BNDES aprova R$ 503 mi para biorrefinaria de combustíveis sustentáveis da Acelen na Bahia

  • Com capacidade para processar diariamente até 20 mil barris de matéria-prima renovável, empreendimento vai contribuir para redução de emissões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor de R$ 503,04 milhões para a Acelen Industrial S.A., do grupo Mubadala Capital, para implantação de uma biorrefinaria de combustíveis sustentáveis em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano. O apoio será concedido por meio da linha BNDES Finem – Meio Ambiente, voltada à produção de combustíveis sustentáveis avançados, e integra uma estrutura de financiamento de longo prazo, com a participação de doze instituições financeiras, em um consórcio liderado pelo HSBC e pela International Finance Corporation (IFC).

Com investimento total estimado em R$ 7 bilhões e início de operação previsto para 2029, a biorrefinaria terá capacidade para produzir anualmente 1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO), a partir de diversas fontes de biomassa. Inicialmente, utilizará óleo de cozinha usado e óleo de soja contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes, especialmente na aviação. O empreendimento será instalado ao lado da Refinaria de Mataripe, aproveitando a infraestrutura logística existente na região, incluindo acesso ao Terminal de Madre de Deus, o que reforça a competitividade do projeto com foco no mercado internacional.

Essa biorrefinaria faz parte de um projeto integrado da companhia, que prevê investimento superior a US$ 3 bilhões e contempla o desenvolvimento agroindustrial com plantação, extração e beneficiamento dos coprodutos da macaúba como matéria-prima para a produção de SAF e HVO. A planta utilizará a tecnologia Hefa (hydroprocessed esters and fatty acids), uma das principais rotas tecnológicas globais para produção de SAF e HVO.

“O Brasil reúne condições únicas para protagonizar a transição energética global, combinando escala agrícola, excelência industrial e matriz energética limpa. Esta operação demonstra a confiança de investidores internacionais na liderança do país para desenvolver combustíveis renováveis em larga escala”, afirma Leonardo Yamamoto, sócio do Mubadala Capital.”

A IFC, instituição do Grupo Banco Mundial voltada ao desenvolvimento do setor privado, participou da estruturação financeira após ampla diligência técnica, ambiental e social. O projeto seguirá rigorosos padrões internacionais de sustentabilidade, governança e responsabilidade socioambiental definidos pela IFC, incluindo critérios ambientais, sociais e de gestão reconhecidos globalmente para projetos de infraestrutura e transição energética.

O empreendimento já com contratos estratégicos negociados e cerca de 90% da comercialização dos biocombustíveis (SAF e HVO), já estruturada. “A estruturação deste financiamento confirma a robustez técnica, financeira e socioambiental do projeto”, afirma Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis. “Entramos agora em uma nova etapa de execução industrial em larga escala”.

Desenvolvimento regional – O projeto integra desenvolvimento industrial e tecnologia para produção de combustíveis renováveis avançados a partir de feedstocks tradicionais e de macaúba, cultura nativa brasileira com alto potencial para biocombustíveis avançados. A Acelen Renováveis prevê o cultivo de 144 mil hectares em áreas degradadas, considerando ganhos de produtividade já incorporados ao projeto, sendo 20% destinados a parcerias com agricultura familiar e pequenos produtores.O modelo busca combinar regeneração produtiva, inclusão social e descarbonização, alinhado às melhores práticas globais de sustentabilidade e desenvolvimento de baixo carbono.

A estimativa é de criação de cerca de 3.600 empregos durante a fase de implantação da biorrefinaria e aproximadamente 300 empregos diretos e indiretos na sua fase de operação, contribuindo para o desenvolvimento regional na Bahia.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cadeia integrada do projeto pode movimentar até US$ 40 bilhões na economia brasileira e gerar cerca de 85 mil empregos diretos e indiretos na próxima década.

Biorrefinaria da Acelen em obras na Bahia

Foto: Divulgação

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