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Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:11:25 17/07/2019 |INSTITUCIONAL

Ultima atualização: 13:13 17/07/2019

Ricardo Botelho - BNDES/Divulgação
O presidente estimou que o BNDES deve desembolsar em torno de R$ 70 bi este ano e nos próximos.
  • Em 1ª coletiva, novo presidente defende reposicionar a instituição como banco de serviços: “Nosso principal cliente vai ser o Estado"

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, concedeu na tarde desta terça-feira, 16, sua primeira entrevista coletiva à imprensa, após a cerimônia de posse realizada pela manhã no Palácio do Planalto, em Brasília.

Na ocasião, o executivo detalhou as 5 metas por meio das quais pretende marcar sua gestão:  (1) explicar a caixa-preta para a população brasileira, (2) acelerar a venda de participações da BNDESPAR, (3) concluir a devolução de recursos de empréstimos recebidos do Tesouro Nacional, (4) apresentar um planejamento trianual e (5) melhorar a prestação de serviços ao Estado brasileiro.

Caixa aberta e geração de valor – De acordo com Montezano, a necessidade de explicar o tema da “caixa-preta” e virar a página (o que ele pretende fazer em dois meses) decorre de uma necessidade empresarial. “Isso custa para o BNDES. Atrapalha a instituição a desenvolver sua estratégia. Queremos priorizar outras pautas de mais criação de valor empresarial dentro do Banco”, disse.

Quanto aos desinvestimentos da carteira da BNDESPAR, ele explicou que não há uma meta de venda para este ano. “Não se vende ações na hora que se quer. Não se controla o apetite e a dinâmica do mercado. O bom investidor entende essa dinâmica, entende as janelas e constrói sua estratégia O importante é saber aonde se quer chegar. O que estamos propondo é ter um plano de desinvestimento até o final do ano”, explicou.

“O processo decisório será baseado em como alocar melhor os recursos do pagador de impostos, do cidadão brasileiro”. Segundo o presidente, “respeitada a governança de desinvestimentos, vamos fazer a realocação de portifólio do Banco, colocando esse dinheiro em atividades mais produtivas”.

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Montezano detalhou 5 metas de sua gestão, a primeira delas é "abrir a caixa preta".


Devoluções e desembolsos - Sobre os recursos de empréstimos recebidos do Tesouro Nacional, o executivo afirmou que, até dezembro, o BNDES concluirá a devolução de R$ 126 bilhões. Isso significa mais R$ 86 bilhões, tendo em vista que, este ano, já foram devolvidos R$ 40 bilhões.

Montezano afirmou que priorizará, nos próximos 3 anos, a devolução dos R$ 270 bilhões emprestados pelo Tesouro que ainda restam no Banco, discutindo só posteriormente eventual devolução – “quando e se for necessário” - dos chamados Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Entre 2008 e 2014, o BNDES recebeu R$ 416,1 bilhões em empréstimos do Tesouro Nacional e devolveu, de 2015 a 2019, R$ 339 bilhões. O valor restante (R$ 270 bi) deve-se à incorrência de juros sobre o montante.

O presidente estimou – aproveitando para explicar a sua quarta meta – que o BNDES deve desembolsar em torno de R$ 70 bilhões este ano e nos próximos. “Vamos voltar aos níveis que o BNDES tinha antes dos empréstimos do Tesouro”, disse. Os dados devem constar de planejamento trianual a ser apresentado até o final do ano - “Com orçamento (receita e despesa nas duas linhas de negócio: serviço e crédito), noção de dimensionalmento e metas operacionais”, detalhou, antecipando que, “possivelmente, o lucro do BNDES no futuro será menor que o lucro do BNDES no passado, mas esperamos que o lucro gerado na sociedade seja maior do que o que estamos contribuindo hoje”.

Serviços e crédito – Em relação à quinta e última meta apresentada, Montezano revelou que pretende posicionar o BNDES menos como um Banco de empréstimos e investimentos e mais como um banco de serviços, um assessor financeiro. “Nosso cliente vai ser principalmente o Estado. No setor público, o BNDES tem uma vantagem competitiva extrema. O conhecimento do Brasil e do governo que o Banco tem não se encontra no mercado privado. Queremos utilizar esse conhecimento, o seu corpo técnico qualificado, para auxiliar os clientes em modelagens financeiras, ajuda-los e a encontrar a melhor forma de privatizar uma empresa, estruturar uma concessão”.

O presidente explicou também como o Banco deve rentabilizar a atividade: “A remuneração por esse serviço é através de comissões, não de juros. E, quando o cliente é capaz de desinvestir o ativo, vender a concessão, parte do dinheiro que vai para ele vem para nós também. Seremos parceiros do cliente no sucesso. Não preciso de balanço, crédito, caixa, para fazer esse negócio. Preciso ter conhecimento, estrutura, network, brand. É o serviço clássico de um banco de investimento”.

Do ponto de vista de crédito, o presidente acredita que o mercado de privatizações (fusões e aquisições) já é completamente suprido pelos bancos privados, mas o mercado de concessões necessita de investimentos de longo prazo, o que deve requerer a participação do BNDES, sobretudo em saneamento e infraestrutura. “O Banco é bem ativo nesses segmentos hoje e deve continuar sendo, atuando de forma proativa, e acredito que tenha recursos suficientes para fazer jus a isso, mesmo sem os recursos do Tesouro”.

A meta aqui, apontou, é mais qualitativa. “O Banco tem que ser avaliado não pelo quanto desembolsa ele mesmo, mas sim pelo quanto de recursos ele atrai para o Brasil e para os projetos de que participa. A medida de sucesso do Banco é muito mais dinheiro levantado do que dinheiro emprestado. O que eu gostaria é que, ao final do ano, nossos clientes olhem para nós e falem: o BNDES está me ajudando, agregando valor para mim”, encerrou.

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 Pela manhã, executivo participou da cerimônia de posse no Palácio do Planalto