BNDES investe 1,74% do PIB em infraestrutura por ano e projeta R$ 300 bi para 2026
- Em evento interministerial na sede do instituição, no Rio, Mercadante anunciou financiamento de R$ 9,2 bi à EPR Iguaçu S.A. para obras em rodovias do Paraná
- Apoio do BNDES a ferrovias terá prazo maior e condições únicas
- Banco também prevê lançar chamada pública para projetos de equity para o setor
Foto: André Telles / BNDES
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que o Brasil vive “um ciclo de expansão da infraestrutura historicamente muito importante”. A afirmação foi feita durante o seminário “Superciclo de Investimentos em Infraestrutura - Avanços e Desafios”, realizado na manhã desta segunda-feira, 9, na sede do Banco, no Rio, em parceria com o Ministério das Cidades, o Ministério dos Transportes, o Ministério de Portos e Aeroportos e representantes do setor privado.
Segundo dados apresentados no evento, o BNDES alcançou, na atual gestão, uma média anual de R$ 218 bi em investimentos em infraestrutura, o equivalente a 1,74% do PIB. O volume chegou a R$ 280 bi em 2025 e a projeção é atingir R$ 300 bi em 2026, consolidando o papel do Banco como indutor do desenvolvimento nacional.
Mercadante reafirmou a importância estratégica da infraestrutura para a integração regional, o aumento da competitividade e o enfrentamento dos desafios climáticos. “A infraestrutura é um eixo decisivo para reduzir o custo do país, ampliar a competitividade e avançar na agenda de estabilidade do clima e de enfrentamento dos eventos climáticos extremos. A descarbonização se mostra uma tarefa essencial para um banco público de desenvolvimento”, afirmou.
O presidente do BNDES também ressaltou a relevância das decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do mecanismo de negociação Secex Consenso, como fator determinante para a retomada e ampliação dos investimentos em infraestrutura. Segundo ele, a iniciativa contribui para a construção de consensos e para a redução da litigância prolongada em projetos estruturantes, fortalecendo a segurança jurídica e a previsibilidade dos investimentos.
Foto: André Telles / BNDES
Durante o seminário, a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, destacou a mudança na atuação do Banco no financiamento de projetos. “Estamos celebrando um ciclo de investimentos sustentável. O BNDES passou a atuar com financiamento sem subsídios, ampliando a inovação e o cofinanciamento com o setor privado”, afirmou. A diretora mediou o segundo painel do evento, ao lado de representantes de outras instituições financeiras.
Avanços em mobilidade urbana e saneamento - No eixo de mobilidade urbana, Mercadante ressaltou que o BNDES é atualmente o maior investidor em ônibus elétricos da América Latina, com destaque para a entrega de 2.500 veículos elétricos apenas na cidade de São Paulo. Os investimentos do Banco no setor cresceram 41% no último período, alcançando R$ 31 bi, além do apoio a obras estruturantes como a expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo.
Foto: André Telles / BNDES
Presente na abertura do evento, o ministro das Cidades, Jader Filho, enfatizou a importância da previsibilidade dos investimentos em infraestrutura para o desenvolvimento do país. Segundo o ministro, estão garantidos, para 2026, R$ 8 bi para mobilidade urbana e R$ 8 bi para saneamento, por meio do FGTS.
Expansão de rodovias - No setor rodoviário, Mercadante destacou a modernização da Rodovia Presidente Dutra, aprovada em 2024, classificada como o maior projeto rodoviário da história do país. O investimento total é de R$ 10,75 bilhões, em parceria com a concessionária Motiva.
Foto: André Telles / BNDES
O ministro dos Transportes, Renan Filho, que fechou o seminário, ressaltou que o Brasil passou a contar com o maior pipeline de concessões rodoviárias do mundo, resultado do apoio técnico e financeiro do BNDES e da mudança no modelo de financiamento público-privado.
Foto: André Telles / BNDES
Já o CEO da Motiva, Miguel Setas, destacou o Brasil como um destino estratégico para investimentos, citando a estabilidade macroeconômica, o controle da inflação, a segurança jurídica, a estabilidade institucional e a qualidade dos projetos estruturados com apoio do BNDES e do governo federal.
Entre os principais projetos anunciados, está a duplicação de 462 quilômetros de rodovias no Paraná, com investimento de R$ 9,2 bi, em parceria com a concessionária EPR Iguaçu. O projeto contempla melhorias em 662 quilômetros de rodovias nas regiões oeste e sudoeste do estado, incluindo as pontes Tancredo Neves, da Amizade e a nova ponte Brasil - Paraguai, que integram o Lote 6 das Rodovias Integradas do Paraná.
Outro destaque foi a concessão da EcoRioMinas, anunciada em 2025, com R$ 7,3 bi em investimentos em trechos das rodovias BR-116, BR-465 e BR-493, beneficiando 36 municípios dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.
No comparativo entre os períodos de 2023 a 2025 e 2019 a 2022, houve a realização de 16 leilões rodoviários a mais, totalizando R$ 148 bi em investimentos e 10.583 quilômetros de estradas planejadas. Os aportes em ferrovias também cresceram, passando de R$ 25 mi para R$ 40 mi em três anos.
Foto: André Telles / BNDES
Novas condições para ferrovias - Mercadante anunciou ainda um novo ciclo de investimentos em ferrovias, com a previsão de oito leilões, estimados em R$ 140 bi, além do lançamento de um produto específico do BNDES para financiar o setor, com prazos de financiamento e carência ampliados. Segundo ele, o Banco vai estruturar uma nova linha de financiamento para ferrovias, com prazo maior e melhores condições para os projetos.
“A nossa malha ferroviária é pequena. Então, como é um retorno muito baixo e uma maturação muito longa, nós vamos aumentar o prazo de financiamento e a carência para o setor. Vamos entrar para valer nesse mercado. Agora, somos um banco público de fomento e precisamos de parceria com o setor privado”, disse Mercadante.
Modernização de aeroportos - No setor aeroportuário, o presidente do BNDES apresentou os investimentos na ampliação, modernização e manutenção de 11 aeroportos, em parceria com a AENA, totalizando R$ 4,7 bi. Entre os aeroportos contemplados estão Congonhas (SP), Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS), Corumbá (MS), Santarém (PA), Marabá (PA), Carajás (PA), Altamira (PA), Uberlândia (MG), Uberaba (MG) e Montes Claros (MG).
No aeroporto de Congonhas, um dos maiores em tráfego aéreo do mundo, os investimentos somam R$ 3,8 bilhões, destinados à duplicação da infraestrutura e à melhoria da capacidade operacional.
Chamada pública para infraestrutura – Ainda segundo o presidente do BNDES, o Banco também vai usar a experiência bem-sucedida da Chamada Pública de Mitigação Climática para lançar uma chamada para projetos equity em infraestrutura. A previsão é atrair parceiros privados para puxar os investimentos. Segundo Mercadante, a expectativa é que apenas 25% do aporte seja feito por meio do BNDESPAR e o restante em recursos privados.
"Estamos aqui para celebrar um ciclo de investimento em infraestrutura que começou nesse país e é sustentável", afirmou Luciana Costa, diretora de Infraestrutura e Mudança Climática. "O BNDES, nesses últimos anos, mudou a forma de atuar no financiamento e passamos a financiar sem subsídio, mas com mais inovação na estruturação e participação do mercado", completou.
- Confira a íntegra do evento aqui:
Foto: André Telles / BNDES