Com apoio do BNDES, Novo Cataforte formaliza três projetos contemplados no Rio Grande do Sul

  • Parceria com Fundação Banco do Brasil e Governo Federal fortalece redes de reciclagem, amplia renda e melhora condições de trabalho de catadores no estado

Três projetos do Rio Grande do Sul contemplados pelo Programa Novo Cataforte foram formalizados em solenidade realizada nesta quinta-feira, 18. Cada um deles receberá aporte de cerca de R$ 2,4 milhões. Parceria entre Fundação Banco do Brasil (Fundação BB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), sob a coordenação da Secretaria Geral da Presidência da República, o Novo Cataforte tem como objetivo selecionar projetos para fortalecer redes de cooperativas e associações de catadores.

A solenidade aconteceu no Centro de Triagem da Vila Pinto, em Porto Alegre (RS), com a participação do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Um dos projetos contemplados é da Rede Porto Alegre com Reciclagem Popular, que envolve 15 instituições da capital gaúcha. Os projetos da Rede Coopersinos - com sete instituições dos municípios de Campo Bom, Dois Irmãos, Morro Reuter, Novo Hamburgo e Santo Antônio da Patrulha – e da Rede Nova Geração – com outras sete instituições em Erechim e Passo Fundo – também foram formalizados.

“Cada quilo, cada tonelada que vocês tiram do aterro sanitário e colocam na economia circular da reciclagem contribui para a melhoria das condições ambientais o que os torna agentes dessa causa”, destacou Boulos. Os recursos recebidos pelas redes contempladas poderão ser usados para aquisição de caminhões de coleta seletiva, empilhadeiras, retroescavadeiras, esteiras, climatizadores de ambiente, reforma de galpões e equipamentos de informática, entre outros. Além do aporte de R$ 2,4 milhões para cada uma, estão previstas ações de gestão e capacitação ao longo de 24 meses. A iniciativa tem foco na inclusão produtiva e na qualificação operacional das cooperativas urbanas.

A primeira etapa do programa, Cataforte I, foi lançada em 2007 e teve como objetivo principal estimular a organização de grupos de catadores e catadoras de materiais recicláveis com base nos princípios da economia solidária, partindo de ações que incluíram capacitações, qualificação profissional, assistência técnica e incentivo à formação das redes de comercialização. Novas etapas foram lançadas em 2009, quando o Cataforte II fori direcionada para a melhora da estrutura logística, e em 2014, com o Cataforte III que buscou fortalecer 33 redes.

O Novo Cataforte foi lançado em julho de 2024 inicialmente com R$ 50 milhões em recursos do BNDES e da Fundação BB. Posteriormente, novos aportes elevaram o montante para R$ 70 milhões. A retomada do programa reforça a organização produtiva dos catadores por meio do apoio a redes estruturadas. Os projetos contemplados viabilizam a reativação de cooperativas, a geração de renda, a melhora das condições de trabalho e a promoção de mais dignidade para catadores e catadoras em todo o país.

“Quando se fala em reciclagem, não estamos tratando apenas de preservação ambiental, mas também de oportunidade, renda e cidadania. O governo do presidente Lula tem mobilizado diferentes atores em iniciativas como essa, com o objetivo de dar estrutura e apoio para quem atua nessa atividade. São ações que reconhecem o papel essencial desses trabalhadores e que contribuem para construir uma cadeia mais justa, sustentável e organizada” observou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Gilson Lima, diretor da Fundação Banco do Brasil, destacou que o intuito é otimizar a cadeia de resíduos sólidos. “Esse é nosso objetivo. Fico muito grato por estar vendo que isso está acontecendo no território, vendo a concretude das ações, e que o que foi pensado está de fato acontecendo”.  

Dados divulgados em 2025 pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) apontam que, no ano anterior, cada habitante do Brasil gerou, em média, 384 quilos (kg) de lixo por ano. À época, apenas 8,7% dos resíduos secos foram destinados à reciclagem. O desperdício desse volume impacta diretamente a geração de renda e causa prejuízos ao meio ambiente.

“Catadores são invisíveis para algumas pessoas, mas projetos como o Cataforte dão maior visibilidade e reconhecimento, melhorando as condições de trabalho com os novos equipamentos e os ganhos dos recicladores”, disse Sirlei Batista de Souza, que criou cinco filhos com a renda obtida da venda dos materiais e formou-se em Gestão Ambiental e atualmente cursa Sociologia. Ela trabalha com reciclagem há 25 anos e integra o Centro de Triagem da Vila Pinto, que sediou a solenidade e compõe a Rede Porto Alegre com Reciclagem Popular, uma das contempladas.

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