Desenvolvida com apoio do BNDES, ferramenta ClimateScanner é tema de encontro internacional

  • ClimateScanner Summit 2026 reúne representantes de instituições superiores de controle de 43 países
  • 90% dos países avaliados pela iniciativa não sabem quanto gastam no combate às mudanças climáticas
  • 80% dos países ignoram os grupos mais vulneráveis em seus planos climáticos

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sedia o ClimateScanner Summit 2026, encontro internacional que avalia como os dados da ferramenta ClimateScanner podem orientar auditorias, aprimorar políticas públicas e ampliar a transparência das ações climáticas dos governos. Promovido pelo Banco em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o evento está sendo realizado em com uma programação de dois dias e termina nesta sexta-feira, 6. Entre os participantes, estão representantes de Instituições Superiores de Controle (ISCs) de 43 países, além de 20 tribunais de contas estaduais e municipais.

O ClimateScanner foi criado para avaliar e acompanhar as ações dos governos no enfrentamento das mudanças climáticas em três frentes: governança, políticas públicas e financiamento. A ferramenta foi desenvolvida de forma colaborativa entre 2023 e 2024. O trabalho foi coordenado pela Organização Internacional das Instituições Superiores de Controle (INTOSAI), que desde 2022 está sob presidência do Tribunal de Contas da União (TCU), do Brasil. A iniciativa contou com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do BNDES, inclusive com aporte de recursos.

Com uma abordagem flexível, o ClimateScanner pode ser adaptado às características de cada país. Por meio dela, qualquer pessoa interessada pode conhecer as ações que estão sendo adotadas para responder às mudanças do clima. No Brasil, a mesma metodologia do ClimateScanner foi aplicada para o desenvolvimento do Painel ClimaBrasil, que é focado nas ações dos governos estaduais e municipais. Ele foi criado em 2025 de forma conjunta pelos tribunais de contas brasileiros.

Na sessão de abertura do ClimateScanner Summit 2026, realizada na quinta-feira, 5, o diretor jurídico do BNDES, Walter Baère, defendeu a importância da criação de uma estrutura de governança mundial para as questões climáticas: “Sem uma rede global de governança e transparência, não conseguiremos uma agenda ambiental propositiva e eficaz”, avaliou. Na oportunidade, Baère também relembrou as ações do BNDES na área, incluindo o investimento de US$ 21,6 bilhões em finanças verdes nos últimos dois anos, em iniciativas como transformação energética, indústria renovável, agricultura sustentável e reflorestamento. Ele destacou que o Banco é a instituição financeira que mais contribui para o financiamento de energia limpa no mundo, segundo ranking da Bloomberg.

Já o vice-presidente do TCU, ministro Jorge Oliveira, disse que mais de 86% das instituições participantes do ClimateScanner já manifestaram interesse em aplicar novamente a ferramenta: “Esse apoio expressivo nos dá a legitimidade para assegurar a continuidade desse projeto, que é uma peça central do ecossistema de accountability climático que estamos construindo. As instituições de controle precisam ter a responsabilidade de garantir que compromissos públicos se tornem ações efetivas”.

Evento reúne representantes de instituições superiores de controle de 43 países

Foto: Andre Telles/BNDES

A manutenção do programa foi reforçada por Monthien Charoenpol, auditor-geral da Tailândia e presidente do Grupo de Trabalho sobre Auditoria Ambiental da INTOSAI. Ele informou que a iniciativa já está incluída no plano de trabalho da entidade para o período de 2026 a 2028, medida que busca ampliar a aplicação da plataforma nas auditorias.

Representantes de outras instituições abordaram os desafios para transformar diagnósticos em medidas efetivas. O chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas, defendeu que o impacto do ClimateScanner seja medido pela capacidade de melhorar políticas públicas e fortalecer as instituições, e não apenas pela produção de relatórios. Já Rodolfo Stucchi, chefe de Operações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, afirmou que é necessário fortalecer a capacidade de coordenação e apoio dos governos às políticas climáticas: “A resiliência depende da capacidade dos governos de oferecerem respostas a desastres climáticos sem que haja sacrifício de serviços essenciais ou investimentos”.

Lançamento de guia – Durante o evento, o TCU também lançou um guia destinado a orientar a atuação das ISCs nas ações climáticas. O documento ajuda a interpretar dados e diagnósticos, definir instrumentos de atuação, selecionar prioridades e ampliar o impacto do trabalho dessas entidades, gerando valor público duradouro. “Nosso objetivo é contribuir para que a mudança do clima ocupe um espaço permanente na agenda das instituições de controle”, declarou o ministro Jorge Oliveira.

Em outra frente, o TCU pretende divulgar o Relatório Global do ClimateScanner, com as principais conclusões do projeto. O lançamento está previsto para abril de 2027, durante o Simpósio ONU/INTOSAI, em Viena (Áustria).

Principais resultados – Entre os principais resultados do ClimateScanner, o TCU destacou que nove em cada dez países avaliados não sabem quanto gastam para combater as mudanças climáticas. Além disso, 70% dos governos têm planos de médio e longo prazo insuficientes para lidar com as consequências negativas dessas mudanças, e 80% dos países ignoram os grupos mais vulneráveis em seus planos climáticos. Segundo a ferramenta, metade dos países não é clara quanto à forma como planeja reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Foto: Andre Telles/BNDES

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