Programa Ecoforte: BNDES e Fundação BB assinam convênios para fortalecer redes camponesas de agroecologia no RS
- Parcerias com a Cooperbio e o Instituto Cultural Padre Josimo serão apresentadas neste sábado (14) em Seberi, RS
Duas iniciativas voltadas ao fortalecimento da agroecologia e da produção de alimentos saudáveis no Rio Grande do Sul, selecionada no âmbito do Ecoforte Redes, receberão mais de R$ 4 milhões em investimentos do BNDES e da Fundação Banco do Brasil, por meio de convênios assinados no dia 6 de março com organizações da agricultura familiar camponesa de Seberi, no Norte do estado.
Os convênios foram firmados com a Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil (Cooperbio) e com o Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ). As parcerias serão apresentadas ao público no sábado (14), durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio, em Seberi, no norte do Rio Grande do Sul.
A cerimônia contará com a presença do presidente da Fundação Banco do Brasil, André Castelo Branco Machado, q, para oficializar a assinatura dos convênios junto às organizações parceiras. Outras autoridades vinculadas ao Governo Federal também foram convidadas, bem como deputados federais e estaduais, e ainda lideranças locais e regionais.
Alimentação saudável – O convênio firmado com a Cooperbio, presidida por Luiza Pigozzi, prevê investimento de R$ 1,8 milhão no projeto Ecoforte Redes: Estruturação e Fortalecimento da Rede Alimergia. A iniciativa busca ampliar práticas de manejo sustentável da sociobiodiversidade e fortalecer sistemas produtivos orgânicos e agroecológicos na região.
Já o convênio com o Instituto Cultural Padre Josimo, que tem como novo coordenador o frade capuchinho Wilson Zanatta, destinará R$ 2,35 milhões ao projeto Ecoforte Redes – Estruturação e Fortalecimento da Rede Camponesa de Agroecologia (RS). A proposta envolve famílias agricultoras, assentamentos da reforma agrária e comunidades quilombolas, com ações voltadas à produção sustentável, formação técnica e fortalecimento das redes de comercialização solidária.
Os dois projetos fazem parte do Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica (Ecoforte), iniciativa apoiada pelo BNDES e a Fundação Banco do Brasil e e que apoia redes territoriais voltadas à agroecologia e ao manejo sustentável da sociobiodiversidade.
“A agroecologia e a soberania alimentar são pilares estratégicos para o desenvolvimento sustentável, a transição ecológica e o combate à fome”, ponderou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Os convênios que estamos firmando neste sábado destinarão mais de R$ 4 milhões a agricultores familiares, assentamentos de reforma agrária e comunidades quilombolas para produzir mais alimentos saudáveis de forma sustentável”.
O presidente da Fundação BB, André Machado, destaca a importância da parceria com o BNDES no Edital Ecoforte. “Estas duas iniciativas celebradas aqui em terras gaúchas fortalecem redes de agroecologia e produção orgânica, ampliam a oferta de alimentos saudáveis e promovem autonomia para agricultores e comunidades tradicionais”, ressaltou. “Seguimos comprometidos com a transição agroecológica e o desenvolvimento sustentável dos territórios”.
Soberania alimentar – Para as organizações envolvidas, os convênios representam mais do que investimento financeiro: são parte de um processo coletivo de construção de um modelo de desenvolvimento baseado na agroecologia, na cooperação e na autonomia das comunidades do campo.
A organização de redes territoriais de produção e circulação de alimentos saudáveis fortalece a economia local, amplia a renda das famílias agricultoras e contribui para garantir à população acesso a comida de verdade. Iniciativas desse tipo reafirmam o papel estratégico da agricultura familiar e camponesa na garantia da soberania alimentar — princípio que defende o direito dos povos de decidir sobre seus próprios sistemas de produção e consumo de alimentos, respeitando os territórios, os saberes tradicionais e a natureza.
Sementes crioulas – A celebração dos convênios ocorrerá durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio, evento que reúne agricultores, cooperativas, movimentos sociais e organizações populares em defesa da biodiversidade e da agricultura camponesa.
As sementes crioulas, conservadas e multiplicadas pelas famílias agricultoras ao longo de gerações, são consideradas patrimônio dos povos do campo. Elas representam diversidade genética, autonomia produtiva e resistência frente ao avanço do controle corporativo sobre a produção agrícola.
Legado de frei Sérgio – Tanto Wilson Zanatta quanto Luiza Pigozzi destacam a importância do legado de frei Sérgio Görgen para ambos os projetos, que reverberam ideais históricos que o líder religioso e dirigente social sempre teve como pontos centrais de luta.
Conforme destacou Zanatta, seu “irmão de vida e lutas” sempre: “Em meio à crise climática, as iniciativas da agricultura familiar e camponesa constroem caminhos concretos de produção de alimentos saudáveis, preservação da biodiversidade e fortalecimento da soberania alimentar”.
“Os projetos fortalecem redes camponesas, ampliam a produção agroecológica e dão continuidade ao legado de organização popular construído por frei Sérgio a partir do Rio Grande do Sul e que se disseminam por todo o país”, afirma Pigozzi.
Frei Sérgio Görgen foi um frade franciscano da Ordem Menor, militante histórico da luta pela reforma agrária e uma das principais referências da agroecologia e da organização camponesa no Brasil. Ao longo de décadas, atuou junto a movimentos populares do campo, defendendo a soberania alimentar, a preservação da biodiversidade e a construção de alternativas ao modelo concentrador da agricultura de monocultivo.
Para integrantes da rede de agroecologia, a implementação do projeto também representa a continuidade de um processo coletivo que frei Sérgio ajudou a construir ao longo de sua trajetória. “Sem a terra, sem o camponês e sem a agroecologia não existe soberania alimentar: o futuro da alimentação do povo brasileiro nasce nas mãos de quem cultiva a terra”, costumava dizer o frade.
Sobre o programa – O Ecoforte é o principal instrumento da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica do governo federal para o apoio à agroecologia e transição de sistemas alimentares.
O programa é apoiado com recursos do BNDES e da Fundação Banco do Brasil e executado pelas instituições cujas propostas foram selecionadas no edital de seleção pública. O Ecoforte integra a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e os Planos Nacionais de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), focando no fortalecimento de redes, cooperativas e organizações de produção orgânica e extrativismo.
A iniciativa apoia, por meio de investimento social, projetos coletivos organizados em redes territoriais formadas por agricultores familiares, cooperativas, movimentos sociais, povos tradicionais e organizações da sociedade civil.
Entre as ações apoiadas estão: implantação de unidades de referência agroecológica; formação e intercâmbio entre agricultores; fortalecimento de redes de produção e comercialização; manejo sustentável da sociobiodiversidade; ampliação da produção de alimentos saudáveis.
O objetivo é fortalecer a transição agroecológica, a autonomia econômica das comunidades do campo e a ampliação do acesso da população a alimentos livres de agrotóxicos.
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SERVIÇO 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio Data: 14 de março de 2026 (sábado) Local: Cooperbio – Seberi (RS) Atividades: troca e preservação de sementes crioulas; feira da economia solidária; debates sobre agroecologia e soberania alimentar; solenização dos convênios do Programa ECOFORTE com a Fundação Banco do Brasil e Fundo Socioambiental do BNDES. O encontro reúne agricultores, cooperativas, movimentos sociais e organizações populares em defesa da biodiversidade, da agroecologia e da produção de alimentos saudáveis. Mais informações: (55) 99938-7833 |
Foto: Marcos Antônio Corbari/MPA Brasil