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Por: Agência BNDES Notícias

Publicação:15:34 23/10/2020 |MEIO AMBIENTE

Ultima atualização: 16:03 23/10/2020

A percepção global sobre a sustentabilidade do que se consome está mudando e a adaptação do setor agropecuário brasileiro às novas exigências é fundamental. A afirmação esteve presente nas falas dos especialistas do primeiro painel dessa quinta-feira, 22, sobre Clima e Sustentabilidade no Campo, no quarto dia da Semana BNDES Verde.

Fernando Schwanke, secretário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), destacou que o Brasil tem 20% da biodiversidade mundial e o mundo mostra uma tendência crescente em relação à origem e à forma de produção de alimentos. “Nosso desafio é demonstrar que a agropecuária brasileira está respondendo de forma contundente e convincente a essa demanda e estamos desenvolvendo programas como, por exemplo, o da Agricultura de Baixo Carbono, a Carne Carbono Neutro e o programa Bio Economia Brasil”, afirmou.

Segundo ele, no ministério, a visão é de que não existe agricultura, se ela não for sustentável. “De toda a agricultura brasileira, apenas 2% vem da Região Amazônica e estamos caminhando para que ela seja cada vez mais responsável e sustentável.”

O rastreamento ambiental e o desmatamento para a venda ilegal de madeira foram o tema central da fala de Alexandre Saraiva, superintendente da Polícia Federal do Amazonas. Segundo ele, a maioria da madeira negociada tem origem em manejos ilegais. “É preciso organizar o setor e lidar com a questão fundiária na Amazônia, investir em novas tecnologias que permitam definir a origem daquela madeira e que o inventário florestal, que é onde começa o manejo, seja feito com responsabilidade.”

Alexandre ressaltou que as madeiras da Amazônia, que levam de 400 a 1400 anos para se renovarem, são vendidas a preços bem mais baixos do que os de outras de origem menos nobres devido à extração ilegal. Isso torna inviável a atividade de produtores legais de madeira, disse ele.

Schwanke, do Mapa, destacou que a demanda por alimentos orgânicos tem crescido em todo mundo nos últimos anos: "O mercado norte americano, que é o maior consumidor desse tipo de alimentos, já é responsável por quase U$ 40 bilhões por ano. O Brasil é o quarto maior mercado mundial de produtos de higiene e cuidados pessoais orgânicos, com U$ 30 bilhões comercializados em 2018.”

O Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Cruz de Souza Coelho, frisou a relevância da exportação de frutas brasileiras para o desenvolvimento do país “A cada quatro copos de suco de laranja tomados no mundo, três são feitos com laranjas vindas do Brasil”. Para que a exportação seja possível, as produções de frutas devem seguir diversas certificações de boas práticas de higiene, sociais, protocolos e análises de resíduos.

“Quando falamos do setor agropecuário, fica clara a importância da rastreabilidade e dos aspectos socioambientais para que o Brasil mantenha suas exportações, conquiste novos mercados e valorize cada vez mais seus produtos no mercado externo”, avaliou o gerente da Área de Gestão Pública e Socioambiental do BNDES, Raphael Stein, que mediou o painel.

Serviços ambientais - A segunda mesa do dia, mediada pelo superintendente da Área de Gestão Pública e Socioambiental do BNDES, Julio Leite, tratou de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e o Mercado de Carbono. Para ele, esses mecanismos de compensação financeira pela manutenção dos recursos naturais podem ser usados para direcionar mais financiamentos para quem efetivamente preserva a floresta, na ponta. O tema central foi as iniciativas que viabilizam a remuneração da manutenção da vegetação nativa e da biodiversidade.

O secretário da Amazônia e serviços ambientais do Ministério do Meio Ambiente, Joaquim Leite, falou sobre o Programa Floresta Mais e explicou que o PSA consiste na remuneração de quem cuida e protege a floresta, criando uma nova economia verde. Assim, é possível conseguir o engajamento do mercado privado e que as políticas coorporativas passem a enxergar a conservação da floresta nativa como atividade relevante, contribuindo para a preservação desses territórios.

Para Fabio Olmos, Diretor da Permian Global, o mercado busca certificações com componentes sociais e ambientais, além da aquisição de créditos de carbono, o que gera um ciclo virtuoso na floresta. “O produto mais valioso para o mercado é, justamente, aquele que desenvolve atividades em benefício das comunidades locais.”

Abel Marcarini, da SouthPole, outra empresa que lida com esses títulos em nível global, destacou a importância das florestas brasileiras. Ele lembrou que 30% da chuva que cai em São Paulo depende da Floresta Amazônica. “Assim como a chuva que cai em áreas do agronegócio, por exemplo, que é tão importante para a economia do país, e por isso é tão importante mantermos a floresta em pé.”

 

Assista à integra do painel “Pagamentos por Serviços Ambientais e o mercado de carbono”: