BNDES - Agência de Notícias

06:44 08 de December de 2019

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:17:11 08/08/2019 |INSTITUCIONAL

Ultima atualização: 18:21 09/08/2019

Rafael Magalhães/Divulgação Vinci Partners
Gastavo Montezano, presidente do BNDES, fala na abertura do 2º Seminário Vinci Partners de Fundos, no Copacabana Palace

Instituição aposta em estruturação de projetos e indução de investimentos privados, sem deixar de conceder crédito

 

Menos banco e mais desenvolvimento, mas ainda assim banco. É assim que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, define a nova fase da instituição. “A gente quer ser um banco de serviços, de investimento, que ajuda o setor público nos níveis federal, estadual e municipal a desenvolver projetos e do outro lado, como indutor, trazer o capital privado”, afirmou nesta quinta-feira, 8, em seu discurso na abertura do 2º Seminário Vinci Partners de Fundos, no hotel Copacabana Palace, no Rio.

De acordo com o executivo, o banco de fomento eventualmente precisará oferecer garantias e conceder crédito de longo prazo para complementar outras fontes de financiamento. “O BNDES tem a função de induzir, acompanhar e apoiar essa abertura ao capital privado”, explicou. Segundo ele, há oportunidades para investidores privados, sejam bancos ou fundos. “Queremos atuar como agregador dessa indústria”, afirmou.

Por outro lado, Montezano assegurou que o BNDES não vai parar de conceder empréstimos. “A gente tem um funding estável de longo prazo que a sociedade brasileira pode e deve usar para fomentar a infraestrutura e continuará disponível para ajudar o País a crescer”, enfatizou.

Gustavo Montezano afirmou que o Brasil precisa de empreendedores privados que conheçam o mercado, que tragam capital e que façam uma boa alocação de recursos. Na avaliação do presidente do BNDES, há, no setor público, uma “massa de ativos inutilizada, mal usada ou simplesmente inexplorada, que nem se sabe que tem”.

“Exemplo recente dessa abordagem mais pró-mercado é a MP 13.448, editada ontem [quarta-feira, 7], que vai regulamentar, de forma mais clara, a retomada de concessões”, argumentou. “O empreendedor fazer uma concessão e eventualmente ela dar errado faz parte do jogo. Se vocês circularem pelo País, vão ver várias obras paradas. A ideia é reciclar esse mercado de obras inacabadas e concessões que, por qualquer motivo, deram errado e isso vai gerar oportunidades para todos os senhores, como o bom capitalismo deve ser”.

Cenário – Ao analisar o momento econômico, Montezano sentenciou que estamos “possivelmente estamos vivendo o final de um ciclo de baixa”, com queda vertiginosa do PIB nos últimos anos, e o início de um ciclo de alta, “ainda tímido, mas a derivada já mudou”. O juro no exterior se aproxima de zero (“Basicamente o mundo desenvolvido virou Japão”), enquanto o Brasil registra a menor taxa da história. “Os investidores de fundos de longo prazo terão mais trabalho para alocar recursos”, observou. “Esse incômodo na barriga é um bom sinal para o País: vai forçar o mercado a tomar mais risco e empreender em atividades produtivas”.

O presidente do BNDES destacou ainda a recuperação reputacional do País, com as ações contra a corrupção, e as reformas. “Sempre que a gente tem uma mudança estrutural, isso é uma grande oportunidade para quem é entrante em algum mercado. Temos todos os ingredientes para um ciclo de alta duradouro”, ponderou. “A gente acredita que será um ciclo de crescimento um pouco mais lento, porém mais sólido e duradouro. Não esperamos mais um voo de galinha”.

Conforme frisou Montezano, a infraestrutura “é o carro-chefe da reativação da economia, geração de empregos e retornos de longo prazo”. “De um lado, essa agenda pesada de infraestrutura melhora a produtividade do Brasil, de outro, gera bons ativos para os investidores – e a máquina vai girando de forma sustentável”, explicou.

“Somos técnicos e queremos tomar a boa decisão”, garantiu o presidente do BNDES. “Nossa preocupação é se a ponte estará de pé, se o aeroporto estará em funcionamento, se as pessoas terão água em casa. Quando juntamos um grupo de pessoas capacitadas e com vontade de fazer a coisa certa, o impacto é transformador e poderoso”, disse.

 

Assista à íntegra da fala de Montezano em vídeo: