mulher está também o BNDES Mulheres em Segurança, nova frente de financiamento voltada a estados e municípios para apoiar políticas públicas de proteção às mulheres. A iniciativa amplia o acesso de governos locais a recursos para investimentos em prevenção, proteção, investigação, garantia de direitos e fortalecimento da rede de atendimento às mulheres em situação de violência.

Os projetos podem contemplar diferentes etapas da política pública de proteção às mulheres, incluindo ações preventivas, assistência, combate à violência e garantia de direitos. Entre os investimentos possíveis estão modernização de delegacias especializadas, implantação de Casas da Mulher Brasileira, fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, criação de abrigos para mulheres em risco, ampliação do monitoramento urbano, iluminação pública em pontos críticos e programas de qualificação profissional e geração de renda.

O financiamento poderá alcançar até 90% do valor do projeto, com prazo total de até 24 anos. Estados e municípios poderão apresentar propostas por meio da Linha de Financiamento para Modernização da Segurança Pública e Defesa Social do BNDES, além das linhas voltadas à modernização da gestão pública municipal e estadual.

A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, que prevê atuação integrada entre União, estados e municípios. A proposta reforça a compreensão de que enfrentar a violência contra mulheres exige políticas públicas articuladas, com prevenção, proteção, responsabilização, autonomia econômica e fortalecimento da rede pública de atendimento.

BNDES Procapcred Mulher – O Banco também anunciou em março, o BNDES Procapcred Mulher, modalidade de financiamento com taxas mais baixas e prazos maiores para mulheres cooperadas. A iniciativa integra o Programa BNDES Procapcred, linha voltada ao fortalecimento das cooperativas de crédito e dos bancos cooperativos.

A nova modalidade prevê redução do spread do BNDES nas operações contratadas por mulheres. Para cooperadas das regiões Norte e Nordeste, a remuneração básica do Banco passa de 0,85% ao ano para 0,50% ao ano. Nas demais regiões, cai de 1,25% ao ano para 0,85% ao ano.

Além da redução das taxas, o programa amplia o prazo de financiamento para até 15 anos, com carência de até dois anos, o que pode reduzir o valor das parcelas e ampliar a capacidade de acesso ao crédito. A medida busca estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar financiamento, fortalecer suas cooperativas e ampliar oportunidades de geração de renda.

Com o BNDES Procapcred Mulher, o Banco reforça o papel do cooperativismo financeiro como instrumento de inclusão produtiva, desenvolvimento regional e autonomia econômica das mulheres. A nova modalidade complementa as demais ações anunciadas pelo BNDES ao combinar crédito, apoio a políticas públicas, fortalecimento de empreendimentos periféricos e valorização da economia do cuidado.

Diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em Oficina do BNDES Periferias Mulheres

Foto: Vivian Fernandez/BNDES

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