BNDES e Governo de Sergipe anunciam Floresta Viva com até R$ 100 milhões para restauração ecológica no estado

  • Iniciativa chega ao sertão, ao agreste e ao litoral para recuperar áreas degradadas e fortalecer a produção na caatinga, nos manguezais e restingas
  • Projetos devem ampliar a oferta de água, gerar renda e impulsionar a agricultura familiar e a bioeconomia local

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo de Sergipe anunciaram nesta segunda-feira, 27, o lançamento da iniciativa Floresta Viva no estado, com potencial de mobilizar até R$ 100 milhões para projetos de restauração ecológica. O anúncio marcou o início de uma nova frente de investimentos voltada à recuperação de áreas degradadas, à captura de carbono e à geração de emprego e renda, com impacto direto em regiões do sertão e do agreste, onde os efeitos da seca e da degradação do solo são mais intensos.

A iniciativa é resultado de protocolo de intenções firmado entre o BNDES e o governo estadual, por meio da Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), responsável por estruturar e apoiar projetos estratégicos no estado, que prevê a destinação de até R$ 50 milhões por parte do Banco e igual valor por Sergipe, em modelo de cofinanciamento que viabilizará editais de apoio a projetos ao longo dos próximos anos. O objetivo é fomentar projetos de restauração com espécies nativas e sistemas agroflorestais na Caatinga e na Mata Atlântica, priorizando territórios estratégicos para a recuperação ambiental e produtiva, a conservação dos ecossistemas e o fortalecimento da economia local.

Em Sergipe, a iniciativa chega em um contexto de desafios estruturais ligados à disponibilidade de água, à degradação dos solos e à vulnerabilidade da produção rural. Os projetos apoiados pelo Floresta Viva devem contribuir para recuperar áreas improdutivas, proteger nascentes, melhorar a infiltração de água no solo e reduzir processos erosivos, fatores decisivos para aumentar a resiliência da agricultura no semiárido e da pesca e do extrativismo nas restingas e manguezais.

Assim, além dos ganhos ambientais, o programa tem potencial de gerar empregos locais, dinamizar cadeias produtivas ligadas à bioeconomia e ampliar a renda de agricultores familiares, extrativistas, assentados e comunidades tradicionais. A adoção de sistemas agroflorestais, por exemplo, permite combinar produção agrícola com recuperação ambiental, criando alternativas mais sustentáveis e estáveis de geração de renda no campo. Os manguezais e as restingas têm alta capacidade de absorção de carbono e são fundamentais para a conservação da biodiversidade. Os manguezais funcionam como berçários naturais, enquanto as restingas protegem a linha de costa, os recursos hídricos e os solos. Além disso, esses ecossistemas são estratégicos para a segurança alimentar e a geração de renda de marisqueiras, pescadores e extrativistas.

O Floresta Viva é uma iniciativa do BNDES que, por meio de parcerias, amplia o financiamento à restauração ecológica em diferentes biomas brasileiros. Os projetos apoiados contribuem para a recuperação da cobertura vegetal, a preservação dos recursos hídricos, a redução de processos erosivos e a melhoria do microclima, além de fortalecer cadeias produtivas locais ligadas à bioeconomia e criar oportunidades de trabalho no campo, nos manguezais e restingas.

Desde sua criação, a iniciativa já mobilizou quase R$ 470 milhões em recursos públicos e privados para 115 projetos em todo o país, com previsão de restaurar cerca de 15 mil hectares. A nova fase do programa deve ampliar ainda mais essa escala, com expectativa de mobilizar cerca de R$ 250 milhões adicionais.
“Estamos transformando a restauração florestal em uma agenda econômica estruturante para o país, em linha com as diretrizes do governo do presidente Lula”, salientou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Ao levar R$ 100 milhões do Floresta Viva para Sergipe, o BNDES amplia oportunidades de geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável a partir da recuperação de áreas degradadas”.

Foto: Arthur D'Ávila/BNDES

 

Para a diretora Socioambiental do Banco, Tereza Campello, a iniciativa reforça o papel da restauração como vetor de desenvolvimento. “Queremos restaurar a Caatinga, a Mata Atlântica, a restinga, os manguezais e, com isso, a gente vai ao mesmo tempo capturar carbono, gerar emprego e renda, porque para restaurar, você vai ter que fazer viveiro, vai ter que contratar mão de obra, vai ter que qualificar a mão de obra”, observou.

Para o presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, a iniciativa representa um avanço estratégico para o estado. “A chegada do Floresta Viva a Sergipe representa um passo decisivo para conectar desenvolvimento econômico e sustentabilidade de forma concreta”, afirmou. “A Desenvolve-SE atua justamente na estruturação de iniciativas que gerem impacto real no território, e esse programa cria condições para transformar recuperação ambiental em oportunidade de negócio, renda e inclusão produtiva. Estamos falando de fortalecer cadeias da bioeconomia, ampliar a resiliência do campo e posicionar Sergipe de forma competitiva em uma agenda que é global”.

FBDS – A Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), parceira gestora selecionada para a nova fase do Floresta Viva, vem atuando, nos últimos anos, em iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável do bioma Caatinga, entre elas o mapeamento do uso do solo e da hidrografia da região, o Projeto Rural Sustentável Caatinga e, em breve, o projeto Sertão+Produtivo, em nova parceria com o BNDES. Para a fundação, é motivo de orgulho participar desta iniciativa de restauração em um bioma tão rico, estratégico e exclusivamente brasileiro, e contribuir para a recuperação ambiental, o fortalecimento das atividades produtivas e a valorização dos territórios e das comunidades locais.

Foto: Governo de Sergipe

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