Governo do Brasil anuncia R$ 150 mi do Fundo Amazônia para apoio à pesquisa nas cadeias da sociobioeconomia amazônica, como açaí, cacau e babaçu
- Iniciativa permite apoio a pelo menos 18 projetos colaborativos e quase 600 bolsas de pesquisa
- Anúncio ocorreu em Iranduba, na Grande Manaus, com a presença do presidente Lula
O Governo do Brasil anunciou, nesta quarta-feira, 27, em Iranduba, Região Metropolitana de Manaus (AM), investimento de R$ 150 milhões do Fundo Amazônia ao programa Desafios da Amazônia para impulsionar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à solução de desafios concretos das cadeias socioprodutivas da Amazônia Legal. O programa será coordenado pela Iniciativa Amazônia+10, do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).
A iniciativa será viabilizada com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O documento de aprovação foi assinado durante a cerimônia de anúncio pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, pela diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Márica Perales, que representou no ato o Confap, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foto: Ricardo Oliveira/BNDES
O programa, implementado também em parceria com a Fundação Arthur Bernardes, prevê o lançamento de até duas chamadas públicas para apoiar pelo menos 18 projetos colaborativos, com investimento médio de R$ 7 milhões por projeto. As iniciativas deverão reunir, no mínimo, duas instituições iecntíficas e tecnológicas (ICTs) e uma organização socioprodutiva (OSP), todas com sede na Amazônia Legal, podendo contar ainda com a participação de ICTs de todo o território nacional.
Em seu primeiro edital, os recursos destinados ao Programa apoiarão o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas às cadeias do açaí, cacau, castanha, babaçu e pescado, com foco na agregação de valor, desenvolvimento sustentável, fortalecimento da bioeconomia e geração de renda para populações amazônicas. O programa também prevê apoio à implementação das soluções nos territórios, fortalecimento institucional e concessão de bolsas de pesquisa, incluindo bolsas comunitárias.
Entre os resultados esperados estão o desenvolvimento de cerca de 36 soluções tecnológicas para gargalos das cadeias produtivas amazônicas, a participação direta de pelo menos 72 instituições científicas e tecnológicas da região e o envolvimento de cerca de 630 pesquisadores da Amazônia Legal.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o papel estratégico da ciência e da inovação para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. “O desenvolvimento da Amazônia passa pela valorização do conhecimento produzido na própria região. Com o apoio do Fundo Amazônia ao Programa Desafios da Amazônia, estamos fortalecendo universidades, institutos de pesquisa e organizações locais para transformar ciência, tecnologia e inovação em soluções concretas para a bioeconomia, geração de renda e preservação da floresta”, afirma.
A diretora-presidente da Fapeam ressaltou que a assinatura do acordo representa um avanço estratégico para a consolidação da Iniciativa Amazônia + 10 e para o fortalecimento das políticas de ciência, tecnologia e inovação voltadas à Amazônia Legal. "A assinatura é um passo importante em direção à consolidação da Iniciativa Amazônia + 10, cujo principal objetivo é fomentar pesquisas no âmbito da Amazônia Legal em parceria com outros estados e países para a busca de respostas às questões vistas como óbices que queremos superar na Amazônia. O Confap agradece aos ministérios envolvidos e reitera o seu compromisso com este que é um dos seus programas mais relevantes no combate às assimetrias regionais", comentou Márcia Perales.
Os projetos devem ser liderados por instituições de ciência e tecnologia da Amazônia Legal, mas podem reunir instituições de pesquisa de todo o Brasil. São elegíveis para compor os projetos universidades públicas e privadas sem fins lucrativos, instituições de pesquisa, institutos federais, em parceria com associações comunitárias e cooperativas.
Sociobioeconomia – Criado em 2008, o Fundo Amazônia financia ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de iniciativas de conservação e uso sustentável da Amazônia Legal. Desde 2023, após quatro anos paralisado, o Fundo Amazônia ampliou o apoio a projetos voltados à bioeconomia, povos indígenas, ciência, inovação, restauração florestal e desenvolvimento sustentável na região amazônica.
Desde 2023, já foram destinados mais de R$ 1,6 bilhão do Fundo a atividades produtivas sustentáveis, com expectativa de beneficiar mais de 100 mil pessoas e apoiar cerca de 300 organizações locais em todos os estados da Amazônia Legal. Em sua trajetória, o instrumento acumula 287 mil pessoas beneficiadas, R$ 364 milhões em receitas geradas e apoio a 600 instituições, consolidando-se como um dos principais mecanismos de financiamento à bioeconomia e à conservação florestal no país.
Em compromisso com a transparência, o site do Fundo Amazônia disponibiliza informações sobre todos os projetos apoiados.
Foto: Getty Images