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02:00 23 de August de 2019

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:18:39 23/07/2019 |INTERNACIONAL

Ultima atualização: 10:46 22/08/2019

Fotos: André Telles/Divulgação BNDES
Alexandre Espósito (BNDES), Valentina Grebneva (VEB.RF), Shalendra Gupta (Exim Bank), Li Yijun (CDB) e Ernest Dietrich (DBSA)

Representantes dos bancos de desenvolvimento dos países do Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) reuniram-se nesta terça-feira, 23, no Centro de Estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio, para compartilhar experiências em financiamento de projetos de infraestrutura e discutir estratégias de funding. O evento, intitulado Brics ICM 2019, é preparatório para o Fórum Financeiro dos Bancos de Desenvolvimento do Brics, que acontecerá em novembro, também na capital fluminense.

Os participantes apresentaram diferentes modelos para viabilizar investimentos em infraestrutura, uma necessidade em comum entre os integrantes do bloco. De acordo com Alexandre Siciliano Espósito, chefe de departamento na Área de Energia Elétrica do BNDES, os membros do Brics, assim como todos os países emergentes, têm uma demanda imensa por projetos no setor.

“Nossos países têm suas especificidades, mas têm enormes desafios comuns”, apontou. “Os setores público e privado têm maneiras diferentes de se complementarem. Isso minimiza os riscos, que hoje são assumidos em grande parte pelo setor público”.

 

Bancos de desenvolvimento debatem apoio a infraestrutura em Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul

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PPPs – Em sua apresentação, Li Yijun, diretora do China Development Bank (CDB), lembrou que o Brasil tem cerca de 900 projetos ativos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), no valor total de US$ 345 bilhões. “As PPPs podem trazer mais eficiência, menor custo, compartilhamento e melhor alocação de riscos, entrega acelerada e manutenção em todo o ciclo de vida do projeto”, afirmou. A participação do parceiro privado pode se restringir à construção, mas também pode abranger itens como o design do projeto, financiamento e a parte de operação e manutenção.

Shailendra Gupta, especialista do Export-Import Bank of India (Exim Bank), vê a infraestrutura como “espinha dorsal” da atividade econômica. “Como a capacidade de financiamento do Estado é limitada, tivemos que buscar a participação do setor privado, por meio das PPPs”, explicou.

Os investimentos em infraestrutura estão em alta na Índia. O setor de construção civil acumulou crescimento de 20% nos últimos cinco anos. Para os próximos anos, a demanda de investimentos em infraestrutura naquele país está estimada em US$ 800 bilhões. “Teremos um desenvolvimento sustentável, pois somos atraentes”, avaliou Gupta.

Fábrica de financiamento – Valentina Grebneva, diretora do VEB.RF, o banco de desenvolvimento russo, apresentou a Fábrica de Financiamento de Projetos, um mecanismo para financiar projetos de investimento nas indústrias prioritárias da Rússia. “A fábrica permite que os mutuários obtenham financiamento sob acordos de empréstimo sindicalizados e levantem mais fundos para entregar projetos apoiados pelo Estado”, explicou.

Entre os instrumentos da fábrica estão o apoio administrativo e financeiro do VEB.RF, a cobertura de risco dos mutuários e credores usando os subsídios estatais, a garantia do governo para reduzir custos de financiamento e mitigar riscos de investidores em títulos emitidos para financiar os projetos e procedimento especial para o cálculo da taxa de adequação dos fundos próprios das instituições de crédito russas e criação de provisões para os financiamentos.

Investimentos na África – Ernest Dietrich, executivo do Development Bank of Southern Africa (DBSA), destacou o pipeline de US$ 160 bilhões em investimentos nos próximos anos. “A prioridade é financiar projetos de energia renovável, habitação, infraestrutura de pequenos municípios e saneamento”, listou. Segundo ele, para contornar a falta de recursos para financiamento, as alternativas incluem replicar a experiência do BNDES na estruturação de projetos, buscar o desenvolvimento do mercado de capitais e trabalhar em parceria com bancos privados e instituições financeiras estrangeiras.

Papel do BNDES –– Marcus Santiago, gerente da Área de Energia do BNDES, apresentou uma breve retrospectiva do banco, pontuando o seu papel histórico no apoio à infraestrutura e, mais recentemente, em processos de privatização. Marcus mostrou alguns cases de apoio do banco de desenvolvimento brasileiro a projetos de infraestrutura, com destaque para o apoio ao complexo de energia solar de Pirapora (MG), o maior da América Latina.

Ao final, Marcus mostrou o pipeline de processos de concessão sendo preparados pela Área de Desestatização do BNDES, nos setores de iluminação pública e saneamento. “Os processos de concessão que estão em gestação devem colaborar na retomada dos investimentos de que o país tanto necessita”, afirmou.

Banco dos Brics – a apresentação do executivo Sarquis J.B. Sarquis, do New Development Bank (NDB), encerrou o painel de Infraestrutura. Sarquis apresentou em detalhe a evolução do banco, criado em 2014 por iniciativa dos cinco países-membros do Brics, para, inicialmente, apoiar projetos de investimento nesses países. “O NDB encontra-se no início de sua curva de crescimento, em termos de estrutura, expertise e carteira de projetos”, informou.

De acordo com o executivo, o chamado “banco dos Brics” pretende ampliar sua área de atuação para outros países em desenvolvimento. Ao comentar as parcerias com as instituições de desenvolvimento dos países-membros, Sarquis mostrou grande entusiasmo com perspectivas de fornecer funding ou entrar em arranjos de cofinanciamento com esses bancos.

Cooperação e funding – Durante o evento, grupos técnicos, que contaram com a participação de especialistas do BNDES, debateram diversos assuntos, entre os quais blockchain, inovação, recursos humanos e operações de crédito em moeda local. “Os líderes das delegações, que chamamos de sherpas, também trabalharam em um memorando de entendimento a ser assinado entre os bancos de desenvolvimento”, contou o gerente Gabriel Filártiga, da Diretoria de Investimento do BNDES. Segundo ele, a proposta é criar uma rede de cooperação sobre atração de investimentos privados para infraestrutura.

Leonardo Botelho, chefe de Departamento na Área Financeira do BNDES, moderou o painel de encerramento, sobre estratégias de funding para bancos de desenvolvimento. “Para lidarem com os desafios de investimentos em infraestrutura em seus países, os bancos de desenvolvimento têm cada vez mais recorrido à diversificação de fontes de financiamento”, explicou.

 

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