Em congresso sobre Crédito de Carbono, presidente do BNDES destaca protagonismo da instituição
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano registrou o papel do BNDES no desenvolvimento de um mercado de crédito de carbono no país durante o Cong...
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano registrou o papel do BNDES no desenvolvimento de um mercado de crédito de carbono no país durante o Congresso Mercado Global de Carbono – Descarbonização & Investimentos Verdes, realizado na semana passada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Montezano participou como palestrante do painel “Crédito de carbono floresta nativa” na sexta-feira (20).
“Por que o BNDES está tão engajado nessa agenda? Porque essa é uma vantagem competitiva para a economia. A sustentabilidade climática faz com que o custo Brasil passe a ser um bônus Brasil. Quando se pensava em processos produtivos e precificação de bens, produtos e serviços não se considerava o carbono como um ativo climático. Mas agora a descarbonização passa a entrar na equação das empresas” explicou Montezano. “Nosso país lidera hoje a corrida tecnológica de como constituir mercados de carbono. Cabe agora ao setor privado criar e desenvolver em cima dos direcionamentos que o país quer andar. Para as multinacionais que estão no Brasil, a oportunidade de fazer com a reserva de carbono é gigante A gente só faz isso com setores público e privado integrados”, acrescentou.
MMA - Ministério Meio Ambiente
Gustavo Montezano explicou também quais ações o BNDES realiza para a consolidação de uma economia sustentável e calcada nos ativos verdes. “Nossa carteira de projetos de concessão de parques possui mais de 50 ativos, com uma extensão de 13 milhões de hectares. A gente colocou de pé, pela primeira vez na história do Banco, uma linha de financiamento a concessões ambientais. E também lançamos o programa Floresta Viva, que é uma doação das empresas em prol do meio ambiente que ainda possibilita retorno em créditos de carbono para as corporações. Fechamos também uma parceria estudos da primeira concessão de ativos florestais de carbono nativo em unidades de conservação federais. E a reunião de todas estas iniciativas fará que o Brasil seja o maior ofertante de carbono floresta nativo de preservação do planeta”.
Além do presidente do BNDES, participaram do painel a secretária da Amazônia e serviços ambientais do Ministério do Meio Ambiente, Marta Giannichi, o diretor de relacionamento e sustentabilidade da Petrobras, Rafael Chaves, o vice-presidente de governança e sustentabilidade do Banco do Brasil, Antonio Barreto de Araújo, além do gerente-geral da agência ambiental Permian Global, Edward Rumsey.
“Uma floresta preservada é uma sinalização positiva ao mercado, e traz mais oportunidades de negócios do que o desmatamento”, enfatizou Marta. Corroborando a visão do Ministério do Meio Ambiente, Rafael Chaves falou sobre a os projetos desenvolvidos pela Petrobras voltados à preservação hídrica, à conscientização das novas gerações e ao aproveitamento econômico sustentável por parte das comunidades da Amazônia.
Durante o painel, Antonio Barreto de Araújo (Banco do Brasil) e Edward Rumsey (Permian Global) dialogaram a respeito da necessária parceria entre políticas públicas de regulação do mercado de carbono e a participação ativa das grandes corporações do setor privado para a estruturação de um mercado robusto para a descarbonização.
“O Banco do Brasil é um dos bancos mais sustentáveis do mundo. A gente também tem a clareza que a floresta em pé é fundamental. Dessa forma, estamos caminhando juntos para regularmos esse mercado de carbono. Por que vocês de fora não podem participar e comprar nossos ativos?”, perguntou Araújo ao executivo da Permian.
“O Brasil hoje, de fato, está na vanguarda tecnológica da indústria de crédito carbono. O governo deve estabelecer metas de redução no desmatamento, mas não necessariamente precisa ser o responsável pela solução do problema. Nós tomamos uma posição de delegar também ao setor privado este desafio, e o mercado entendeu ser essa uma decisão correta. Podemos nós também ajudar o Brasil a preservar a Amazônia, por exemplo. Auxiliar o país a atingir suas metas de redução junto a ONU”, respondeu Edward Rumsey.
Sobre o evento - O Congresso Mercado Global de Carbono – Descarbonização & Investimentos Verdes, realizado na semana passado no Jardim Botânico, teve como foco o debate sobre sustentabilidade econômica. Durante os três dias de evento, houve apresentações sobre estratégias corporativas com foco ambiental, projetos de sucesso inovadores em negócios verdes, além da discussão sobre o desenvolvimento de um mercado de crédito de carbono no Brasil.
Um dos propósitos do evento foi reunir lideranças de diferentes segmentos e públicos brasileiros em torno do tema Mercado de Crédito de Carbono Brasileiro e Global. Participaram do evento o Ministro do Meio Ambiente, Ministros do TCU e da AGU, representante do Banco Mundial, os presidentes da Petrobrás, do Banco do Brasil, Banco Central, além de altos executivos de empresas como Shell, Votorantim, Coca-Cola, Carrefour, Transpetro, Arcelor-Mital Brasil, entre outros.
O debate sobre ações por uma economia de baixo carbono se intensificou após a COP26, realizada em novembro de 2021, em Glasgow, na Escócia. Com os acordos multilaterais relacionados ao meio ambiente e às questões climáticas e a regulamentação do Acordo de Paris, o setor produtivo ganha relevância na transição energética e nas oportunidades verdes. Além disso, houve o crescimento exponencial do mercado mundial de carbono nos últimos anos, especialmente o voluntário, em que empresas e pessoas físicas podem adquirir créditos para compensar suas emissões.
Foto: Agência BNDES