Fundo Amazônia apoia Inpe no uso de IA para monitoramento rápido e antecipação de riscos ambientais

  • Projeto receberá R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para integrar Prodes e Deter, ampliar o uso de inteligência artificial e criar indicadores de risco de curto prazo de desmatamento, degradação e incêndios
  • Deter será expandido para Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, e monitoramento de áreas queimadas deverá passar de resolução de 1 quilômetro para 30 metros em todos os biomas brasileiros
  • Fundo Amazônia ampliou sua atuação na prevenção e no combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas, com R$ 521 milhões contratados para ações em 14 estados e três biomas

O Fundo Amazônia vai destinar R$ 147,6 milhões ao projeto Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), que vai desenvolver uma nova geração de ferramentas capazes de tornar o monitoramento da vegetação nativa brasileira mais rápido, detalhado e capaz de antecipar riscos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (16), durante a apresentação dos novos dados de desmatamento produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Na Amazônia, o desmatamento caiu 41,8%, passando de 5.731 km² para 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, a menor taxa da série histórica iniciada em 1988. No Cerrado, a redução foi de 23,8%, de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², também o menor resultado da série histórica do bioma, iniciada em 2001.

O projeto SIM-Biomas foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo Amazônia, em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A iniciativa prevê o uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina para aprimorar a identificação de desmatamento, degradação e recuperação da vegetação, ampliar o monitoramento das áreas atingidas pelo fogo e criar indicadores capazes de apontar áreas com maior risco ambiental no curto prazo.

A proposta é fortalecer a capacidade do país de enxergar melhor, enxergar mais rápido e antecipar riscos, produzindo informações para apoiar ações de fiscalização, prevenção e controle ambiental.

“O Fundo Amazônia vai ajudar o INPE a aperfeiçoar uma estrutura de monitoramento que é estratégica para o país. Com mais precisão, velocidade e capacidade de antecipar riscos, será possível produzir informações ainda mais qualificadas para apoiar a prevenção e o controle do desmatamento, da degradação e dos incêndios florestais”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O projeto será executado pela Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), com execução técnica a cargo do Inpe. O apoio é não reembolsável e o prazo de execução previsto é de 60 meses.

Integração – Uma das principais entregas será a integração das ferramentas Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (Prodes) e Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). O Prodes é utilizado para produzir as taxas de perda de vegetação nativa, enquanto o Deter gera alertas em tempo quase real para apoiar as ações de fiscalização e controle do desmatamento e da degradação.

Com a automação da análise das imagens e o uso de inteligência artificial, o projeto pretende combinar a precisão espacial do Prodes com a rapidez do Deter. Também está prevista a automação da detecção de alertas e o desenvolvimento de um sistema integrado que permita aumentar a frequência de geração das informações do Prodes, inclusive com produção de dados intra-anuais.

“A aprovação do Projeto SIM-Biomas é uma grande notícia para as políticas públicas ambientais e climáticas brasileiras e para o Inpe em particular. O novo projeto significa avanços técnico-científicos e metodológicos disruptivos nos sistemas e plataformas do Inpe, produtos singulares e referências nacional e internacional, associados à produção do melhor e mais qualificado dado e informação de desmatamento, queimada e uso e cobertura, que serão produzidos em menor tempo e com qualidade superior”, diz o diretor do Inpe, Antônio Miguel Vieira Monteiro. “O projeto permitirá continuar a oferecer as melhores tecnologias e metodologias para monitoramento de florestas tropicais do mundo. E com licenças de software, métodos e metodologias abertas, replicáveis e verificáveis", acrescenta.

O projeto prevê ainda a expansão do Deter para os biomas Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. Atualmente, o Inpe realiza monitoramento diário das atividades de supressão e degradação ambiental nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Na prática, o objetivo é encurtar a distância entre a identificação de uma alteração na vegetação e a produção da informação necessária para orientar a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle ambiental.

Detalhamento – Outro avanço previsto é o aumento da precisão do mapeamento das áreas efetivamente atingidas pelo fogo. Atualmente, com exceção do Bioma Cerrado, o monitoramento nacional de áreas queimadas realizado pelo Inpe opera com resolução espacial de 1 quilômetro. A nova metodologia deverá permitir o mapeamento das cicatrizes de queimadas com resolução de 30 metros em todos os biomas brasileiros, também com utilização de inteligência artificial.

Com muito mais detalhe, será possível identificar com maior precisão onde o fogo passou e qual foi a extensão da área atingida, gerando informações que poderão apoiar o planejamento de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. O projeto prevê ainda a produção sistemática de mapas de áreas queimadas e de séries históricas com a nova metodologia.

“O apoio do Fundo Amazônia ao SIM-Biomas fortalece uma capacidade essencial para a política ambiental brasileira: produzir informação de qualidade em tempo cada vez menor. Ao combinar inteligência artificial, maior precisão e indicadores de risco, o projeto vai permitir ao Inpe aperfeiçoar o monitoramento dos biomas e apoiar de forma mais efetiva as ações de prevenção, fiscalização e controle”, afirma a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

Antecipação de riscos – O projeto também prevê a criação de um Subsistema de Inteligência Territorial. A ferramenta combinará informações sobre desmatamento, degradação e recuperação da vegetação com dados fundiários, socioeconômicos e climáticos e utilizará técnicas de machine learning e deep learning para produzir indicadores de risco de curto prazo de desmatamento e degradação.

A proposta é avançar de um monitoramento voltado principalmente para registrar o que já ocorreu para um sistema que também ajude a indicar onde os riscos são maiores. As informações poderão apoiar o planejamento de ações de fiscalização, controle e adaptação por instituições federais, estaduais e municipais.

As análises poderão ser organizadas por diferentes recortes territoriais, como bacias hidrográficas e terras indígenas. Também serão desenvolvidas ferramentas para construção de cenários de longo prazo, capazes de simular possíveis trajetórias de desmatamento, degradação e recuperação da vegetação diante de diferentes condições econômicas, climáticas e de políticas públicas.

Medição de gases – Outra frente do projeto buscará aperfeiçoar a medição das emissões de gases de efeito estufa na Amazônia. Estão previstos sobrevoos na região, com coleta de amostras da atmosfera para medir as concentrações de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O) e monóxido de carbono (CO).

Os dados obtidos diretamente na atmosfera serão comparados com as estimativas calculadas a partir de mudanças observadas na vegetação, como desmatamento, degradação e regeneração. A comparação deverá reduzir incertezas e permitir o aprimoramento das metodologias utilizadas para calcular o balanço de emissões de gases de efeito estufa da Amazônia.

O projeto prevê ainda a geração de estimativas intra-anuais e anuais de emissões, de cenários de longo prazo de emissões e remoções e de mapas atualizados de biomassa e carbono para a Amazônia e o Cerrado. As informações também contribuirão para os inventários brasileiros de emissões e para os relatórios apresentados pelo país no âmbito do Acordo de Paris.

TerraBrasilis++ – Os dados produzidos pelas diferentes frentes do projeto serão reunidos em uma nova plataforma pública, denominada TerraBrasilis++. O ambiente permitirá visualizar de forma integrada mapas, gráficos, indicadores, alertas e outras informações produzidas pelos sistemas de monitoramento.

A plataforma contará com uma sala de situação ampliada, voltada ao acompanhamento de indicadores, alertas e riscos, e uma nova sala de cenários, destinada à visualização e análise de diferentes projeções para os biomas brasileiros. O projeto inclui também a ampliação da infraestrutura computacional do INPE para armazenamento e processamento de grandes volumes de imagens e dados geográficos, atualização das coleções de imagens, mosaicos e cubos de dados e aprimoramento das tecnologias do Brazil Data Cube.

Com essas entregas, a iniciativa busca fortalecer o monitoramento por satélite como instrumento de prevenção e controle do desmatamento, da degradação da vegetação e dos incêndios florestais, combinando maior precisão, maior velocidade na produção das informações e capacidade de antecipar riscos.

Fundo Amazônia – O Fundo Amazônia ampliou a atuação na prevenção e no combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas, com R$ 521 milhões contratados para ações em 14 estados e três biomas — Amazônia, Cerrado e Pantanal. O apoio do Fundo combina o fortalecimento dos Corpos de Bombeiros, brigadas florestais, Força Nacional de Segurança Pública e estruturas de monitoramento e resposta em campo. A carteira prevê 500 veículos, 33,8 mil equipamentos de uso individual, capacitação de 5 mil pessoas e 30 bases operacionais, além de sistemas, drones e equipamentos especializados para prevenção, monitoramento e combate direto ao fogo.

Do total aprovado, R$ 371 milhões foram destinados a nove projetos de apoio aos Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal. Os recursos financiam veículos especializados, equipamentos de proteção individual, materiais de combate a incêndios, estruturação de bases operacionais, capacitação e ações de prevenção junto a comunidades, agricultores e agentes locais.

Outro eixo central nessa atuação do Fundo Amazônia é o apoio de R$ 150 milhões ao projeto Manejo Integrado do Fogo: Cerrado e Pantanal, aprovado em julho de 2025.  O projeto, executado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), fortalece a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) e amplia a capacidade de prevenção, monitoramento e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas em cinco estados — Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Piauí — além do Distrito Federal.

O Fundo Amazônia soma R$ 5,3 bilhões em doações e 159 projetos aprovados ao longo de 18 anos de atuação, com presença em três de quatro municípios da Amazônia Legal – são mais de 500 municípios, em uma carteira de projetos baseados na proteção das florestas e na melhoria da vida de quem vive nela.

As iniciativas apoiadas beneficiam mais de 650 organizações em 75% dos municípios da Amazônia Legal; 167 Terras Indígenas; Corpos de Bombeiros de todos os nove estados da Amazônia Legal; e, também, dos seis estados que compõem o Cerrado e o Pantanal (MS, GO, MG, PI, BA e DF; 192 Unidades de Conservação; e cerca de 260 mil pessoas; além das forças de segurança pública da Amazonia Legal e da Força Nacional.

O Fundo Amazônia tem atualmente nove doadores internacionais (Noruega, Alemanha, Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos, Suíça, Dinamarca, Irlanda e Japão).

Informações detalhadas sobre governança, carteira, doações e cada um dos projetos apoiados estão disponíveis no site do Fundo Amazônia.

Foto: Getty Images

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