BNDES lança chamada Cerrado +Cooperativo, com R$ 50 mi para fortalecer agricultores familiares
- Iniciativa inédita fortalece a agricultura familiar, ampliando a produção de alimentos saudáveis, a geração de renda e a adoção de práticas sustentáveis
- Em parceria com Embrapa, Anater e MGI, Banco participa do lançamento do programa do MDA, Minha Ater Digital, para promover a transformação digital da agricultura familiar
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta quinta-feira, 23, durante a Feira Brasil na Mesa, em Planaltina (DF), a chamada de projetos Cerrado +Cooperativo, voltada ao fortalecimento de cooperativas e associações da agricultura familiar que atuam no bioma Cerrado.
Participaram do evento o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta da Embrapa, Silvia Massruhá; o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; e os ministros André de Paula (Agricultura e Pecuária), Lázaro Medeiros (Pesca e Aquicultura), Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) e a diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho.
Inédita no formato e foco de apoio, a iniciativa Cerrado +Cooperativo dispõe de R$ 50 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental do BNDES, para ampliar a produção de alimentos saudáveis, a geração de renda e a adoção de práticas sustentáveis por meio do apoio a empreendimentos coletivos da agricultura familiar.
A chamada é destinada a instituições sem fins lucrativos, incluindo cooperativas e associações da agricultura familiar, com atuação exclusiva no bioma Cerrado. Cada proposta deve ter valor mínimo de R$ 5 milhões e, obrigatoriamente, contemplar ações de beneficiamento e comercialização da produção de alimentos.
A diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, destacou que a iniciativa Cerrado +Cooperativo representa um avanço importante no apoio ao desenvolvimento sustentável do bioma. Segundo ela, o programa conta com recursos do Fundo Socioambiental do Banco e foi estruturado para fortalecer a organização produtiva local.
“A proposta é apoiar associações, cooperativas, agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais do Cerrado, criando condições para que se organizem melhor, desenvolvam seus produtos e ampliem o acesso ao mercado”, afirmou. Para a diretora, o fortalecimento dessas cadeias produtivas alia inclusão produtiva, geração de renda e conservação ambiental.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Entre os eixos apoiados estão práticas agroecológicas, manejo sustentável do solo e da água, fortalecimento da gestão dos empreendimentos coletivos, implantação ou ampliação de agroindústrias, acesso a mercados institucionais – como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) – e canais privados de comercialização.
A chamada também prioriza a inclusão produtiva de mulheres, jovens, extrativistas e povos e comunidades tradicionais, além de ações que contribuam para a adaptação da agricultura familiar às mudanças climáticas e para a conservação do Cerrado.
Na sexta-feira, 24, o BNDES realiza uma oficina técnica para apresentar em detalhes a chamada Cerrado +Cooperativo e esclarecer dúvidas de potenciais proponentes sobre critérios, prioridades e condições de apoio.
Serão realizadas ainda oficinas virtuais para apresentar a chamada pública a serem divulgadas no portal do BNDES na Internet (www.bndes.gov.br/cerradocooperativo). As inscrições do primeiro ciclo estão abertas até 31 de julho de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a diversificação da produção como estratégia fundamental para gerar empregos, ampliar oportunidades e aumentar a escala produtiva. Segundo ele, esse processo fortalece a pesquisa, eleva a qualidade dos produtos e amplia a competitividade do país.
“Não basta produzir para ganhar mercado; é preciso produzir com excelência de qualidade”, afirmou o presidente, destacando que a competição internacional exige padrões elevados. Para Lula, produzir apenas para consumo local não é suficiente quando o objetivo é disputar mercados globais cada vez mais sofisticados.
Ele ressaltou que o Ministério e a Embrapa devem ter atenção permanente à qualidade e à sofisticação dos produtos. “Quanto mais sofisticados formos, mais mercados conquistaremos”, disse, lembrando que o Brasil tem tecnologia, mão de obra qualificada e serviços, e não é apenas um país onde “se plantando tudo dá”.
Ao mencionar os 53 anos da Embrapa, Lula classificou a instituição como um centro de excelência e um patrimônio nacional. Segundo o presidente, o conhecimento produzido pela Embrapa é motivo de orgulho e uma das grandes vantagens competitivas do Brasil no cenário internacional.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Minha Ater Digital – Também durante a Feira Brasil na Mesa, o BNDES participou do lançamento do Programa Minha Ater Digital, iniciativa coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) para promover a transformação digital e a inclusão da agricultura familiar.
Desenvolvida por meio de parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) e o BNDES, a plataforma integra conteúdos técnicos, cursos, ferramentas digitais e redes territoriais de assistência técnica e extensão rural, com acesso unificado pela plataforma gov.br.
A Minha Ater Digital é voltada a agricultores e agricultoras familiares, juventude rural, extensionistas e gestores públicos, com o objetivo de ampliar o acesso à informação qualificada, capacitação e serviços digitais no campo.
“Com o Cerrado +Cooperativo e a Minha Ater Digital, o BNDES amplia sua atuação em territórios estratégicos do país, apoiando geração de renda, promovendo a inclusão produtiva e fortalecendo economias locais, especialmente de mulheres, jovens e povos e comunidades tradicionais”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Essas iniciativas mostram como o Banco atua de forma integrada às políticas públicas do governo do presidente Lula, combinando recursos não reembolsáveis, apoio estruturante e inovação para fortalecer a agricultura familiar, ampliar a produtividade sustentável e levar mais oportunidades ao campo”.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou o lançamento da Ater Digital como mais uma parceria estratégica para levar a digitalização ao campo. Segundo ele, dentro do programa Nova Indústria Brasil, a primeira missão é fortalecer a agroindústria, agregando valor ao produto agrícola.
Alckmin lembrou que a meta de tecnificação da agricultura familiar era alcançar 43% até o final do ano, objetivo que já foi superado, chegando a 47% de tecnificação. Ressaltou ainda a evolução da produção agrícola brasileira: o país saiu de pouco mais de 30 milhões de toneladas de grãos para atingir, no ano passado, 350 milhões de toneladas, apenas em grãos.
O ministro também valorizou a produção de frutas no país, afirmando que o Brasil tem “as melhores frutas do mundo”, lembrando que a fruta é um alimento completo.
Sobre a feira – A Feira Brasil na Mesa promove um encontro entre o campo e a cidade para celebrar os sabores, saberes e oportunidades dos alimentos no Brasil. Segundo os organizadores, trata-se de uma experiência única de valorização da sociobiodiversidade brasileira e da agricultura familiar, reunindo cientistas, produtores, povos e comunidades tradicionais e apresentando políticas públicas de desenvolvimento sustentável.
SERVIÇO
FEIRA BRASIL NA MESA
Quando: 23 de abril das 13h às 18h; 24 e 25 de abril de 2026, das 9h às 18h
Onde: Embrapa Cerrados – BR-020, quilômetro 18 – Planaltina, Brasília (DF)
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil