Restaura Amazônia: BNDES e MMA anunciam cerca de R$ 70 milhões para restaurar áreas protegidas em seis estados

  • Iniciativa selecionou 11 projetos que somam R$ 69,5 milhões para restauração ecológica e fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal

  • Projetos contemplam Unidades de Conservação nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão

  • Restaura Amazônia, conta com recursos do Fundo Amazônia, integra estratégia de transformação do Arco do Desmatamento em Arco da Restauração

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciaram, nesta quarta-feira,11, em Brasília, o resultado do 4º ciclo de editais da iniciativa Restaura Amazônia, que selecionou 11 projetos voltados à restauração ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal na Amazônia Legal.

Ao todo, os projetos selecionados somam R$ 69,5 milhões e devem restaurar 2.877 hectares em Unidades de Conservação prioritárias da região. Esse edital contou com recursos adicionais da Petrobras. As iniciativas serão implementadas nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão.

O anúncio foi realizado em Brasília, durante o Workshop Restauração em Escala – Integração Federativa para a Recuperação da Vegetação Nativa, que reuniu representantes do governo, setor produtivo e organizações da sociedade civil para debater estratégias de ampliação da restauração florestal no país.

“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal. Ao apoiar iniciativas como o Restaura Amazônia, o governo do Brasil, por meio do BNDES, contribui para transformar áreas degradadas em novas florestas produtivas, gerando renda, empregos e soluções climáticas baseadas na natureza”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Foto: Augusto Coelho/CNI

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de mecanismos como o Fundo Amazônia para a criação de um novo ciclo de prosperidade baseado em uma dinâmica econômica que preserve a floresta.

“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação. Quando temos políticas públicas bem desenhadas e com continuidade, conseguimos resultados como transformar o antigo arco do desmatamento no arco da restauração. Municípios que param de desmatar precisam de meios para restaurar e manter suas florestas em pé, gerando emprego e renda. Mas nada disso é possível sem combater o ilegal, porque tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito", afirmou.

Projetos selecionados – O quarto ciclo de editais teve como foco Unidades de Conservação prioritárias e contou com três chamadas públicas, organizadas por IBAM, FBDS e CI-Brasil, em três macrorregiões da Amazônia Legal.

Foram selecionadas iniciativas apresentadas por organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa e cooperativas, a saber: SOS Amazônia, Itaipu Parquetec, Coopfish, Cooperxapuri, Associação Humana Povo para Povo Brasil, Instituto Perene, IPAM, Fundação Rio Verde, WCS, Instituto Socioambiental (ISA) e Instituto Ibramar.

Foto: Augusto Coelho/CNI

Na avaliação do secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, a restauração florestal, alvo da iniciativa do Fundo Amazônia, se tornou um compromisso estratégico do país no cenário internacional e uma agenda transversal dentro do Governo do Brasil.

“O Brasil assumiu, no âmbito do Acordo de Paris e da sua primeira Contribuição Nacionalmente Determinada, o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Essa agenda deixou de ser apenas uma política ambiental e passou a perpassar diversos programas de governo, e estamos avançando muito rapidamente. Temos enorme potencial de regeneração por sermos um país tropical, com elementos vitais para acelerar a restauração. Já contamos com cerca de 3,4 milhões de hectares em processo de restauração, principalmente natural, que precisamos apoiar e garantir que continuem seu processo de recuperação”, disse Capobianco.

Os projetos selecionados atuarão em áreas estratégicas da Amazônia Legal, incluindo a Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), o Parque Nacional Campos Amazônicos e as Florestas Nacionais do Jamari e do Jacundá (RO), a APA Ilha do Bananal/Cantão (TO), a APA Cabeceiras do Rio Cuiabá e a Estação Ecológica do Rio Roosevelt (MT), além da Reserva Biológica do Gurupi, da Reserva Extrativista do Ciriaco e da Terra Indígena Awá (MA), bem como da Reserva Extrativista do Rio Iriri (PA).

Esses territórios são considerados prioritários para a restauração da vegetação nativa e para o fortalecimento de cadeias produtivas da bioeconomia associadas à recuperação florestal na Amazônia.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a iniciativa articula conservação ambiental e desenvolvimento econômico local. “A restauração da vegetação nativa também significa geração de renda, fortalecimento de cadeias produtivas e oportunidades para comunidades que vivem na floresta. O Restaura Amazônia apoia projetos que unem recuperação ambiental e inclusão produtiva”, disse.

A iniciativa Restaura Amazônia é financiada com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, e conta com a parceria do MMA, responsável pela coordenação do Fundo.

Criado em 2023, o Restaura Amazônia tem como objetivo apoiar projetos de reflorestamento com espécies nativas e biodiversidade na Amazônia Legal, especialmente na região conhecida como Arco do Desmatamento, buscando promover sua transformação no chamado Arco da Restauração.

Apoio da Petrobras – A Petrobras vem apoiando iniciativas como o Restaura Amazônia, programa que estimula a utilização de soluções baseadas na natureza. São soluções que promovem a conservação da biodiversidade ao mesmo tempo que promovem transformações sociais positivas nas comunidades envolvidas, com geração de renda e oportunidades de mitigação das mudanças do clima, adaptação e aumento da resiliência climática. Ao lado de ações como descarbonização da produção e novas fontes de energia, esses investimentos socioambientais fazem parte da estratégia da Petrobras no processo de transição energética justa, em linha com os desafios globais de sustentabilidade.

Quatro ciclos de editais – Com o anúncio do quarto ciclo, o Restaura Amazônia consolida um conjunto de 12 chamadas públicas voltadas a diferentes territórios prioritários da Amazônia. Os três primeiros ciclos contemplaram projetos em Unidades de Conservação, assentamentos da reforma agrária e terras indígenas, fortalecendo estratégias de restauração florestal com participação de comunidades locais e organizações socioambientais. Com o 4º ciclo, o Restaura Amazônia alcança 17 Unidades de Conservação, 77 assentamentos, 35 Terras Indígenas por meio do apoio a 58 projetos de restauração ecológica e produtiva no chamado Arco do Desmatamento, onde serão recuperados quase 15 mil hectares pela iniciativa.

As chamadas fazem parte de uma estratégia mais ampla de mobilização de investimentos para restaurar áreas degradadas na Amazônia e desenvolver uma cadeia produtiva estruturada para a recuperação da vegetação nativa.

Foto: Augusto Coelho/CNI

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