Com apoio do BNDES, fábrica de reciclagem em Brusque inicia operação para processar até 800 toneladas diárias de resíduos

  • BNDESPAR, braço de participações acionárias do Banco, fez aporte de R$ 117 milhões no Fundo Good Karma, que investiu R$ 65 milhões na empresa Ciclare, responsável pelo projeto 
  • Unidade de Triagem Mecanizada (UTM) no interior de SC utiliza tecnologia inédita no país para separar resíduos urbanos com alta precisão e escala industrial

 

Com capacidade de processar cerca de 800 toneladas de resíduos urbanos por dia, a primeira planta de um complexo industrial de reciclagem mecanizada com tecnologia inédita no país inicia a operação nesta segunda-feira, 25, em Brusque, no interior de Santa Catarina. O projeto contou com participação da BNDESPAR, braço de participações acionárias do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aprovou em janeiro do ano passado aporte de R$ 117 milhões no Fundo Good Karma, da Gestora Just Climate, fundada pelo ex-vice-presidente americano Al Gore, que destinou R$ 65 milhões à empresa Ciclare, responsável pelo projeto da fábrica, e que também contou com financiamento de R$ 116 milhões do BID Invest.

A Unidade de Triagem Mecanizada (UTM) faz parte do projeto que introduz tecnologia de ponta e escala industrial para a reciclagem no país, por meio de seleção mecanizada, incluindo sistemas ópticos e magnéticos combinados com processos mecânicos capazes de identificar e separar materiais com alta precisão. Esse modelo permite recuperar recicláveis diretamente do lixo comum residencial, o que amplia a oferta de materiais para a cadeia produtiva sem competir com a coleta seletiva ou com o trabalho de organizações de catadores. 

Além do ganho ambiental, a operação tem impacto direto na redução de emissões. A expectativa é evitar cerca de 33 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano, ao mesmo tempo em que contribui para prolongar a vida útil de aterros sanitários e reduzir a demanda por recursos naturais.

"Construir um modelo mais eficiente de reciclagem e recuperação de resíduos faz parte de um dos temas estratégicos do BNDES, que valoriza a economia circular e promove cidades mais sustentáveis. O Brasil precisa consolidar um caminho para a destinação correta do lixo, com mais tecnologia e valorização das cooperativas e trabalhadores da reciclagem, gerando mais renda", afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Na prática, o apoio do BNDES abre caminho para uma triagem mais eficiente dos resíduos a partir de uma tecnologia de ponta já consolidada na Europa e nos Estados Unidos e replicada com sucesso na planta de Brusque (SC).. A planta será do tipo Materials Recovery Facility (MRF), um sistema inédito no Brasil.

“É uma tecnologia que não existe no Brasil. Nos dispusemos a enfrentar uma realidade à qual é muito difícil se acostumar: a de não ter tratamento adequado de resíduos e conviver com a cultura de lixões e aterros que não se alinham às melhores práticas do mundo”, diz Eduardo Mufarej, co-CIO da Just Climate, controladora da operação.

A Ciclare estima destinar, em média, 25% dos resíduos - principalmente alumínio, materiais ferrosos e plásticos - a clientes industriais, por meio de contratos de longo prazo para reaproveitamento em suas cadeias produtivas.

O índice de reciclagem no Brasil ainda é baixo quando comparado com países desenvolvidos. Atualmente, apenas 8,7% dos mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados todo ano são reciclados. Essa taxa chega a cerca de 27% no Reino Unido, 35% nos Estados Unidos e 48% na Alemanha.

A iniciativa faz parte da estratégia de ampliação de investimentos em transformação ecológica através de instrumentos e soluções financeiras de mercado de capitais que a BNDESPAR, o que inclui também a Chamada Pública de Fundos de Clima, que selecionou sete fundos de investimento com o aporte de até R$ 4,3 bilhões pela BNDESPAR. Somados aos recursos captados no mercado, esses fundos de investimento deverão mobilizar cerca de R$16,2 bilhões em investimentos voltados para projetos conectados com a agenda verde e economia circular.

Ao atuar como investidor âncora e estruturador, o BNDES contribui para reduzir riscos, melhorar a governança e atrair capital institucional para teses relacionadas à economia verde, incentivando cadeias produtivas de baixo carbono, inovação baseada na biodiversidade e modelos de negócios que conciliem geração de renda, conservação ambiental e exploração inteligente dos ativos florestais, ampliando a escala e o impacto das soluções alinhadas ao desenvolvimento sustentável.

Uso do biogás - Os resíduos orgânicos serão encaminhados ao aterro sanitário operado pela Veolia, parceira da Ciclare. Como parte da estratégia de eficiência energética e sustentabilidade do projeto, o biogás gerado no aterro será aproveitado para alimentar geradores de energia elétrica, com capacidade de cerca de 1 MW, contribuindo para o suprimento energético da planta de reciclagem.

Trata-se de projeto de grande relevância para a cadeia de reciclagem no Brasil, com potencial de replicação e impacto significativo na redução de resíduos destinados a aterros. Também está alinhado à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), marco legal que estabelece as diretrizes para a mitigação dos impactos ambientais e sociais decorrentes do descarte inadequado de resíduos, incentivando a recuperação de materiais e energia.

Sobre a Ciclare - A Ciclare é uma plataforma de economia circular fundada pela Just Climate, empresa de investimentos especializada em soluções para os setores mais emissores, para resolver um dos maiores gargalos da reciclagem no Brasil: a falta de infraestrutura. A empresa implementa plantas industriais de triagem mecanizada que recuperam materiais recicláveis diretamente de aterros sanitários, devolvendo-os à cadeia produtiva em escala, gerando retorno financeiro com impacto ambiental mensurável.

Com apoio do BNDES, fábrica de reciclagem em Brusque (SC) inicia operação

Foto: Ciclare/Divulgação

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