Fundo Amazônia apoia regularização fundiária em 85 municípios do Maranhão com R$ 52,9 milhões
- Contrato com o Iterma fortalece o programa Paz no Campo e amplia a segurança jurídica para agricultores familiares e comunidades quilombolas
- Iniciativa beneficiará cerca de 40 mil pessoas e reforça o ordenamento territorial em 44% do território maranhense
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Maranhão, por meio do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), anunciaram apoio do Fundo Amazônia ao projeto Paz no Campo, iniciativa que vai fortalecer a regularização fundiária em 85 municípios da Amazônia Legal no estado, incluindo a capital São Luís. O investimento é de R$ 52,9 milhões, com execução prevista para 36 meses. O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES sob coordenação do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
A iniciativa abrange uma área equivalente a cerca de 44% do território maranhense e tem como objetivo ampliar o ordenamento territorial, garantir segurança jurídica no acesso à terra e promover o desenvolvimento rural sustentável. O projeto beneficiará diretamente agricultores familiares e comunidades quilombolas, além de fortalecer a capacidade institucional do Iterma para atuar na gestão fundiária em todo o estado.
A expectativa é que a iniciativa permita a regularização de 13.250 pequenos imóveis da agricultura familiar e de 20 territórios quilombolas, beneficiando diretamente 39.750 pessoas. Ao assegurar a titulação de propriedades e territórios coletivos, o projeto amplia o acesso das famílias rurais a crédito, assistência técnica e políticas públicas, além de contribuir para reduzir conflitos fundiários e fortalecer a governança territorial.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a regularização fundiária é um passo essencial para conciliar desenvolvimento rural e preservação ambiental na Amazônia. “A segurança jurídica no campo é um instrumento fundamental para promover desenvolvimento com inclusão social e sustentabilidade. Ao apoiar o programa Paz no Campo, o Fundo Amazônia contribui para garantir direitos a agricultores familiares e comunidades quilombolas, fortalecer o ordenamento territorial e criar condições para uma produção rural sustentável no Maranhão”, afirmou.
O projeto prevê um conjunto de ações voltadas à estruturação da política fundiária no estado. Entre elas estão o georreferenciamento de imóveis rurais e territórios coletivos, o assessoramento técnico para titulação fundiária, a capacitação de agentes públicos e de agricultores familiares e o fortalecimento da infraestrutura do Iterma, com aquisição de equipamentos e modernização de sistemas. Também estão previstas melhorias no Sistema de Cadastramento e Regularização Fundiária (Sicarf), ampliando a capacidade de gestão e monitoramento do órgão estadual de terras.
“Essa é uma iniciativa que chega na ponta, garantindo regularização fundiária e o direito à terra para quem mais precisa”, ressaltou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.” Estamos falando de quase 40 mil pessoas, entre agricultores familiares e comunidades quilombolas, que passam a ter segurança jurídica sobre seus territórios e acesso a políticas públicas, crédito e assistência técnica. O Fundo Amazônia é essencial para viabilizar esse tipo de transformação, avançando no ordenamento do território, reduzindo conflitos e enfrentando as causas do desmatamento, ao mesmo tempo em que promove inclusão social e oportunidades de geração de renda”.
Segundo a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a iniciativa reforça o papel do Fundo Amazônia no fortalecimento de políticas públicas estruturantes na região. “A regularização fundiária é uma ferramenta estratégica para reduzir conflitos no campo, ampliar a proteção ambiental e garantir direitos a populações tradicionais. Com esse apoio ao Maranhão, o Fundo Amazônia contribui para consolidar políticas públicas que promovem inclusão produtiva, segurança jurídica e desenvolvimento sustentável na Amazônia”, destacou.
As ações também incluem capacitações voltadas à regularização fundiária para servidores públicos e treinamentos para famílias rurais em temas como prevenção e combate a queimadas, bioeconomia e monitoramento ambiental. Além disso, o projeto prevê a aquisição de equipamentos como veículos, drones e dispositivos tecnológicos para apoiar o trabalho de campo e ampliar a capacidade operacional do Iterma.
Fundo Amazônia já aprovou mais de R$ 180 milhões para projetos de conservação e desenvolvimento sustentável no Maranhão
O Fundo Amazônia já aprovou R$ 182 milhões em projetos com atuação exclusiva no Maranhão, ampliando o alcance das políticas de conservação e desenvolvimento sustentável na região da Amazônia Legal. As iniciativas beneficiam agricultores familiares, povos indígenas, comunidades quilombolas e organizações agroextrativistas, além de fortalecer a atuação de órgãos públicos responsáveis pela gestão territorial e pela proteção ambiental. O Fundo Amazônia é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O Fundo apoia iniciativas como reflorestamento, combate a incêndios, proteção de territórios indígenas, ordenamento territorial e fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade, como a do babaçu. Quando considerado os projetos aprovados com atuação expressiva (mas não exclusiva) no estado, o apoio do Fundo soma R$ 293 milhões, entre 2023 e 2026. Desde 2012, foram 11 projetos apoiados com atuação no território maranhense, sendo três deles executados exclusivamente no estado. Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os investimentos reforçam o papel estratégico do Maranhão na agenda de proteção da Amazônia e de desenvolvimento sustentável. “Os investimentos do Fundo Amazônia no Maranhão mostram como é possível conciliar preservação ambiental com inclusão social e geração de oportunidades econômicas. Ao apoiar projetos de regularização fundiária, combate a incêndios, fortalecimento da bioeconomia e proteção de territórios tradicionais, estamos contribuindo para uma Amazônia mais protegida e para melhorar a qualidade de vida das populações que vivem na região”, afirmou o presidente do BNDES. Entre as iniciativas apoiadas está o projeto Amazônia Protegida, que fortalece a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão para prevenir e combater incêndios florestais e queimadas ilegais. A iniciativa integra uma ação mais ampla do Fundo Amazônia voltada aos Corpos de Bombeiros Militares dos estados da Amazônia Legal, para a qual foi disponibilizado até R$ 45 milhões para cada um dos nove estados da região, destinados a projetos de combate e prevenção de incêndios e queimadas. No Maranhão, o apoio aos Corpos de Bombeiros já resultou na entrega de 6 veículos, na aquisição de 250 equipamentos de uso pessoal, na capacitação de 800 bombeiros e brigadistas e na estruturação de 2 bases ou unidades operacionais, contribuindo para o fortalecimento da capacidade de resposta e prevenção a incêndios no estado. Outro destaque é o Projeto Território e Saúde: Olhares e Estratégias Guarani e Timbira, executado pelo Centro de Trabalho Indigenista, que implementa ações de saúde e proteção territorial em terras indígenas dos povos Timbira no Maranhão e no Tocantins, contribuindo para o enfrentamento das pressões ambientais e para a proteção desses territórios. O Fundo também apoia iniciativas voltadas ao fortalecimento da sociobiodiversidade e do extrativismo. O Projeto Floresta de Babaçu em Pé apoia projetos socioambientais de organizações agroextrativistas nos estados do Maranhão, Tocantins e Pará e já beneficiou 23 organizações no Maranhão, fortalecendo a cadeia produtiva do babaçu e ampliando a geração de renda para comunidades extrativistas. Já o Projeto Babaçu Livre promove a consolidação da cadeia de valor do babaçu, com ações de fortalecimento institucional, investimentos em unidades produtivas, implantação de sistemas agroflorestais para recomposição de áreas degradadas e elaboração de planos de manejo sustentável. “O balanço do Fundo Amazônia no Maranhão mostra como é possível articular preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e inclusão social. Os projetos apoiados fortalecem comunidades tradicionais, agricultores familiares e povos indígenas, ao mesmo tempo em que ampliam a capacidade do Estado de proteger o território, combater incêndios e organizar o uso da terra”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. Restaura Amazônia – Realizado em parceria com MMA, a iniciativa Restaura Amazônia prevê a restauração de 15 mil hectares de vegetação nativa na Amazônia Legal. Para a macrorregião que contempla Pará e Maranhão, estão destinados R$ 150 milhões, implementados por meio de editais voltados a Unidades de Conservação, Assentamentos da Reforma Agrária e Territórios Indígenas. No território maranhense, foram selecionados seis projetos — quatro em Unidades de Conservação e dois em assentamentos da reforma agrária — totalizando cerca de R$ 52 milhões em investimentos, além de um projeto em Terra Indígena, que abrange Maranhão e Pará, com valor aproximado de R$ 7 milhões. Amazônia na Escola – Outra iniciativa estratégica que amplia a atuação do Fundo Amazônia no Maranhão é o Amazônia na Escola, realizado em parceria com os ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), além do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A iniciativa apoia a produção sustentável da agricultura familiar e sua integração à alimentação escolar. O estado também participa do edital indígena Dabucury, realizado pela CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) e pela COIAB (Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), que já apoiou três instituições indígenas na primeira fase e selecionou outras três na segunda etapa, em fase de contratação. Plano Amazônia – Segurança e Soberania – O Fundo Amazônia também financia ações integradas de segurança ambiental e fortalecimento da presença do Estado na Amazônia Legal. Entre elas está o Plano Amazônia – Segurança e Soberania (AMAS), executado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com investimento de R$ 318,5 milhões para reforçar ações de inteligência e fiscalização contra crimes ambientais. No Maranhão, o projeto prevê a implantação de uma unidade operacional da Polícia Rodoviária Federal em Presidente Dutra. Também integra essa agenda o programa Florestas e Comunidades – Amazônia Viva, executado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com R$ 96 milhões em investimentos para fortalecer organizações produtivas de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares da Amazônia. No Maranhão, o edital prevê a destinação de R$ 6 milhões para projetos no estado, voltados à ampliação do acesso a mercados e ao fornecimento para programas públicos como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Projetos exclusivos do Maranhão – Entre as iniciativas com atuação exclusiva no estado do Maranhão estão os projetos voltados ao ordenamento territorial e à produção sustentável. Entre eles está o Mais Sustentabilidade no Campo, que apoia a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que apoiou a inscrição de mais de 80 mil pequenos imóveis rurais familiares no estado. Outro exemplo é o APL Babaçu, que apoia o manejo sustentável de babaçuais e a recuperação de áreas degradadas por meio de sistemas agroflorestais, contribuindo para o aumento das receitas das famílias a partir de produtos derivados do babaçu e para o fortalecimento das associações locais. *Em valores já corrigidos pela inflação |
Agentes do Iterma e da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar participam de mobilização para titulação de terras em comunidade quilombola no interior do Maranhão
Foto: SAF/Iterma