Chamada Nordeste deve ter primeiras contratações efetivadas até junho

  • BNDES apresenta no Coriff avanço da operacionalização de carteira com 189 projetos que somam R$ 113 bilhões
  • Modelo prevê acompanhamento contínuo e atuação direta com empresas para viabilizar financiamentos
  • Banco também apresentou crescimento do crédito no Nordeste (R$ 53,6 bilhões desde 2023) 

A Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil (NIB) deve ter as primeiras contratações efetivadas até junho, marcando o avanço da fase de operacionalização da carteira de projetos selecionados. Ao todo, foram habilitadas 189 propostas, que somam R$ 113 bilhões em investimentos potenciais na região. Durante reunião do Comitê Regional de Instituições Financeiras Federais (Coriff), realizada nesta quarta-feira (25), no Recife, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou o andamento das ações voltadas à viabilização dos investimentos, com foco na transformação das propostas em contratos de financiamento.

“Estamos avançando na operacionalização da Chamada Nordeste, com foco na transformação dos projetos em contratos de financiamento. Em articulação com a Sudene, o Consórcio Nordeste e os demais bancos públicos, o BNDES atua diretamente com as empresas — desde a análise documental até a estruturação das propostas — além de operar de forma indireta por meio de instituições financeiras parceiras. Esse modelo coordenado, com acompanhamento contínuo, contribui para acelerar o acesso ao crédito e viabilizar os investimentos na Região”, afirmou o assessor da Diretoria de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Caio Ramos.

A estratégia envolve a atuação conjunta das instituições financeiras federais — BNDES, Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (Caixa), Banco do Nordeste (BNB) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) — em articulação com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste), com o objetivo de acelerar a implementação dos projetos selecionados.

O BNDES detalhou o início da operacionalização da carteira, que inclui a recepção das empresas, a análise da documentação e dos projetos e o apoio técnico necessário para viabilizar o acesso ao financiamento. É realizado atendimento direto às empresas, para compreender os desafios na jornada de crédito e apoiar a estruturação de projetos aptos a financiamento, contribuindo para a conversão das propostas em investimentos efetivos.

Para dar mais celeridade às contratações, ficou definida a implementação de um monitoramento contínuo da tramitação dos projetos, com metodologia validada pelas instituições financeiras. As propostas foram organizadas em dois grupos, de acordo com o nível de maturidade: o primeiro reúne 53 projetos em estágio mais avançado; o segundo, com 146 iniciativas, demandará acompanhamento mais próximo para evolução técnica.

O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, destacou que a expectativa é aprovar ao menos um projeto por estado até o mês de junho. “A Chamada Nordeste superou expectativas, com uma demanda 11 vezes superior ao volume de recursos inicialmente previsto. Nosso foco agora é transformar esse potencial em investimentos concretos, capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento para toda a Região”, afirmou.

O governador de Alagoas e presidente do Consórcio Nordeste, Paulo Dantas, ressaltou o desafio histórico da Região no acesso ao crédito. “A iniciativa evidencia o potencial do Nordeste, com projetos consistentes e oportunidades reais de investimento. O desafio, agora, é garantir que o crédito chegue com agilidade aos empreendimentos selecionados”, declarou.

Lançada em 2025, a iniciativa é considerada a maior mobilização de projetos industriais da Região, envolvendo os nove estados nordestinos. As propostas estão concentradas em cinco áreas prioritárias: transição energética, bioeconomia, hidrogênio verde, data centers verdes e setor automotivo, com foco em inovação, reindustrialização e desenvolvimento sustentável.

Foto: Romeu Santos/BNDES

Turismo em pauta – Outro tema debatido na reunião foi o fortalecimento do setor de turismo, responsável por cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste. Como encaminhamento, ficou acordada a realização de um road show em todos os estados da Região para apresentação das linhas de crédito disponíveis ao setor.

Além disso, segundo a Sudene, será desenvolvido um estudo para identificar os principais segmentos que demandam investimentos, bem como mapear gargalos e definir prioridades.

Entre os recursos disponíveis para o setor em 2026, destacam-se R$ 1,7 bilhão do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e R$ 850 milhões do Fundo Geral de Turismo (Fungetur). “Ampliamos significativamente o volume de crédito para o turismo. Até 2025, operávamos com cerca de R$ 1 bilhão ao ano; agora, avançamos para um novo patamar de investimentos no setor”, destacou o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara.

Infraestrutura social – Durante o encontro, o BNDES também apresentou dados do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis). No Nordeste, 394 projetos foram selecionados em editais voltados à ampliação do acesso a serviços públicos e, desses, 107 são municípios. A diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, incentivou as instituições financeiras a ampliarem a aplicação dos recursos disponíveis.

A reunião contou com a participação presencial do presidente do BNB, do governador Paulo Dantas e de representantes das demais instituições financeiras. De forma virtual, participaram a diretora do BNDES Maria Fernanda Coelho, o diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos de Souza, além de executivos do BB.

Expansão do crédito no Nordeste – O avanço da chamada ocorre em um contexto de crescimento da atuação do BNDES na região. Desde 2023, o Banco aprovou R$ 53,63 bilhões em crédito para o Nordeste, com expansão relevante em setores estratégicos da economia regional.

Apenas em 2025, foram R$ 19,39 bilhões aprovados, crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior. O apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) tem papel central nesse movimento, com R$ 18 bilhões aprovados desde 2023.

 

Foto: Romeu Santos/BNDES

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