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Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:11:14 20/10/2020 |INSTITUCIONAL |MEIO AMBIENTE

Ultima atualização: 15:16 20/10/2020

  • Sociedade entende a importância da preservação, em momento favorável ao Brasil, comenta pesquisador do WRI

 

  • Temos um setor privado pujante, que pode e deve ser procurado em ações sutentáveis, disse diretora-presidente do IBP

 

Baseada no desenvolvimento sustentável e em uma economia de baixo carbono, a retomada pós-crise do novo coronavírus tem potencial para posicionar o Brasil na vanguarda da economia mundial pelos próximos meses e anos. Essa foi uma das conclusões do painel inicial da Semana BNDES Verde, nesta segunda-feira, 19. O evento promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) segue até o dia 23 no canal da instituição no Youtube.

Sob mediação do presidente Gustavo Montezano, a diretora-presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (IBP), Clarissa Lins, e o economista Rogério Studart, senior fellow do World Resources Institute (WRI), falaram sobre “A retomada do Crescimento com Sustentabilidade”. Na avaliação de Studart, “a sociedade já entende a importância da preservação ambiental e o momento nunca foi tão favorável para o Brasil”. Para ela, é possível avançarmos em diferentes mercados e estratégias no país. “Vamos criando oportunidades, para que cada empresa, cada indústria encontre seu caminho mais fértil”, disse Clarissa. O desafio, segundo eles, é comunicar como isso pode também alavancar a economia brasileira e colocá-la na liderança nessa área.

Nesse sentido, Montezano destacou que a realização do evento busca justamente fazer do BNDES o principal polo de informações sobre o tema no Brasil. “Como instituição do Estado e, ao mesmo tempo, financeira, temos condições de ser o grande moderador desse debate. E, para sermos líderes globais nessa pauta, precisamos debater com academia, setor público, terceiro setor, setor produtivo, cada um no seu nicho de conhecimento, para criar soluções e produtos. Esse é um dos objetivos desta semana”, disse Montezano. “Criando novo conhecimento, vamos posicionar o Brasil como líder global de tecnologia em finanças verdes”, completou.

“Devemos pensar de maneira empresarial. A primeira coisa que devemos fazer é mandar uma visão clara sobre o que pretendemos como nação: de termos como premissa o desenvolvimento com sustentabilidade. O produtor e a produtora brasileiros precisam entender que o mercado que não trouxer sustentabilidade está perdendo, sendo excluído do comércio internacional”, avaliou o representante do WRI. “A opção pela recuperação verde está associada às vantagens de fazê-lo. Não é à toa que países como Alemanha Coreia do Sul e China apostam na sustentabilidade como eixo do desenvolvimento. É mais fácil captar com projetos sustentáveis do que não sustentáveis. Quem quiser financiar uma ferrovia que tenha pegada de carbono vai encontrar muita dificuldade, seja pelo risco ambiental seja pelo impacto reputacional”, completou.

Em boa medida, o setor produtivo brasileiro já percebe essa nova realidade. “Nossa matriz energética, mesmo a fóssil, já assumiu compromissos de descarbonização”, comentou Clarissa. A Suzano acaba de emitir bonds (títulos) associados a metas de sustentabilidade, auditadas por terceiros, disse ela. “Temos um setor privado pujante, que pode e deve ser procurado.”

Ainda assim, o presidente Montezano notou que há espaço a ser ocupado: “Temos hoje um capital imobilizado grande, muito valioso, mas o que chamamos de liquidez, fluxo de caixa desse ativo ainda é residual perto do seu tamanho” afirmou. “Precisamos tornar o nosso capital natural em produto financeiro. Os empresários precisam ver algum fluxo de caixa mais presente para entender o tamanho desse ativo”.

Para tanto, é preciso precificar corretamente os ativos, avaliou Clarissa Lins. “Precisamos participar de todas as iniciativas globais que analisam a melhor forma de dar preço aos ativos ambientais. A partir do momento em que damos a precificação correta, alimentamos a perspectiva de financiabilidade para descarbonização dos setores mais intensivos, que fazem parte do dia-a-dia, são necessários ao nosso bem-estar, mas que têm de descarbonizar”, explicou a presidente do IBP.

Studart destacou que O BNDES tem sido, historicamente, um agente de transformação em momentos críticos. “Nesse momento crítico que o Brasil vive, o Banco pode ser uma fábrica de projetos sustentáveis, uma conexão junto ao mercado nacional e internacional”. Para ele, o momento é urgente. “O Brasil já perdeu muitas das ondas de inovação tecnológica. Nessa área, de utilização da biodiversidade, não podemos perder a oportunidade. Biocombustíveis, produção de veículos elétricos e de fármacos baseados em biodiversidade, se introduzidos no nosso país, podem ter grandes efeitos positivos na produção industrial”, defendeu.

 

Assista ao evento na íntegra:

 

Veja, abaixo, a programação desta terça-feira, 20, da Semana BNDES e confira, no nosso site, a programação completa:

 

11h às 12h: Funding através de Mecanismos Financeiros ESG

Moderadora: Bianca Nasser (Diretora de Finanças – BNDES)

Participantes:

Bertrand Badré (CEO – Blue Orange Capital)

Will Landers (Head of Latin American Equities – BTG Pactual)

Nadine Cavusoglu (Managing Director – Emerging Markets Investors Alliance)

 

17h às 18h: Finanças Verdes

Moderador: Julio Leite (Superintendente da Área de Gestão Pública e Socioambiental– BNDES)

Participantes:

Jose Alexandre Vasco (Lab CVM)

Justine Leigh-Bell (Diretora – Climate Bonds Initiative – CBI)

Gustavo Fontenele (Coordenador de Economia Verde ME)