BNDES lança chamada pública para fortalecer bacias hidrográficas e combater escassez de água em Fortaleza

  • Serão apoiados projetos de restauração ambiental e soluções urbanas para enfrentar escassez de água na capital cearense
  • Iniciativa prevê também ações em áreas públicas em zonas urbanas que fortaleçam a segurança hídrica, como recuperação de nascentes, jardins de chuva, parques lineares e infraestrutura verde

 

Fortaleza é uma das cidades onde a nova chamada pública do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai apoiar diretamente projetos voltados à segurança hídrica e à adaptação às mudanças climáticas. A iniciativa, lançada nesta quinta-feira, 11, também contempla regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, além de capitais como Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco, e áreas que impactam os mananciais responsáveis pelo abastecimento desses centros urbanos.

Batizada de “BNDES Territórios da Restauração - Bacias Resilientes”, a chamada poderá mobilizar até R$ 120 milhões para financiar projetos de recuperação ambiental e implantação de soluções baseadas na natureza. O foco é enfrentar um cenário preocupante: segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o Brasil pode ter redução de até 40% na disponibilidade hídrica em várias regiões, incluindo o Nordeste.

Na prática, os projetos deverão contribuir para melhorar a qualidade e a quantidade de água disponível em cidades como Fortaleza, que historicamente enfrenta desafios relacionados à irregularidade das chuvas, à pressão sobre reservatórios e ao crescimento urbano acelerado.

"Apesar de termos a maior oferta de água doce do planeta, estamos destruindo um elemento que é essencial à vida, que é a água pura, a água com qualidade. Com a redução de até 40% da disponibilidade hídrica em várias regiões do país, preparar nossas cidades para esse cenário é uma urgência. Ao restaurar nascentes, matas ciliares e bacias hidrográficas que abastecem as grandes metrópoles, estamos investindo em resiliência e adaptação climática e garantindo segurança hídrica para milhões de brasileiros. Essa é a orientação do governo do presidente Lula: enfrentar a mudança do clima protegendo quem mais precisa", disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Foco em soluções urbanas e recuperação ambiental - Entre as ações previstas estão a recuperação de nascentes, margens de rios e áreas degradadas, além da implantação de estruturas urbanas que ajudem a reter e infiltrar água no solo. É o caso de jardins de chuva, parques lineares, biovalas e outras formas de infraestrutura verde.

Essas iniciativas têm potencial de beneficiar diretamente áreas urbanas da capital cearense, especialmente regiões sujeitas a alagamentos, erosão ou déficit hídrico. Também estão previstas tecnologias sociais voltadas ao uso sustentável da água, como sistemas de captação e reuso.

Os projetos selecionados deverão ter valores entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, com execução em até quatro anos. As propostas precisam obrigatoriamente incluir ações de restauração com vegetação nativa, contribuindo para a recuperação de ecossistemas e melhoria dos mananciais.

Impactos para Fortaleza e região metropolitana - A inclusão de Fortaleza na chamada indica o reconhecimento da importância estratégica das bacias hidrográficas que abastecem a capital e sua região metropolitana, onde vivem milhões de pessoas e a demanda por água cresce continuamente.

Entre os desafios locais estão a preservação de açudes e rios que compõem o sistema hídrico, além da proteção de áreas verdes urbanas que ajudam na recarga de aquíferos e no equilíbrio ambiental.

Os projetos poderão ser implementados tanto em áreas urbanas quanto em regiões que influenciam o abastecimento da cidade, incluindo unidades de conservação, territórios tradicionais e propriedades rurais de pequeno porte.

Quem pode participar - A chamada é voltada para instituições públicas e organizações privadas sem fins lucrativos, que podem apresentar propostas individualmente ou em parceria. Entre os critérios de seleção estão o impacto ambiental, a capacidade técnica e o potencial de melhoria na qualidade da água e redução de emissões.

O prazo para envio das propostas será de 90 dias, e a seleção contará com participação do BNDES, Ministério do Meio Ambiente, Ibama e ICMBio.

 

Foto: Jade Queiroz - MTUR

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