Projeto Ecoforte Redes fortalece agroecologia e sociobiodiversidade no Espírito Santo

  • Iniciativa será desenvolvida em oito municípios capixabas — Alto Rio Novo, Águia Branca, Pancas, São Gabriel da Palha, Colatina, Linhares, Santa Teresa e São Roque do Canaã.
  • Projeto, executado pelo Instituto Ipê, estrutura redes locais, integra políticas públicas e impulsiona a agricultura familiar com foco em agroecologia e desenvolvimento sustentável.

 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Fundação Banco do Brasil (FBB) e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) lançaram, nesta quarta-feira, 15, o projeto Ecoforte Redes: Estruturação e Fortalecimento da Rede Capixaba de Agroecologia e Sociobiodiversidade, no município de Águia Branca (ES).

O projeto integra o programa Ecoforte, iniciativa nacional voltada ao fortalecimento de redes da agroecologia, extrativismo e produção orgânica no território de atuação de rede, que abrange a região da Bacia do Rio Doce, e será executado até março de 2028. O investimento total é de R$ 2,39 milhões, mobilizando recursos não reembolsáveis do BNDES e da Fundação Banco do Brasil.

O novo projeto, executado pelo Instituto Ipê, tem como objetivo fortalecer a articulação entre organizações locais, promover a integração de políticas públicas e dar visibilidade às iniciativas desenvolvidas no território, com foco na agricultura familiar, na agroecologia, na educação ambiental e no desenvolvimento sustentável.

A iniciativa será desenvolvida em oito municípios capixabas — Alto Rio Novo, Águia Branca, Pancas, São Gabriel da Palha, Colatina, Linhares, Santa Teresa e São Roque do Canaã — envolvendo diretamente agricultores familiares, mulheres, jovens rurais, assentados da reforma agrária, extrativistas e estudantes de escolas do campo.

Para Ana Costa, superintendente da Área de Desenvolvimento Social e Gestão Pública do BNDES, o projeto Ecoforte Redes reforça o compromisso do Banco com um modelo de desenvolvimento que alia inclusão social, sustentabilidade ambiental e fortalecimento da agricultura familiar. “O Ecoforte é uma política estruturante para a transição agroecológica no país”, afirma. “Ao apoiar redes territoriais organizadas, como a Rede Capixaba de Agroecologia e Sociobiodiversidade, o BNDES contribui para gerar renda, promover a segurança alimentar, reduzir vulnerabilidades climáticas e valorizar o conhecimento dos agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais. São iniciativas que fortalecem os territórios, recuperam ecossistemas estratégicos, como a Bacia do Rio Doce, e constroem soluções concretas para um desenvolvimento mais justo, resiliente e sustentável”.

Para o presidente da FBB, explica André Machado, atuar conjuntamente com parcerias estratégicas fortalece a transição agroecológica e a resiliência climática na Bacia do Rio Doce são fatores importantes para combater os processos de desertificação e dependência de monoculturas convencionais. “Os impactos das mudanças climáticas afetam de forma mais intensa agricultores familiares, especialmente mulheres e jovens, comprometendo a segurança alimentar, a permanência no campo e a sucessão rural”.

Para Vanessa Silveira, coordenadora de projetos do IPÊ, as características do projeto demandam uma ação conjunta. “A região dos Pontões Capixabas tem desafios socioambientais importantes, mas tem uma grande capacidade de superação, por ser um espaço estratégico de articulação institucional e implementação de políticas públicas em escala local e regional, por isso reunir representantes de diferentes esferas de governo, organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e extensão e atores do território, é significativo”, afirma.

Sobre o programa – O Ecoforte é o principal instrumento da política nacional de agroecologia e produção orgânica do governo federal para o apoio à agroecologia e transição de sistemas alimentares.

O programa é apoiado com recursos do BNDES e da FBB e executado pelas instituições cujas propostas foram selecionadas no edital de seleção pública.  O edital habilitou 37 redes, com representantes em todas as regiões do país (cinco na Amazônia Legal, 13 no Nordeste, dez no Sul, oito no Sudeste e uma no Centro-Oeste).

A iniciativa apoia, por meio de investimento social, projetos coletivos organizados em redes territoriais formadas por agricultores familiares, cooperativas, movimentos sociais, povos tradicionais e organizações da sociedade civil.

Entre as ações apoiadas estão: implantação de unidades de referência agroecológica; formação e intercâmbio entre agricultores; fortalecimento de redes de produção e comercialização; manejo sustentável da sociobiodiversidade; ampliação da produção de alimentos saudáveis.

O objetivo é fortalecer a transição agroecológica, promover a resiliência dos ecossistemas e a autonomia econômica das comunidades do campo e a ampliação do acesso da população a alimentos livres de agrotóxicos.

O Ecoforte integra a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e o III Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (III Planapo), focando no fortalecimento de redes, cooperativas e suas organizações de produção orgânica e extrativismo.

Foto: IPÊ/Diuvulgação

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