BNDES aprova R$ 600 mi para Instituto Butantan implantar Centro de Imunobiológicos
- Unidade vai produzir vacinas para prevenção de diversas doenças e anticorpos monoclonais para tratamento câncer, doenças autoimunes e esclerose múltipla
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 600 milhões para o Instituto Butantan, por meio da Fundação Butantan, implantar o Centro de Processamento Final de Imunobiológicos (CPFI 4), em São Paulo (SP). Na nova unidade fabril, os recursos do Programa BNDES Mais inovação permitirão a realização de processos de formulação, envase, inspeção automática e rotulagem de vacinas e medicamentos de fabricação exclusiva do Instituto Butantan no Brasil.
A unidade será capaz de processar um conjunto de imunobiológicos que inclui vacinas para prevenção de doenças diversas (Influenza, Covid, HPV e Hepatite A, entre outras) e anticorpos monoclonais utilizados em terapias avançadas e de elevado valor para o Sistema Único de Saúde (SUS), como o adalimumabe (indicado para doenças autoimunes), o pembrolizumabe (oncológico) e o natalizumabe (esclerose múltipla).
O CPFI 4 será equipado com tecnologias avançadas, ainda pouco utilizadas no Brasil, incluindo sistemas de envase com uso de isoladores, além de liofilização e envase em seringas. A unidade vai ocupar uma área total construída de 15.000 m², distribuídos em dois pavimentos produtivos, além de áreas de acesso e manutenção. O investimento total é de R$ 1,06 bilhão.
“O apoio do BNDES para a construção do centro permitirá a produção de vacinas e medicamentos biológicos que ainda não são produzidos no Brasil, com segurança, ampliando a oferta de tratamentos e outros produtos terapêuticos para a população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS)”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
“É muito importante esse financiamento para que possamos avançar cada vez mais em busca de autonomia na produção de imunobiológicos. É estratégico para o país aumentar nossa capacidade de dar respostas às demandas da saúde pública, combatendo e prevenindo doenças”, afirma Rui Curi, vice-diretor do Instituto Butantan.
CPFI 4 – O Centro vai integrar de forma inédita e em larga escala tecnologias de ponta que representam avanço significativo no processamento final de imunobiológicos, como as linhas de envase com isoladores, que permitirão a produção de mais de 600 milhões de doses por ano na forma líquida, num modelo ainda sem similar no país. Além disso, a implementação de tecnologia moderna para envase, oferecendo maior segurança, precisão na dosagem e conveniência para campanhas de vacinação em massa.
A unidade também vai possibilitar a incorporação da capacidade de processamento final de vacinas liofilizadas (processo utilizado para remover água ou solventes, preservando sua estabilidade e eficácia). Essa tecnologia estende a vida útil dos imunizantes e facilita a distribuição global, especialmente em regiões com infraestrutura limitada para armazenamento e transporte, superando limitações de refrigeração.
Foto: Rovena Rosa/EBC