BNDES e Serviço Florestal Brasileiro anunciam R$ 125,9 milhões para bioeconomia, manejo e recuperação florestal na Amazônia
- Com recursos do Fundo Amazônia, iniciativa vai fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, concessões florestais, recuperação de áreas degradadas, regularização ambiental e inteligência florestal
- Projeto vai beneficiar povos e comunidades tradicionais, comunidades extrativistas, agricultores familiares, assentados, empreendimentos florestais comunitários e imóveis rurais da Amazônia Legal
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), anunciam nesta quinta-feira, 2, o apoio de R$ 125,9 milhões para a iniciativa Manejando a Amazônia: Bioeconomia, recuperação florestal e informações para o uso sustentável da floresta. Os recursos, não reembolsáveis, são do Fundo Amazônia e serão destinados a ações estruturantes para promover o uso sustentável, o manejo e a recuperação das florestas na Amazônia Legal.
A iniciativa vai fortalecer cadeias produtivas sustentáveis em territórios e florestas de uso coletivo, ampliar o manejo florestal sustentável, apoiar a recuperação de áreas degradadas, aprimorar instrumentos de regularização ambiental e ampliar a produção de informações estratégicas sobre as florestas brasileiras. O projeto será executado pelo SFB ao longo de 48 meses. O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES sob coordenação do MMA.
As ações terão impacto direto sobre populações que vivem da floresta e atuam historicamente na sua conservação. Povos e comunidades tradicionais, comunidades extrativistas, agricultores familiares, assentados e empreendimentos florestais comunitários – organizações comunitárias, cooperativas e associações que vivem do uso sustentável da floresta –, serão beneficiados por capacitação, assistência técnica, apoio à gestão, orientação para acesso a crédito e mercados e fortalecimento de cadeias de produtos madeireiros e não madeireiros.
“A Amazônia precisa de uma economia que gere renda com a floresta em pé. Esse projeto fortalece quem vive nos territórios, amplia o manejo sustentável, apoia a recuperação de áreas degradadas e melhora a inteligência pública sobre as florestas. É desenvolvimento com inclusão, conservação e combate ao desmatamento”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
O anúncio foi realizado pela diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, durante o fórum Brasil Mais Verde. Realizado no edifício do BNDES no Rio de Janeiro, o evento reuniu autoridades governamentais e representantes do setor produtivo, de instituições financeiras, de organismos internacionais, da academia e da sociedade civil para debater os caminhos que posicionam o Brasil como protagonistas da transformação ecológica global.
"É uma operação que expande a nossa capacidade de organizar as concessões, tanto florestal como de restauração, e também para promover a cota de reserva ambiental. É fundamental para dar escala a esse trabalho", disse o diretor-geral do SFB, Garo Joseph Batmanian.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e o diretor-geral do SFB, Garo Joseph Batmanian, possam com o documento de assinatura da iniciativa
Foto: Vivian Fernandez/BNDES
Bioeconomia e geração de renda – Uma das frentes centrais da iniciativa é o fortalecimento da bioeconomia da floresta em territórios de uso coletivo e imóveis rurais. O projeto prevê estudo sobre novos modelos de crédito para empreendimentos florestais, capacitação e assessoria a cerca de 20 empreendimentos florestais comunitários e apoio ao Laboratório de Produtos Florestais do SFB para identificação de espécies madeireiras e produtos não madeireiros.
Os empreendimentos comunitários receberão apoio em gestão de negócios, regularização ambiental, assistência técnica e extensão florestal, além de orientação para acesso a mercados e crédito. As ações serão voltadas especialmente a comunidades envolvidas com manejo florestal em Unidades de Conservação de Uso Sustentável e assentamentos diferenciados.
“Estamos falando de uma agenda que combina combate ao desmatamento, valorização da sociobiodiversidade e geração de renda. O apoio aos empreendimentos comunitários é fundamental para que povos e comunidades tradicionais tenham melhores condições de produzir, comercializar e conservar seus territórios”, afirmou Tereza Campello.
Manejo sustentável e concessões florestais – Outra frente da iniciativa será o fortalecimento do manejo florestal sustentável, com apoio à estruturação de concessões florestais federais e estaduais, disseminação de tecnologias para agregação de valor a produtos florestais e implantação de soluções de monitoramento.
As ações vão beneficiar áreas de florestas públicas e territórios sob concessão, ampliando a capacidade do poder público de planejar, acompanhar e fiscalizar o manejo sustentável. Também está prevista a realização de sobrevoos com tecnologia LiDAR, que permite gerar dados de alta resolução sobre vegetação, relevo e biomassa florestal. Essas informações servirão para apoiar o planejamento, o monitoramento, a fiscalização e a auditoria das concessões.
O manejo sustentável e as concessões florestais são instrumentos para manter a floresta em pé, reduzir a pressão de atividades ilegais e gerar emprego e renda em regiões onde a floresta pode se tornar base de uma economia formal, sustentável e de baixo carbono.
Recuperação de áreas degradadas – A iniciativa também vai apoiar o desenvolvimento de modelos de recuperação florestal para a Amazônia Legal, com uso de geotecnologias, metodologias de monitoramento e análise de diferentes estratégias de restauração. A proposta é identificar técnicas adequadas para cada tipo de território, incluindo unidades de conservação, florestas comunitárias, territórios indígenas e áreas rurais com passivos ambientais.
Essa frente vai contribuir para orientar políticas públicas de restauração, reduzir custos, aumentar a escala das ações e melhorar os resultados ambientais, com recuperação de biodiversidade, conectividade ecológica, equilíbrio hidrológico e aumento dos estoques de carbono.
Regularização ambiental e Cotas de Reserva Ambiental – O projeto também apoiará a regularização ambiental de imóveis rurais, com foco no aperfeiçoamento da compensação de Reserva Legal e das Cotas de Reserva Ambiental (CRA). Estão previstas ações de apoio a estados, elaboração de modelos técnicos e jurídicos, realização de mutirões e estruturação de instrumentos de monitoramento das áreas vinculadas às CRAs.
Entre os produtos esperados estão a elaboração de laudos comprobatórios para emissão de CRA, a capacitação de equipes estaduais e a busca ativa de propriedades rurais, especialmente imóveis de até quatro módulos fiscais com potencial para adesão ao mecanismo. A iniciativa deve beneficiar proprietários e possuidores rurais, ao mesmo tempo em que fortalece a proteção da vegetação nativa e amplia a segurança técnica e jurídica dos instrumentos de compensação ambiental.
Cristiane da Silva, diretora de inteligência ambiental, clima e floresta da SEMARH do Governo do Tocantins e o sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que foi apoiado pelo Fundo Amazônia
Foto: Marcelo Curia/BNDES
Inteligência florestal para orientar políticas públicas – A iniciativa também fortalecerá a inteligência florestal do país, com novos módulos no Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF) e conclusão do Inventário Florestal Nacional na Amazônia Legal. As informações produzidas vão apoiar a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas de uso sustentável, conservação, restauração e manejo florestal.
Com dados mais qualificados e integrados, governos federal e estaduais, organizações sociais, comunidades, pesquisadores e empreendedores terão melhores condições de planejar ações, identificar oportunidades produtivas e acompanhar a conservação e recuperação da floresta.
Sobre o Fundo Amazônia – Criado em 2008, apoia ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de iniciativas de conservação e uso sustentável da Amazônia Legal. Desde sua retomada, o Fundo ampliou sua atuação em bioeconomia, restauração florestal, povos e comunidades tradicionais, regularização ambiental, comando e controle e fortalecimento institucional dos órgãos responsáveis pela proteção da floresta.
O Fundo Amazônia consolidou-se como o maior mecanismo de REDD+ do mundo em volume de recursos mobilizados e resultados alcançados. Ao longo de sua trajetória, reúne R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados. Desde a retomada, em 2023, vive seu ciclo de maior expansão: a média anual de aprovações passou de cerca de R$ 300 milhões, entre 2009 e 2018, para R$ 1,3 bilhão por ano, entre 2023 e 2025. Só em 2025, foram aprovados R$ 2,2 bilhões, o maior volume anual já registrado.
Projeto Floresta Ativa Tapajós, apoiado pelo Fundo Amazônia, na aldeia Vista Alegre do Capixauã
Foto: Marcelo Curia/BNDES