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Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:22:10 12/11/2020 |INSTITUCIONAL

Ultima atualização: 20:51 16/11/2020

Apresentaram o desempenho, nesta quinta, 12, o presidente e a Diretoria do Banco

• No acumulado de janeiro a setembro, lucro líquido é de R$ 13,7 bilhões 

• Desde março, recursos para ações de combate à pandemia somam R$ 136,6 bi, beneficiando 267 mil empresas e seus 8,8 milhões de empregados

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 8,73 bilhões no terceiro trimestre de 2020, fortemente influenciado pelo resultado obtido com participações societárias, entre elas a alienação de ações de Vale, que contribuiu com um lucro líquido de R$ 4 bilhões. 

O desempenho foi apresentado nesta quinta-feira, 12, pelo presidente Gustavo Montezano. Ele aproveitou a ocasião para, juntamente com a Diretoria do Banco, fazer um balanço das medidas emergenciais de combate à crise decorrente da pandemia da covid-19. Desde março, essas ações somam R$ 136,6 bilhões em apoio a 267 mil empresas, que empregam 8,8 milhões de pessoas.

No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido registrado pelo BNDES foi de R$ 13,7 bilhões. Esse desempenho foi impactado pela oferta pública de ações da Petrobras, em fevereiro, que contribuiu com um lucro líquido de R$ 4,1 bilhões, e atenuado pela constituição de provisão para risco de crédito de R$ 1,8 bilhão (R$ 1 bilhão líquido de tributos). 

O resultado do mesmo período de 2019 (R$ 16,5 bilhões) tinha sido influenciado positivamente pela operação de incorporação de Fibria pela Suzano (R$ 5,7 bilhões líquido de tributos), além de alienação de ações de Petrobras, Vale e Rede. “Retomamos a agenda de desinvestimentos, de forma cautelosa e bem-sucedida. Executamos a maior venda em bloco em bolsa de valores da história do Brasil (Vale), resultado de uma ação muito bem executada”, avaliou Montezano.

No terceiro trimestre, houve reversão bruta de R$ 469 milhões em provisões decorrentes da evolução positiva de créditos provisionados. Nos nove primeiros meses do ano a despesa com provisão para risco de crédito foi de R$ 1,8 bilhão, impactada pela revisão de ratings de empresas dos setores mais afetados pela pandemia do covid-19.  

O produto de intermediação financeira atingiu R$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre de 2020, o que representa um aumento de 31% em comparação com o segundo trimestre. O BNDES também apresentou melhora do resultado recorrente, que atingiu R$ 2,43 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 1,32 bilhão do trimestre anterior. O resultado recorrente exclui a volatilidade trazida pela carteira de renda variável e pelos ajustes na provisão para risco de crédito.

No acumulado do ano, observa-se estabilidade das despesas com pessoal na comparação entre os nove primeiros meses de R$ 1,502 bilhão (2019) para R$ 1,505 bilhão (2020). O Plano de Estímulo à Aposentadoria (PEA), implantado no segundo semestre deste ano, recebeu a adesão de 137 empregados,  resultando num dispêndio total de R$ 43 milhões. A adesão representa para o BNDES uma redução de 5,2% no quadro de pessoal e uma redução de 6,8% na folha de pagamentos, correspondendo a uma economia anual recorrente de R$ 100 milhões. 

Ativos – O ativo do Sistema BNDES totalizou R$ 764,4 bilhões em 30 de setembro de 2020, apresentando aumento de R$ 36,2 bilhões (5%) nos primeiros nove meses do ano. O incremento resultou, principalmente, do ingresso de recursos do Tesouro Nacional (R$ 22 bilhões no total, sendo R$ 4,8 bilhões já aplicados), no âmbito do Programa Emergencial de Suporte a Empregos (PESE) e do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC), além da apropriação de variação cambial e juros da carteira de crédito e repasses, de R$ 39 bilhões. 

Esses fatores foram atenuados pela transferência da totalidade do saldo de R$ 20,7 bilhões do Fundo PIS/PASEP para o FGTS no segundo trimestre, o que viabilizou saques emergenciais dos trabalhadores, e pela desvalorização da carteira de empresas não coligadas em R$ 11,5 bilhões.

A carteira de crédito e repasses, líquida de provisão, totalizou R$ 452,3 bilhões ao fim do terceiro trimestre, representando 59,2% dos ativos totais em 30 de setembro de 2020, o que implica um acréscimo de 2,4% em relação ao saldo de 31 de dezembro de 2019.  

A inadimplência acima de 90 dias reduziu de 0,84% em 31 de dezembro de 2019 (desconsideradas as operações com honra da União) para 0,18% em 30 de setembro de 2020, retornando ao patamar de 2015 e mantendo-se bem abaixo da inadimplência média do Sistema Financeiro Nacional (2,43% em 30 de setembro de 2020). O índice de renegociação atingiu 47,36% em 30 de setembro de 2020, fortemente impactado pela suspensão temporária de pagamentos de operações contratadas junto ao BNDES (standstill) criado por conta da pandemia no segundo trimestre. 

A carteira de participações societárias em coligadas e não coligadas totalizou R$ 71,2 bilhões em 30 de setembro. A posição representa queda de 37,8% nos nove meses, em função da desvalorização dos investimentos em não coligadas (R$ 11,5 bilhões), destacando Petrobras e Eletrobras, e da venda de ações (R$ 33,8 bilhões), notadamente Petrobras e Vale. Os desinvestimentos realizados ao longo do terceiro trimestre somaram um resultado bruto de R$ 7 bilhões (R$ 4,4 bilhões líquidos). Para Bianca Nasser, diretora Financeira, "A estretégia está acertada: temos que reduzir o VaR (value at risk) da carteira, uma vez que as variações de mercado nos traz riscos potenciais".

Fontes de recursos – Em 30 de setembro, FAT e Tesouro Nacional representavam 40,1% e 27,9%, respectivamente, das fontes de recursos do BNDES. O valor devido pelo BNDES ao Tesouro Nacional atingiu R$ 213 bilhões, representando um aumento de 6,7% em relação ao encerramento de 2019. O acréscimo ocorreu por conta do ingresso de recursos do Tesouro Nacional (R$ 22 bilhões, sendo R$ 4,8 bilhões já aplicados). Não houve liquidações antecipadas em 2020, apenas pagamentos ordinários no montante de R$ 11,5 bilhões.

O passivo com captações externas totalizou R$ 34,9 bilhões em setembro, representando um acréscimo de 21,2% em relação a dezembro de 2019, em função, principalmente, de efeito cambial, atenuado por amortizações no vencimento.

Patrimônio líquido – O patrimônio líquido do BNDES se manteve no mesmo patamar, chegando a R$ 104,5 bilhões no terceiro trimestre. O ajuste negativo de avaliação patrimonial (notadamente participações societárias em não coligadas) de R$ 14 bilhões líquidos foi compensado pelo lucro líquido de R$ 13,7 bilhões.

Limites prudenciais – Base para o cálculo dos limites prudenciais estabelecidos pelo Banco Central, o Patrimônio de Referência do BNDES totalizou R$ 186,1 bilhões em setembro (ante R$ 191,7 bilhões em 31 de dezembro). O Índice de Basileia manteve-se em situação confortável, passando de 36,8% ao final de dezembro de 2019 para 40,1% em setembro de 2020, acima dos 9,25% exigidos pelo Banco Central.

 

As demonstrações financeiras completas do BNDES e de suas subsidiárias estão disponíveis no Portal de Relações com Investidores do BNDES na internet. Acesse aqui

BNDES CONTRA A COVID-19

Até a segunda-feira, 9, as medidas emergenciais do BNDES para combate à crise decorrente no novo coronavírus totalizavam R$ 136,6 bilhões em aprovações, beneficiando 267 mil empresas, que empregam 8,8 milhões de trabalhadores. As iniciativas vêm sendo anunciadas desde 22 de março e buscam preservar as atividades econômicas das companhias durante esse período, além de viabilizar investimentos no setor de saúde, preservando, assim, vidas e empregos.

Dentre os programas anunciados, merece destaque o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC), medida lançada em conjunto por BNDES e Ministério da Economia, já ofereceu garantias a operações de financiamento para 96 mil pequenas e médias empresas, totalizando R$ 81 bilhões de financiamentos contratados até 9 de novembro. “Essa linha era para atravessar a crise e, hoje, temos observado que se tornou uma linha para a retomada da economia”, avaliou Montezano.

Para o presidente, o suporte às empresas de menor porte foi o grande destaque do BNDES no período. “Foi um trimestre em que o BNDES atuou efetivamente de forma contracíclica, sobretudo no que diz respeito às pequenas empresas. Nesse trimestre vimos os programas de apoio chegar efetivamente na última ponta”, comemorou.

Já o alongamento de dívidas (standstill) atingiu, em sua primeira fase, R$ 12,4 bilhões em suspensões para operações diretas e indiretas. A iniciativa, originalmente destinada a empresas com faturamento de R$ 360 mil a R$ 10 milhões, passou a incluir na segunda rodada de pedidos (aberta até o dia 30 de novembro) empresas que faturam até R$ 50 milhões, em setores específicos, e microempreendedores em operações de microcrédito. Também estão contemplados estados e municípios que possuem operações automáticas contratadas com o BNDES por meio de instituições financeiras parceiras. No site do Banco, é possível acompanhar as medidas emergenciais de combate aos efeitos da crise provocada pela pandemia. Veja aqui.

BANCO DE SERVIÇOS

Os principais destaques entre desestatizações estruturadas pelo BNDES no período foram os setores de saneamento básico e o de iluminação pública. “São os segmentos que elegemos como prioritários”, explicou Fábio Abrahão, diretor de infraestrutura, Concessões e PPPs do Banco.

Um primeiro bloco da concessão de serviços de água e esgoto para os 102 municípios de Alagoas foi leiloado em 30 de setembro e, em 20 de outubro, foi realizado o leilão para a concessão do esgotamento de Cariacica (ES). No setor de iluminação pública, o leilão da PPP de Macapá (AP) foi realizado em 7 de outubro, e o contrato de PPP de Vila Velha (ES) assinado em 20 de outubro. 

O Banco de Serviços do BNDES conta ainda com os seguintes projetos de saneamento em curso e que deverão ir a leilão em 2021: Acre, Amapá, Ceará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de Porto Alegre (RS). Em conjunto, as ações em saneamento devem beneficiar 36 milhões de pessoas e viabilizar investimentos de R$ 55 bilhões.

Outros projetos de destaque na carteira do Banco de Serviços são os de privatizações em distribuição de energia: CEEE D – Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (leilão no primeiro trimestre de 2021) e CEB – Companhia Energética de Brasília (leilão a ser realizado ainda em 27/11/20).

“Acreditamos que, no próximo semestre, essa carteira vai ter um crescimento importante, da ordem de 50%”, adiantou Abrahão. O diretor explicou que o conceito do Banco de Serviço do BNDES é o de one-stop-shop: “Vamos desde a originação até toda a estruturação, passando pelo apoio ao processo de alienação. Buscamos também trabalhar com blocos grandes, projetos em escala, de modo a ter um impacto significativo na vida da população e do País”.