BNDES e Aegea investem R$ 40 mi para levar saneamento e água potável a 320 escolas do Marajó (PA)

  • Com R$ 20 milhões em recursos não reembolsáveis do BNDES Fundo Socioambiental, iniciativa abrange esgotamento e instalações sanitárias, coleta e tratamento de resíduos sólidos
  • “Projeto Saneamento nas Escolas – Marajó” busca reduzir o déficit de saneamento básico em escolas de 16 municípios da região do Marajó

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Instituto Aegea assinaram, nesta quarta-feira, 4/3, um acordo de R$ 40 milhões para levar saneamento básico e água potável a 320 escolas nos 16 municípios da região do Marajó, no Pará. Metade desses recursos são do BNDES Fundo Socioambiental, criado para promover a inclusão social, priorizando projetos que melhorem as condições de vida das populações de baixa renda.

Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a iniciativa mostra como o Banco pode mobilizar recursos e parcerias para melhorar a vida das comunidades. “Estamos chegando às pequenas escolas rurais da Ilha do Marajó com recursos para garantir algo básico: água e saneamento. Quando asseguramos essas condições, começamos a transformar a vida das crianças e de todo o território ao redor. Com essa parceria, praticamente vamos universalizar o acesso à água nas escolas com até 50 alunos na ilha, um passo importante para reduzir desigualdades históricas.”

Diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos

Foto: Marcelo Martins/BNDES

As iniciativas do projeto “Saneamento nas Escolas – Marajó” abrangem o abastecimento de água, esgotamento sanitário, instalações hidrossanitárias, drenagem, coleta e tratamento de resíduos sólidos. A iniciativa enfrenta o déficit de saneamento básico em escolas municipais do Marajó, PA. Quase 94% das escolas públicas a serem atendidas não têm acesso ao abastecimento público de água, quase 60% estão sem tratamento de esgoto adequado, 37,4% não têm banheiro, 89,4% não dispõem de coleta de lixo e 45,7% não têm energia elétrica, segundo dados da Habitat para a Humanidade Brasil, instituição responsável pelo projeto e pelo diagnóstico das condições da infraestrutura escolar nos municípios da região.

A ampliação do acesso à água potável, instalações sanitárias adequadas e manejo seguro de resíduos sólidos e líquidos reduz significativamente a incidência de doenças como diarreia, hepatites e infecções parasitárias. Além disso, ambientes escolares saudáveis diminuem faltas por motivo de doença, aumentam o bem-estar e reduzem a sobrecarga dos serviços de saúde locais.

Além disso, o projeto apoiado pelo BNDES também enfrenta a insegurança menstrual, uma das principais causas de ausências escolares entre meninas adolescentes, e promove a equidade de gênero. Na prática, instalações sanitárias precárias e distantes favorecem situações de vulnerabilidade, especialmente contra meninas. Banheiros seguros, bem iluminados, próximos às salas de aula reduzem o risco de violência e criam um ambiente mais acolhedor e digno.

“Levar saneamento básico a escolas municipais do Marajó é promover uma condição básica para o processo de ensino e aprendizagem, com qualidade e equidade, reduzindo a evasão escolar, em uma das regiões com maior vulnerabilidade social do país. Essa é uma iniciativa fundamental para o processo educacional como um todo, mas não só isso. Esse apoio contribui diretamente para a melhoria das condições de vida de alunos, professores e profissionais das escolas públicas, ao proporcionar ambientes mais seguros, saudáveis e dignos”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dessa forma, os objetivos do projeto estão diretamente alinhados à estratégia do BNDES de ampliar o apoio a projetos de desenvolvimento social e regional, buscando expandir o acesso a serviços públicos de qualidade, reduzir as desigualdades e promover cidadania.

"Ao levar infraestrutura de água, esgoto, banheiro para essas escolas, temos a certeza de que a gente vai ajudar também a comunidade a se organizar para buscar soluções para outros problemas típicos da região e trazer outros ganhos, porque são regiões muito carentes, muito distantes", disse o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos.

O Marajó é o maior arquipélago fluviomarinho do mundo, no entanto, a região sofre com a falta de acesso ao saneamento básico, especialmente nas escolas, conforme aponta a Habitat para a Humanidade Brasil. De acordo com a organização, a falta de infraestrutura adequada de abastecimento de água, esgotamento sanitário e tratamento de resíduos sólidos compromete a saúde e a segurança dos estudantes e profissionais, impactando negativamente o processo educativo.

Além da a Fundação Habitat para a Humanidade, a realização do projeto também conta com parceiros como Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), da Cáritas Brasileira Regional Norte II, da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu) e da Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (Fase).

Foto: Agência Brasil/EBC

Baixar Imagens