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BNDES - Agência de Notícias

20:37 20 de May de 2022

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:15:59 25/02/2022 |INSTITUCIONAL

Ultima atualização: 16:35 25/02/2022

André Telles/BNDES
Resultados foram apresentados nesta sexta, 25

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou lucro líquido recorde de R$ 34,1 bilhões em 2021, volume 65% superior ao registrado em 2020, resultado fortemente marcado por ganhos com participações societárias (R$ 30,6 bilhões) e com a intermediação financeira (R$ 19,9 bilhões). Os resultados foram apresentados nesta sexta-feira, 25, pelo presidente Gustavo Montezano e por diretores do BNDES.

 “Esses lucros representam, por um lado, controle sobre despesa e, de outro, gestão da carteira de ações, desinvestimentos, realocamento de capital público de posições especulativas para operações e setores que efetivamente desenvolvem o Brasil: infraestrutura, MPMEs, florestas, ativos ambientais. Isso aponta o BNDES na direção certa, deixando de ser um monopolista distribuidor de subsídios para ser um banco que inova, que está aberto e reconhece que precisa mudar”, definiu Montezano.

O lucro líquido anual de R$ 34,1 bilhões foi impactado pelas alienações de ações de Vale, Klabin e JBS — que contribuíram com lucro líquido de R$ 6 bilhões, R$ 1 bilhão e R$ 1 bilhão, respectivamente — e receita com dividendos/Juros sobre Capital Próprio (JCP), que acumulou R$ 7,3 bilhões (líquidos de tributos), com destaque para Petrobras, Copel e Eletrobras.

Também contribuiu para o bom desempenho o resultado positivo de equivalência patrimonial, que totalizou R$ 4,3 bilhões no ano — basicamente de JBS —, a reversão de provisão para perdas em investimentos na Petrobras (efeito líquido de R$ 3,5 bilhões) e a venda de debêntures da Vale (R$ 2,1 bilhões).

“Nosso lucro de hoje é fruto da combinação da atividade de financiamento somada à estratégia de desinvestimentos, que é vinculada ao propósito da atuação do BNDES: não é função de um banco de desenvolvimento ficar especulando na bolsa. Queremos uma carteira especulativa virtualmente zero, mas faremos isso de forma parcimoniosa, esperando a janela de mercado”, disse o presidente.

O resultado recorrente, que exclui operações de desinvestimento da carteira de renda variável e provisões para risco de crédito, entre outros, foi de R$ 15,8 bilhões em 2021. O indicador apresentou aumento de 96,9% quando comparado a 2020 (R$ 8 bilhões), refletindo a maior receita com dividendos/JCP e o acréscimo no produto da intermediação financeira, o que demonstra a consistência também da carteira de crédito do banco.  

SUSTENTABILIDADE – Ao fim de 2021, 53,5% das operações de crédito do BNDES (considerando operações diretas e indiretas não-automáticas) estavam relacionadas a projetos que apoiavam a economia verde e o desenvolvimento social. No ano, os desembolsos para iniciativas dessa natureza totalizaram R$ 7,8 bilhões e R$ 10 bilhões, respectivamente.

Cerca de 83% dos desembolsos (R$ 53,5 bilhões) do ano contribuíram para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pela ONU, totalizando quase 180 mil operações. Ao todo, foram viabilizados 1.730 MW de energia eólica — o suficiente para atender 3,3 milhões de residências —, 3.197 km de rede de distribuição de gás natural e 2.142 cisternas em escolas públicas rurais, dentre outras entregas para a sociedade.

Considerando o legado ambiental do BNDES desde a assinatura do Acordo de Paris em 2015, o apoio financeiro do BNDES viabilizou, dentre outros resultados, o plantio de 1,8 milhão de mudas e de 830 mil hectares de florestas. Nesses sete anos, as operações financiadas pela instituição evitaram a emissão de cerca de 74,4 milhões de toneladas de gás carbônico, equivalentes à emissão da frota de veículos da cidade de São Paulo por aproximadamente 28 anos.

Sobre essa questão, Montezano avaliou que “o Brasil tem a oportunidade e a obrigação de liderar as finanças verdes. Para isso, o BNDES tem um papel fundamental, apoiando tanto a agenda climática como transição da estrutura produtiva para uma economia neutra e de baixo carbono” afirmou, destacando que a requalificação do corpo técnico do Banco para essa agenda é algo central na estratégia da instituição.

FÁBRICA DE PROJETOS – Em 2021, o BNDES detinha 167 projetos em sua carteira, o que totaliza investimentos previstos da ordem de R$ 383 bilhões. Desses projetos, 19 já foram leiloados, o que representa R$ 109 bilhões em investimentos. Número que levaram o Banco a ser apontado pela provedora de dados Infralogic como o maior estruturador de PPPs, concessões e privatizações em infraestrutura entre seus pares, ultrapassando o IFC (Banco Mundial), o Banco de Investimentos Europeu (EIB) e o Banco Europeu Para Reconstrução e Desenvolvimento (ERDB), entre outros.

A Fábrica de Projetos vem ampliando a atração de capital privado para a viabilização de empreendimentos que teriam dificuldade de serem custeados somente por recursos públicos e adota a estratégia de atuar no desenvolvimento da economia nacional como um banco multiprodutos. “Em adição a nossa atividade já conhecida, de promover crédito, nos movemos para atrair projetos, adicionar o Brasil como um País mais competitivo na atração do mercado de credito internacional”, disse o diretor de Concessões e Privatizações do BNDES, Fábio Abrahão. “Isso é fruto de estarmos abertos a ouvir, do trabalho a quatros mãos com os governos e da qualidade técnica do Banco”, ressaltou.

O principal exemplo de êxito nesse campo em 2021 foram os leilões de concessão dos quatro blocos de saneamento do Rio de Janeiro, que arrecadaram R$ 24,8 bilhões e devem gerar R$ 32 bilhões em investimentos. Além desses, o Amapá fez a concessão integrada do saneamento básico de seus 16 municípios, com R$ 3,2 bilhões em investimentos e o estado do Alagoas leiloou mais dois blocos, com destaque para o Bloco B, integrando 34 cidades do Agreste e do Sertão alagoanos, arrematado por R$ 1,2 bilhão (ágio de +37.551%).

Todos esses leilões foram estruturados pelo BNDES e preveem a universalização do serviço de água e esgoto para cerca de 17 milhões de pessoas, além de investimentos em despoluição e urbanização de áreas carentes. Ao todo, em 12 meses foram leiloados 7 ativos de saneamento, 3 de energia elétrica e 1 de gás natural, mobilizando R$ 92,5 bilhões entre investimento e outorgas.

TRIMESTRE – No último trimestre de 2021, o BNDES registrou lucro líquido de R$ 7,7 bilhões. O desempenho foi fortemente influenciado pelo resultado com participações societárias, principalmente receita com dividendos/JCP (R$ 3,2 bilhões, líquidos de tributos) — com destaque para Petrobras —, pelo resultado positivo de equivalência patrimonial (R$ 1,1 bilhão) — basicamente JBS —, além de alienação de ações (também de JBS), contribuindo com um lucro líquido de R$ 1 bilhão.

Além de ter gerado retorno positivo, essas operações contribuíram para diminuir o risco da carteira de renda variável do Banco às oscilações do mercado de capitais. “Nossa estratégia de desinvestimentos está pautada integralmente na redução do VaR (Value at Risk). Apesar do resultado positivo, o VaR continua acima do nosso alvo e, por isso, é importante frisar a manutenção da nossa estratégia de desinvestimento da carteira de equity”, ressaltou a diretora de Finanças do Banco, Bianca Nasser, que aproveitou a apresentação dos resultados para despedir-se do Banco, após mais de dois anos à frente da Diretoria.

Em 2021, o produto de intermediação financeira atingiu R$ 19,9 bilhões, aumento de 55,2% em comparação ao ano de 2020, impactado pelo resultado na venda de debêntures, pelo aumento do saldo médio de disponibilidades, decorrente da monetização parcial da carteira de participações societárias (alienações de investimentos) e pela elevação na taxa SELIC, que remunera as disponibilidades, incluindo efeito de derivativos de taxa de juros.

ATIVOS – O ativo do Sistema BNDES totalizou R$ 737,2 bilhões em 31 de dezembro de 2021, uma redução de 5,3% em relação a 31 de dezembro de 2020, decorrente, principalmente, das liquidações antecipadas de R$ 63 bilhões ao Tesouro Nacional.

A carteira de crédito e repasses, líquida de provisão, totalizou R$ 439,5 bilhões, representando 59,6% dos ativos totais em 31 de dezembro de 2021 e manteve-se no mesmo patamar de 2020 (decréscimo de 1,7%). O efeito da apropriação de variação cambial e juros foi compensado pelo retorno líquido da carteira no ano.

Os desembolsos totais, incluindo debêntures, outros ativos de crédito, operações de renda variável e não reembolsáveis, somaram R$ 64,3 bilhões em 2021.

A inadimplência (+ 90 dias) manteve-se baixa, 0,19% em 31 de dezembro de 2021, inferior à inadimplência do Sistema Financeiro Nacional (SFN), de 2,3% na mesma data. A boa qualidade da carteira de crédito e repasses foi mantida, com 91,3% das operações classificadas nos mais baixos níveis de risco (entre AA e C). Esse percentual foi ligeiramente inferior ao registrado pelo SFN, de 91,9% em 30 de setembro de 2021 (última informação disponível).

O índice de renegociação atingiu 15,17% em 31 de dezembro de 2021, em função das renegociações no âmbito do programa emergencial Standstill – Setor Elétrico, para usinas hidrelétricas acima de 50 MW de capacidade instalada, que alcançaram 6,34% da carteira bruta. Desconsiderando efeitos de Standstill – Setor Elétrico e Standstill Covid-19, o índice de renegociação ficou em 1,66%.

A carteira de participações societárias totalizou R$ 66,6 bilhões em 31 de dezembro de 2021. A posição representa um decréscimo de 14,5% em relação a 31 de dezembro de 2020, em função das alienações de ações ocorridas ao longo de 2021 (R$ 16,4 bilhões). A carteira de participações societárias (avaliação gerencial) a valor justo em 31 de dezembro de 2021 era de R$ 77,9 bilhões.

FONTES DE RECURSOS – Em 31 de dezembro de 2021, FAT e Tesouro Nacional representavam 51,9% e 18,6%, respectivamente, das fontes de recursos do BNDES.

O valor devido pelo BNDES ao Tesouro Nacional totalizou R$ 124,4 bilhões em 31 de dezembro de 2021, representando uma redução de 36,3% em relação à posição em 31 de dezembro de 2020. O decréscimo decorreu de liquidações antecipadas, no montante de R$ 63 bilhões, além de pagamentos ordinários de R$ 12,8 bilhões.

O FAT se manteve como principal credor do BNDES. Em 2021, ingressaram R$ 22,2 bilhões de recursos, sendo o saldo do fundo com o Banco de R$ 347,4 bilhões em 31 de dezembro de 2021.

O passivo com captações externas totalizou R$ 33,4 bilhões em 31 de dezembro de 2021, um decréscimo de 5,7% em relação ao saldo em 31 de dezembro de 2020, em função, principalmente, de amortizações contratuais.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO E LIMITES PRUDENCIAIS – O patrimônio líquido atingiu R$ 127 bilhões em 31 de dezembro de 2021, aumento de 12,4% em relação ao saldo em 31 de dezembro de 2020.

O lucro líquido de R$ 34,1 bilhões foi atenuado pelo ajuste de avaliação patrimonial negativo, líquido de tributos, de R$ 11,4 bilhões, além do pagamento de dividendos/JCP intermediários de R$ 8,7 bilhões.

Base para o cálculo dos limites prudenciais estabelecidos pelo Banco Central (Bacen), o Patrimônio de Referência totalizou R$ 190,3 bilhões em 31 de dezembro de 2021 (ante R$ 194,5 bilhões em 31 de dezembro de 2020).

O Índice de Basileia manteve-se em situação confortável, oscilando de 41,2% ao final de dezembro de 2020 para 40,2% em dezembro de 2021, acima dos 10% exigidos pelo Banco Central. O decréscimo decorre do pré-pagamento de Instrumentos Elegíveis ao Capital Principal, no montante de R$ 13,5 bilhões, ajuste de avaliação patrimonial negativo de R$ 11,4 bilhões e pagamento de dividendos/JCP intermediários de R$ 8,7 bilhões, atenuados pelo lucro líquido de R$ 34,1 bilhões no período.

As demonstrações financeiras do BNDES e suas subsidiárias estão disponíveis no Portal de Relações com Investidores do BNDES.