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01:35 23 de August de 2019

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:16:25 07/08/2019 |CULTURA |INDÚSTRIA |SUL

Ultima atualização: 18:18 08/08/2019

Fotos: Ilustração/Divulgação e André Telles/Divulgação BNDES
Personagens de “Bubu e as Corujinhas”: dos brindes e roupas à série de animação na televisão

Era uma vez uma família de corujas que fazia sucesso no Brasil, estampada em cadernos, canecas, roupas e acessórios infantis. Um dia, seus idealizadores perceberam a oportunidade de transformá-la em uma série de animação, conquistando novos mercados. Neste momento, entra em cena um personagem fundamental para viabilizar o projeto: o BNDES. Combinando recursos reembolsáveis e incentivados, o banco de fomento aprova um apoio de R$ 6,88 milhões para transformar as corujinhas em série de TV, com duas temporadas. A contratação ocorreu no ano passado. De lá para cá, elas voam cada vez mais longe.

Antes de se tornarem um sucesso da animação brasileira, Bubu e sua família já existiam como propriedade intelectual do grupo empresarial Wacky Presentes, de São José (SC), sendo estampadas em diversos produtos, comercializados sob o nome fantasia Uatt?. Segundo a gerente Fernanda Farah, do Departamento de Telecom, TI e Economia Criativa do BNDES, ao perceber o potencial da personagem, o grupo criou a Up!Content, uma empresa exclusivamente dedicada à animação, cujo plano de negócios foi apoiado pelo banco.

 

“Hoje, estamos finalizando a segunda temporada e uma série de conteúdos digitais, que logo estarão em mais de 60 países, falando mais de 10 idiomas, e em mais de 30 contratos de licenciamento brasileiros”.

Rafael Biasotto, CEO da Up!Content

 

O primeiro contato com a empresa ocorreu durante um encontro de aproximação entre o BNDES e alguns empreendedores, proposto pela consultoria Endeavor. O potencial do projeto foi rapidamente identificado. “Quando o plano de negócios chegou aqui, a UP! já tinha assinado um contrato com a Disney, com datas marcadas para entregar duas temporadas da série”, lembra Fernanda.

De acordo com a executiva, as características do próprio desenho também indicavam sua aceitação: as corujinhas são figuras simpáticas, com cores atraentes e traços simples, fáceis de serem reproduzidos. “Além disso, as histórias procuram passar valores positivos de forma leve e lúdica”, pondera. “Ao analisar o projeto, percebemos que ali havia algo que podia estourar”.

 

“Bubu e as Corujinhas” voam para mais de 50 países com apoio do BNDES

Ricardo Rivera, Fernanda Farah, Alex Costa, Diego Niko e Gabriela Lopes, da equipe responsável pela operação no BNDES

 

O CEO da Up!, Rafael Biasotto, explica que o apoio do BNDES ao grupo garantiu construir e alavancar a criação da nova empresa e a expansão dela não só como estúdio de animação, mas também no desdobramento da criação da marca Bubu e as Corujinhas e toda plataforma de licenciamento. “Hoje, estamos finalizando a segunda temporada e uma série de conteúdos digitais, que logo estarão em mais de 60 países, falando mais de 10 idiomas, e em mais de 30 contratos de licenciamento brasileiros. E, brevemente, presentes em vários países e licenciados em vários varejos pelo mundo”, comemora.

Conforme lembra o administrador Alex Ribeiro Costa, também do Departamento de Telecom, TI e Economia Criativa do BNDES, a empresa já chegou à instituição com o plano de internacionalização pronto, enquanto seus concorrentes costumam lançar a animação primeiro e, somente após o sucesso desta, elaboram o plano de licenciamento para o exterior. “A Up! usou uma metodologia reversa, similar à adotada pela Lego, que também lançou o brinquedo primeiro”, compara. “Eles buscaram este caminho devido à aceitação da marca Bubu e as Corujinhas. E o sucesso da animação potencializou a venda dos produtos”.

Para viabilizar a operação, foram combinados 50% de recursos reembolsáveis e 50% de recursos oriundos de incentivos fiscais, contemplados pela Lei do Audiovisual. “Nosso apoio foi dado ao plano de negócios, que se resume a duas temporadas, com 26 episódios cada”, conta Fernanda. A primeira temporada foi lançada em janeiro de 2018 e a segunda está em fase final de produção. 

 

“O caso da Bubu mostra que a economia criativa é monetizável, rentável, gera emprego de qualidade e é uma vocação do Brasil, por isso precisamos despertar para essa atividade e colaborar para o seu desenvolvimento e crescimento”.

Fernanda Farah, gerente do Departamento de Telecom, TI e Economia Criativa do BNDES

 

O valor da operação foi de R$ 6,88 milhões e o investimento total superou os R$ 9,3 milhões. As garantias se pautaram principalmente no balanço da Wacky, que já tinha 13 anos de existência e faturava cerca de R$ 50 milhões por ano. Esta empresa é a interveniente e tem seus recebíveis atrelados ao contrato do BNDES com a UP!.

Depois do lançamento da primeira temporada, a série ganhou o mundo, sendo exibida em vários países pelos canais Disney Júnior América Latina e Disney Channel. No Brasil, está presente na TV Cultura, aos domingos. A maioria do público (59%) é da classe C e 21% dos espectadores estão entre 4 e 11 anos. Há ainda um canal no YouTube onde estão disponíveis alguns episódios especiais e clipes. As vendas de produtos licenciados (brinquedos, vestuário, software, publicações, alimentos, presentes e cosméticos) já ultrapassaram a marca dos 2 milhões de unidades.

“O caso da Bubu mostra que a economia criativa é monetizável, rentável, gera emprego de qualidade e é uma vocação do Brasil, por isso precisamos despertar para essa atividade e colaborar para o seu desenvolvimento e crescimento”, observa a gerente. “Estamos falando de novas profissões que serão importantes no futuro do País. Além disso, quando falamos de animação, estamos falando também de plataformas digitais e games, pois são mercados totalmente conectados”.

 

Assista ao vídeo de divulgação da marca e da série:

 

 

Mercado brasileiro de animação movimenta R$ 5 bi por ano

De acordo com o economista Diego Nyko, do Departamento de Telecom, TI e Economia Criativa do BNDES, o mercado consumidor brasileiro de animação atualmente é de aproximadamente R$ 5 bilhões por ano, o que inclui não apenas de séries de TV, YouTube ou Netflix, mas também itens como games, propaganda, cinema e outros. “Considerando todas as obras brasileiras lançadas de 2016 para 2017, o crescimento foi de 30%. Levando em conta apenas a produção para a TV, estamos falando de 110%”, afirma.

Para o futuro da atuação do BNDES no segmento de animação, a prioridade é definir a situação do edital de cinema. Também é fundamental incluir na linha BNDES Direto 10 a possibilidade de uso dos recursos oriundos do artigo 1ºA da Lei do Audiovisual, que permite a captação de recursos incentivados para a obra.
Na avaliação de Fernanda, a combinação de recursos reembolsáveis e recursos oriundos de incentivos fiscais faz muita diferença. “Isto permite trazer para o mundo dos financiamentos empresas que não estão acostumadas a lidar com risco”, argumenta. “O recurso é 100% dedutível da base do imposto de renda do banco. Então, ganhamos de todos os lados”.

A equipe do BNDES identificou a oportunidade de apoiar um blockbuster, capaz de competir de igual para igual com filmes dos estúdios americanos. A ideia é abrir espaço para um parceiro de porte que deseje compartilhar o risco. Até o momento, Lino foi o longa metragem de animação de maior orçamento, chegando a R$ 8 milhões, com apoio de R$ 1,5 milhão do BNDES. Para produzir um filme brasileiro com boas chances de competir no mercado internacional, seria necessário quintuplicar este valor.

 

“Bubu e as Corujinhas” voam para mais de 50 países com apoio do BNDES

 

Por último, o banco estuda apoiar a criação um polo de animação, como os que existem em outros países, permitindo que as empresas atuem de maneira mais estruturada e gerem emprego de qualidade. Isto evitaria a saída de animadores talentosos do Brasil. “A animação funciona como uma linha de produção, muito parecida com a indústria de tecnologia da informação”, pondera a gerente. “Se a empresa tiver um line up, consegue manter todo o time ocupado, porque são várias fases, em um processo longo: tem animação que demora 4 anos para ficar pronta. Então, é um processo que vale a pena o banco financiar”.

Alex Costa explica que a primeira etapa da estruturação das empresas é a previsibilidade, a disponibilidade de recursos para realizar seus planos de negócios. Depois disso, precisam encontrar maneiras de crescer e ter solidez para realizarem projetos maiores, de US$ 40, US$ 60 e até US$ 70 milhões.

Fernanda Farah destaca o êxito da animação brasileira, que se reflete na posição de destaque em festivais internacionais. “Chegamos a ter uma obra contemplada pelo edital do BNDES entre as indicadas ao Oscar – O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. Em 2019, Tito e os Pássaros, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto, ficou entre os filmes pré-selecionados pela Academia”, listou.

Fernanda enxerga um grande potencial no audiovisual brasileiro. “Buscamos trazer para a realidade do BNDES a visão de indústria do setor. É essa visão que vai fazer com que essa indústria se torne permanente, buscando a otimização do uso dos recursos disponíveis, inclusive casando recursos públicos e privados”, avalia.

 

Saiba mais sobre o mercado brasileiro de animação no Blog do Desenvolvimento.