BNDES amplia ProFloresta+ e convida empresas a participar do maior leilão de créditos de carbono de restauração do país

  • Banco lança o Profloresta+ 2 e abre hoje o período de manifestação de interesses para que empresas compradoras de créditos de carbono possam aderir

  • Iniciativa pode restaurar até 60 mil hectares, capturar 19 milhões de toneladas de CO₂ e mobilizar até R$ 6 bilhões em compra de créditos de carbono

  • BNDES organizará processo competitivo entre compradores e desenvolvedores de projetos e poderá financiar os vencedores do leilão por meio do Fundo Clima

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira, 2, no Rio de Janeiro, a segunda fase do ProFloresta+, iniciativa para dar escala à restauração ecológica no Brasil por meio da geração e compra de créditos de carbono de alta integridade. Nesta etapa, o Banco chama empresas interessadas em adquirir créditos de carbono para participar da estruturação do maior leilão de compra de créditos de carbono de restauração florestal já realizado no país.

O BNDES atuará em duas frentes. Com a abertura da manifestação de interesse, reunirá empresas interessadas em adquirir créditos de carbono de alta integridade, estruturando contratos padronizados e organizando um processo competitivo para seleção dos projetos de restauração. Em seguida, poderá financiar os desenvolvedores vencedores do leilão por meio de linhas de longo prazo, especialmente do Fundo Clima – Florestas Nativas, ampliando a escala da restauração ecológica no país.

Enquanto a primeira fase do ProFloresta+ contou com um comprador âncora — a Petrobras —, a nova etapa amplia o modelo para empresas de diversos setores econômicos. O objetivo é formar uma demanda ampla e permanente por créditos de carbono de alta integridade, permitindo que o mecanismo ganhe escala nacional e possa ser replicado em novas rodadas.

O anúncio foi feito durante o Brasil Mais Verde: 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, realizado no edifício-sede do BNDES, com a presença do presidente do Banco, Aloizio Mercadante, de ministros de Estado e de lideranças dos setores público e privado. O evento reuniu discussões sobre cinco frentes estratégicas da transição para uma economia de baixo carbono: restauração florestal; minerais críticos e estratégicos; agricultura regenerativa, bioinsumos e biofertilizantes; armazenamento de energia e baterias; e transporte sustentável e biocombustíveis.

Na primeira fase do ProFloresta+, lançada pelo BNDES e pela Petrobras em 2025, a iniciativa tem como foco a compra de até 5 milhões de créditos de carbono gerados a partir de projetos de restauração ecológica na Amazônia. Na semana passada, foram divulgadas as empresas vencedoras: Systemica, brCarbon e re.green. A etapa prevê restaurar até 15 mil hectares, mobilizar cerca de R$ 450 milhões em investimentos em plantio e gerar valor estimado de R$ 1,5 bilhão em compra de créditos de carbono.

Agora, o ProFloresta+ 2 passa a buscar múltiplos compradores, de diferentes setores econômicos, para projetos de restauração em todos os biomas brasileiros. A expectativa é alcançar até 60 mil hectares restaurados, mobilizar investimentos em plantio, capturar aproximadamente 19 milhões de toneladas de CO₂ e gerar até R$ 6 bilhões em compra de créditos de carbono.

"Na primeira fase mostramos que o modelo funciona. Agora damos um passo além: estamos criando um mercado organizado de compra de créditos de carbono de restauração, reunindo empresas interessadas, estruturando contratos de alta integridade e financiando projetos capazes de recuperar áreas degradadas em todos os biomas brasileiros", afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

A manifestação de interesse anunciada hoje é voltada a empresas compradoras de créditos de carbono, especialmente de setores com maior demanda por instrumentos de descarbonização e compensação de emissões. As empresas interessadas deverão manifestar demanda mínima equivalente a 1 milhão de créditos de carbono, volume correspondente à remoção de 1 milhão de toneladas de CO₂ da atmosfera.

A expectativa é que o leilão da segunda fase do ProFloresta+ ocorra ainda em 2026. As empresas interessadas em conhecer a iniciativa ou manifestar interesse poderão solicitar reunião com a equipe do BNDES pelo e-mail profloresta@bndes.gov.br.

"Estamos construindo uma solução que beneficia toda a cadeia da restauração. As empresas passam a contar com um processo transparente para adquirir créditos de carbono de alta integridade, enquanto os desenvolvedores ganham previsibilidade de demanda e melhores condições para financiar seus projetos. Esse modelo pode acelerar a recuperação de áreas degradadas em todo o país", destacou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

Plantio de mudas de espécies nativas, apoiadas pelo Fundo Amazônia, no Rioterra Centro de Inovação da Amazônia em Rondônia

Foto: Marcelo Curia/BNDES

Como funciona o ProFloresta+ - O ProFloresta+ é uma solução de mercado estruturada pelo BNDES para conectar empresas interessadas em adquirir créditos de carbono e desenvolvedores de projetos de restauração ecológica. Na prática, empresas manifestam sua demanda por créditos de carbono e, em seguida, desenvolvedores apresentam propostas para atendê-la, com base em critérios técnicos, ambientais e de integridade definidos para a iniciativa. Os projetos vencedores firmam contratos de compra de créditos de carbono com os compradores e podem buscar financiamento de longo prazo junto ao BNDES para executar a restauração.

Os projetos devem ser baseados em restauração ecológica com espécies nativas e atender a critérios de qualidade ambiental, diversidade de espécies, monitoramento e certificação compatíveis com padrões reconhecidos de integridade no mercado de carbono.

 

BNDES Florestas - O ProFloresta+ integra a estratégia BNDES Florestas, frente de atuação do Banco voltada a consolidar, em escala, os setores de restauração ecológica, conservação, bioeconomia florestal e geração de ativos ambientais no Brasil. A estratégia articula crédito, recursos não reembolsáveis, participação em fundos, inovação financeira e estruturação de mercado.

Até o momento, o BNDES já mobilizou R$ 14,1 bilhões para a economia florestal brasileira, reunindo operações de crédito, investimentos em participações e recursos não reembolsáveis. As iniciativas apoiadas têm potencial para viabilizar o plantio de 342 milhões de árvores, gerar 86 mil empregos verdes e remover 66 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera.

Entre as iniciativas da estratégia estão o Floresta Viva, o Arco da Restauração, o BNDES Florestas Crédito, concessões florestais, investimentos em fundos e mecanismos inovadores de mercado, como o próprio ProFloresta+, que busca transformar a restauração ecológica em uma atividade econômica de larga escala, gerando empregos, renda, biodiversidade, segurança hídrica e ativos ambientais.

Foto: Vivian Fernandes/BNDES

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