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Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:18:14 24/04/2020 |INOVAÇÃO |SAÚDE

Ultima atualização: 13:49 28/04/2020

Divulgação
Apoio ao ecossistema de startups contribui para a oferta de respostas rápidas diante de cenários disruptivos como a pandemia, avalia Bianca Proença, gerente do BNDES
  • De testes para diagnóstico da Covid-19 a aplicativos que ajudam no combate à doença, startups têm agido rápido contra a pandemia


Inovação, agilidade e resiliência. Esses atributos, parte do DNA de startups de successo, têm feito ainda mais diferença diante da pandemia do novo coronavírus. Nesse cenário, healthtechs (termo em inglês que designa empresas que combinam saúde e tecnologia) aceleradas em 2019 pelo programa BNDES Garagem de desenvolvimento de startups têm criado ou adaptado soluções para prevenir, diagnosticar e mapear a Covid-19 no Brasil.

A PikCells, startup de automação em pesquisa laboratorial e vencedora do BNDES Garagem, decidiu mudar radicalmente o rumo do negócio ou “pivotar”, como se fala no jargão das startups.“Direcionamos todos os nossos esforços para construir soluções que apoiem os médicos na triagem de pacientes infectados com o coronavírus”, explica o cofundador e CEO da empresa, Paulo Melo. A healthtech de Recife (PE) tem trabalhado em parceria com universidades no uso de inteligência artificial e no desenvolvimento de testes rápidos para diagnosticar a Covid-19.

Paulo Melo PikCells Crédito fotógrafo Felipe GabrielPaulo Melo, CEO da PikCells: startup venceu o BNDES Garagem

Pesquisadores da PikCells, do curso de Engenharia da Computação da Universidade de Pernambuco (UPE) e do Departamento de Estatística e Informática da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) apostam na aplicação de modelos computacionais e inteligência artificial para ajudar na triagem de pacientes. A solução está pronta, e estão sendo coletados dados de exames de pessoas diagnosticadas com o coronavírus para melhoria contínua da tecnologia. A startup também está trabalhando com pesquisadores do Departamento de Genética do Centro de Biociências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no desenvolvimento de testes rápidos do novo coronavírus.

A produção de testes diagnósticos no Brasil também está na mira da iBench, plataforma online de compra e venda de produtos laboratoriais. Cofundadoras da startup, as cientistas Andrea Oliveira e Débora Moretti lançaram a campanha de doação “Taq no Covid”, que arrecada insumos de pesquisadores para que laboratórios públicos possam ampliar a produção de testes de diagnóstico da Covid-19 e distribuí-los gratuitamente.

ibench Andréia Oliveira crédito Arquivo PessoalAndrea Oliveira, cientista e cofundadoda da iBench: mais testes

Para Bianca Proença, gerente do Departamento de Gestão de Investimentos em Fundos do BNDES, o apoio ao ecossistema de startups contribui para a oferta de respostas rápidas diante de cenários disruptivos, como a pandemia do novo coronavírus. "A agilidade e a inventividade das startups podem ser cruciais para o desenvolvimento de soluções inovadoras capazes de facilitar a vida das pessoas e reduzir impactos econômicos decorrentes da crise”, diz Bianca.

Algumas startups têm atuado em rede no combate ao coronavírus. É o caso da Cloudia, assistente virtual de automação de serviços de clínicas e hospitais, como a marcação de consultas.A healthtech faz parte da iniciativa Brasil Sem Corona, lançada em março pelas startups Colab e Epitrack, que, no passado, também contaram com investimentos do BNDES via fundos de venture capital. 

A plataforma gera “mapas de calor” para mostrar os riscos de infecção por Covid-19 no país. Nela, a tecnologia de chatbot da Cloudia é usada para tirar dúvidas dos usuários sobre a doença. A partir do questionário respondido pela população via aplicativo, dados são gerados e compartilhados gratuitamente com gestores públicos e pesquisadores.


Chatbot também é a tecnologia da startup Caren.app, que desenvolveu um sistema de auto-avaliação de saúde para identificar casos da doença no Brasil. O aplicativo funciona como uma triagem online. Nele, o usuário informa os sintomas observados e fica sabendo se eles se enquadram nas definições do Ministério da Saúde para a Covid-19.

Entre as startups apoiadas pelo Garagem, há ainda as healthtechs que se adaptaram para ajudar pessoas e empresas a enfrentar os impactos sociais e econômicos da pandemia. O Remedin, aplicativo que conecta consumidores a farmácias de bairro, é um exemplo dessas empresas. A startup suspendeu todas as taxas do app durante a pandemia, tanto aquelas pagas pelas farmácias quanto as cobradas por pedido dos usuários.

“Dessa forma, colaboramos para o cumprimento do isolamento social e também ajudamos no acesso a medicamentos, aumentando a nossa base de farmácias. Com busca por produtos, comparativo de preços em tempo real e geolocalização, permitimos que o consumidor compre pelo aplicativo e receba em casa”, conta Claudia Amaral, cofundadora e CEO do Remedin.

Remedin Claudia AmaralClaudia Amaral, CEO da Remedin: sem taxas durante a pandemia

O programa
– Inciativa do BNDES, em parceria com o consórcio Liga Ventures-Wayra, o programa BNDES Garagem aconteceu em 2019 e selecionou 74 startups, entre as cerca de 5 mil inscritas, para participarem dos módulos de criação e aceleração. Oficinas presenciais, acompanhamento cotidiano e acesso a uma rede de mentores e parceiros compuseram a iniciativa, realizada em um espaço de coworking no Centro do Rio.

O BNDES Garagem promoveu mais de cem mentorias e estabeleceu mais de 50 conexões entre startups e fundos de investimento. Ao fim do programa, em setembro de 2019, 54% das participantes se tornaram empresas formais. Entre abril e setembro do ano passado, as receitas das startups foram ampliadas de R$ 13 mil para R$ 408 mil, ou seja, um crescimento de 3.100%.