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BNDES - Agência de Notícias

Mon Mar 31 11:20:24 CEST 2025 Mon Mar 31 11:20:24 CEST 2025

Blog do Desenvolvimento

Estratégias para redução das emissões no transporte de cargas

 

A emissão de dióxido de carbono (CO₂) no setor de transporte de cargas é um dos principais desafios ambientais da atualidade, exigindo medidas eficazes para mitigação dos impactos climáticos. No Brasil, o setor responde por 51% das emissões decorrentes dos diversos usos de energia, as quais, por sua vez, correspondem a 23,2% das emissões totais de gases de efeito estufa no país.

O modo rodoviário responde por grande parte dessas emissões devido à preponderância dos caminhões na matriz de transportes brasileira e, consequentemente, ao consumo de uma quantidade elevada de diesel por tonelada de carga transportada, comparativamente a outros modos mais eficientes, como o ferroviário, o aquaviário e o dutoviário.

Nesse contexto, diversas estratégias têm sido discutidas para promover a descarbonização do setor, alinhando-se ao modelo ASI (avoid-shift-improve), que propõe a redução do uso de transporte (avoid), a migração para modos mais limpos (shift) e a melhoria da eficiência dos veículos e combustíveis (improve). 

 

[AVOID] Redução da demanda por transporte de carga

Uma das abordagens fundamentais é a redução da demanda por transporte de carga. O volume transportado está diretamente relacionado ao produto interno bruto (PIB). Economias mais intensivas em serviços de maior valor agregado tendem a reduzir sua dependência do transporte pesado de mercadorias. Além do crescimento econômico, possíveis estratégias voltadas à diminuição da necessidade de transporte incluem maior eficiência no uso de materiais e incentivo à produção local. Além disso, a implementação de medidas regulatórias, como taxação sobre combustíveis fósseis e internalização de externalidades ambientais, pode desencorajar o transporte excessivo e estimular a adoção de práticas mais sustentáveis. 

 

[SHIFT] Deslocamento da carga para modos menos emissores

Outra estratégia relevante é o deslocamento da carga para modos menos emissores, uma vez que o transporte rodoviário apresenta os maiores índices de emissão de GEEs por tonelada-quilômetro útil (TKU). O modo rodoviário emite mais do que o dobro do ferroviário por TKU no transporte de carga geral e cerca de 7 vezes mais no transporte mineral, para o qual a inserção da ferrovia é consideravelmente maior. Comparado à cabotagem e ao modo hidroviário, o transporte rodoviário emite de 6 a 13 vezes e de 7 a 22 vezes mais GEEs, respectivamente.

A transferência da carga para modais ferroviário, dutoviário, hidroviário e de cabotagem pode gerar significativas reduções nas emissões. Estudos indicam que essa mudança estrutural na matriz logística tem impacto mais expressivo na redução de emissões do que melhorias individuais dentro de cada modal. No Brasil, essa transição enfrenta desafios relacionados à infraestrutura e à integração modal, sendo necessária uma abordagem coordenada entre setores público e privado para viabilizar investimentos em ativos estratégicos como vias ferroviárias e hidrovias. 

 

[IMPROVE] Substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia de baixo carbono

Além da mudança modal, a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia de baixo carbono se apresenta como uma alternativa viável para reduzir as emissões em curto e médio prazos. O diesel ainda é a principal fonte de energia no transporte de cargas, sendo necessário o incentivo ao uso de veículos elétricos, híbridos e movidos a biocombustíveis, como etanol e biometano, ou a hidrogênio. A eletrificação tem se mostrado promissora para veículos de curta distância e urbanos, embora desafios como a infraestrutura de carregamento e o peso e autonomia das baterias ainda precisem ser superados.

 

[IMPROVE] Melhoria na utilização de ativos logísticos

A melhoria na utilização dos ativos logísticos também se configura como um pilar estratégico para a descarbonização do setor. Sistemas inteligentes que maximizam a capacidade de carga dos veículos, o compartilhamento de informações logísticas entre transportadoras e embarcadores, a implementação de programas de eco-driving e a adoção de tecnologias de roteirização eficiente contribuem para minimizar desperdícios e aprimorar a gestão da frota já existente. 

 

[IMPROVE] Aumento da eficiência energética

Por fim, o aumento da eficiência energética dos veículos e sistemas de transporte desempenha um papel central na redução das emissões. No setor ferroviário, investimentos em tecnologias como frenagem regenerativa, otimização do tráfego e modernização das locomotivas são fundamentais para aumentar a eficiência operacional. No transporte rodoviário, inovações em motores, uso de materiais leves e aprimoramentos aerodinâmicos reduzem o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões. No modal aquaviário, melhorias na propulsão, no design dos cascos e a adoção de combustíveis alternativos podem contribuir para uma operação mais sustentável. 

 

A descarbonização do setor de transportes exige um conjunto de ações articuladas e de longo prazo, combinando mudanças estruturais na matriz logística com avanços tecnológicos e regulatórios.

Saiba mais no artigo do BNDES Setorial 58: Descarbonização no transporte de cargas de Felipe Borim Villen, Tiago Toledo Ferreira, Bernardo Furtado Nunes, Edson José Dalto, Marco Aurélio Cabral Pinto e Paulo Marcelo Raposo Machado Costa.

 

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