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BNDES - Agência de Notícias

17:59 23 de July de 2024

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:17:07 23/11/2023 |CULTURA |SUDESTE

Ultima atualização: 13:53 24/11/2023

Tomaz Silva - Agência Brasil

Cais do Valongo no Rio ganha nova sinalização e painéis expositivos

Em cerimônia marcada por um ritual de limpeza, purificação e homenagem aos espíritos dos ancestrais que passaram pelo local, foi realizada a entrega da segunda etapa das obras de valorização do Cais do Valongo, na região central do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 23. Patrimônio da humanidade, a região, no distrito da Pequena África, foi reconhecida como principal cais de desembarque de escravizados do continente.

Orçada em R$ 2 milhões, a segunda etapa projeto foi patrocinada pela empresa State Grid Brazil Holding, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): “O Cais do Valongo precisa se transformar em uma grande referência cultural, histórica e antropológica. Ele representa uma memória que não pode ser esquecida nem apagada. A partir daí que valorizamos a gigantesca contribuição de negros e negras na construção do Brasil”, disse o presidente do Banco, Aloizio Mercadante.

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André Telles

O projeto de revitalização compreendeu a adequação física do local, a sinalização do sítio arqueológico e a instalação de módulos expositivos, com totens que contam a história da região, sob curadoria da professora Ynaê Lopes dos Santos, historiadora especialista na história da escravidão e das relações raciais nas Américas.

"A entrega da sinalização educativa, dos painéis e da obra de substituição do guarda-corpo fazem parte do trabalho de valorização do Cais do Valongo, um patrimônio cultural de grande importância para a memória da diáspora africana”, afirmou Leandro Grass, presidente do Iphan, que também participou da cerimônia.

Na primeira etapa da revitalização do Cais do Valongo, foram realizados procedimentos de consolidação e conservação das materialidades do sítio arqueológico, além da limpeza do solo e contenção de erosões. A Prefeitura do Rio de Janeiro, o Iphan, o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) e a Embaixada dos Estados Unidos também contribuíram com as ações.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, celebrou o momento de consolidação do Cais do Valongo: “Essa história começou a ser descoberta há 10 anos e a gente vê agora a transformação desse espaço. Valeu a pena apostar no projeto”.

Também participaram da inauguração o presidente do IDG, Ricardo Piquet, a coordenadora de cultura, UNESCO, além de representantes de instituições representativas da sociedade civil, do território e governamentais que formam o Comitê Gestor do Cais do Valongo, entre elas Edelzuita de Oxalá, personalidade defensora do projeto.

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Tomaz Silva - Agência Brasil


Sítio arqueológico -
O Cais do Valongo contém vestígios do antigo cais de pedra construído para o desembarque no Rio de Janeiro, à época capital do Brasil, de pessoas trazidas de países africanos para serem escravizadas nas Américas a partir de 1811. Em julho de 2017, foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Entre a construção do cais e a proibição do tráfico em 1831, estima-se que ingressaram no país entre 500 mil e um milhão de pessoas de diversas nações africanas, em sua maioria, do Congo e Angola.

O Rio de Janeiro, em quase quatro séculos de escravidão, recebeu sozinho cerca de 20% de todos os africanos escravizados que chegaram vivos às Américas. Assim, a cidade e o Cais do Valongo são referências da maior transferência forçada de população na história da humanidade.

Durante as décadas, o Cais sofreu sucessivas transformações. Uma das principais foi em 1843, quando foi remodelado para receber a Princesa das Duas Sicílias, Teresa Cristina Maria de Bourbon, noiva do Imperador D. Pedro II, sendo renomeado para Cais da Imperatriz. Com as reformas urbanísticas no início do século XX, o local foi aterrado. Em 2011, o Valongo foi redescoberto durante as obras da Prefeitura do Rio de revitalização da Região Portuária em 2011.