BNDES confirma gestor da nova fase do Floresta Viva, que terá até R$ 250 milhões para projetos de restauração ecológica
- Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável será responsável por operacionalizar editais de seleção de projetos que contribuam com a restauração e conservação de ecossistemas e monitoramento de espécies da fauna e da flora nos biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica
- Primeira fase do Floresta Viva já mobilizou quase R$ 470 milhões, em recursos públicos e privados, para 115 projetos com previsão de chegar a cerca de 15 mil hectares restaurados
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou a gestora da nova fase da iniciativa Floresta Viva, que terá aporte de até R$ 250 milhões em recursos não reembolsáveis do BNDES para projetos de restauração ecológica com espécies nativas, incluindo atividades para conservação de ecossistemas e monitoramento de espécies da fauna e da flora nos biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica.
A seleção dos projetos de restauração será realizada por meio de editais, sob responsabilidade da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), escolhida como gestora de recursos e de projetos dessa nova fase do Floresta Viva, em conjunto com o BNDES e eventuais outros apoiadores das iniciativas.
Os recursos são do Fundo Socioambiental do BNDES e podem alcançar até R$ 250 milhões em investimentos com a participação de novas instituições apoiadoras. Até o momento, já assinaram protocolos de intenção para se unir à iniciativa a Prefeitura do Rio de Janeiro (R$ 5 milhões), o Banco do Nordeste (R$ 50 milhões), o Governo do Estado de Sergipe, por meio da Desenvolve-SE (R$ 50 milhões) e o Governo do Piauí (R$ 78 milhões, que serão divididos entre as duas fases).
A iniciativa contará, ainda, com um programa de capacitação e fortalecimento institucional de organizações sociais de povos tradicionais, assentados da reforma agrária e/ou agricultores familiares, que incluirá temas técnicos e de gestão, e, ao final, a possibilidade de execução de projetos de restauro de pequena escala. Como resultado, espera-se aumentar, nos diversos biomas, a quantidade de organizações aptas a executar projetos de reflorestamento ecológico e produtivo, a oferta e diversificação de mudas e sementes de qualidade, bem como a inclusão de povos e comunidades tradicionais nesta cadeia produtiva.
A primeira fase do Floresta Viva já mobilizou quase R$ 470 milhões em recursos públicos e privados, do BNDES e de parceiros, com previsão de chegar a 115 projetos contratados, abrangendo cerca de 15 mil hectares restaurados em todos os biomas, exceto o Pampa.
Até o momento, 53 projetos foram selecionados e já estão em andamento de modo a promover a restauração de 8.649 hectares em 56 unidades de conservação e 13 terras indígenas, em 128 municípios distribuídos por 17 Estados e no Distrito Federal.
No Brasil, a degradação dos ecossistemas, provocada principalmente pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas, já apresenta consequências relevantes, como a redução na vazão dos rios e da disponibilidade de água, aumento dos incêndios florestais e extinção de espécies. Isso compromete a segurança hídrica e energética do país, além de desestabilizar as cadeias produtivas agrícolas, com risco de afetar a economia.
“A recuperação de áreas desmatadas dos nossos biomas é uma prioridade estratégica do Banco e, além de preservar a biodiversidade, também contribui para o fortalecimento da bioeconomia, gerando renda para a população local e cumprindo uma das diretrizes da política ambiental do governo presidente Lula, que é valorizar a floresta em pé”, destacou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Nova gestora do projeto Floresta Viva, a FBDS tem outras três operações em andamento com o Banco. Também com recursos do Fundo Socioambiental, o edital Sertão Mais Produtivo visa fortalecer a capacidade produtiva da agricultura familiar nas regiões semiáridas do Piauí e Maranhão. A Fundação é, ainda, uma das gestoras do Restaura Amazônia, que também tem o objetivo de fazer a restauração ecológica com espécies nativas no Arco do Desmatamento
Desde 2023, o Banco vem reforçando o apoio à recuperação ambiental, atuando em diversas frentes. Com R$ 450 milhões do Fundo Amazônia e R$ 50 milhões da Petrobras, a iniciativa Restaura Amazônia selecionou 58 projetos de restauração ecológica e fortalecimento da cadeia produtiva na Amazônia Legal, que, juntos, devem contribuir para a recuperação de mais de 14 mil hectares em 17 unidades de conservação, 33 terras indígenas e 77 assentamentos prioritários da região. .
Junto com o Floresta Viva, o BNDES e seus 14 parceiros (empresas nacionais e multinacionais, governos, bancos multilaterais, entre outros) já lançaram 27 editais que somam cerca de R$ 1 bilhão disponibilizados para projetos de restauração apoiados integralmente com recursos não reembolsáveis.
Com recursos do Fundo Clima, o BNDES busca consolidar modelos de negócios agroflorestais e estruturar operações de crédito envolvendo a restauração ecológica e a implementação de sistemas agroflorestais. Entre 2023 e 2025, as ações apoiadas diretamente pelo Fundo Clima totalizaram cerca de R$ 1,9 bilhão e mobilizaram R$ 3,8 bilhões em investimentos.
Em 2025, em parceria com a Petrobras, o BNDES lançou a iniciativa ProFloresta+, consolidando sua posição como principal estruturador e financiador de projetos de restauração para geração de créditos de carbono do país, que irá alavancar investimentos de R$ 450 milhões.
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