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02:30 19 de October de 2019

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:18:42 17/07/2019 |INOVAÇÃO |SAÚDE

Ultima atualização: 16:03 23/07/2019

  • Solução pode melhorar a vida de pacientes com doença responsável por 118 mil internações e 8,6 mil mortes ao ano


O teste de uma tecnologia inovadora de monitoramento de oxigênio ministrado em tratamento de pacientes com enfisema pulmonar será a primeira operação de projeto-piloto de Internet das Coisas (IoT) selecionada pelo BNDES. Proposta pelo centro de inovação CESAR do Recife (PE), e desenvolvida em parceria com a startup brasileira Salvus com financiamento da Embrapii, a solução poderá melhorar a saúde de milhares de pessoas, evitar o desperdício de oxigênio medicinal e diminuir custos com logística, barateando o tratamento.

Com investimento total de R$ 2 milhões – sendo R$ 1 milhão aportado pelo BNDES em recursos não-reembolsáveis – o projeto testará durante 16 meses um sistema de monitoramento da quantidade de oxigênio ministrada a pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, popularmente conhecida como enfisema pulmonar. O problema gera 118 mil internações, 8,6 mil óbitos e R$ 104 milhões em despesas por ano, de acordo com o SUS. Trata-se da quarta causa de morte mais relevante no país, conforme dados do Ministério da Saúde.

O monitoramento será feito por meio de um sensor acoplado à tubulação ou ao cilindro de oxigênio. As informações relativas ao fluxo de gás serão digitalizadas e transmitidas para uma base de dados onde estarão disponíveis para os profissionais de saúde. O acompanhamento mitigará riscos de falta de oxigênio e permitirá que os pacientes recebam a quantidade ideal de gás, evitando, por exemplo, problemas decorrentes de superdosagem.

"A solução tem potencial de gerar, a partir de uma tecnologia de baixo custo, um enorme ganho de eficiência e economia de recursos para o SUS e poderá ser replicada a outros segmentos que utilizam gases industriais", explicou o chefe do Departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde do BNDES, João Paulo Pieroni.

Os testes serão realizados em ambientes reais, contando com a participação de cerca de mil voluntários internados em hospitais ou sob tratamento domiciliar (home care). O monitoramento será feito por meio de um sensor acoplado à tubulação ou ao cilindro de oxigênio. As informações relativas ao fluxo de gás serão digitalizadas e transmitidas para uma base de dados onde estarão disponíveis para os profissionais de saúde. O acompanhamento mitigará riscos de falta de oxigênio e permitirá que os pacientes recebam a quantidade ideal de gás, evitando, por exemplo, problemas decorrentes de superdosagem.

Salvus - Experiências familiares relacionadas à dificuldade na gestão de dados de saúde levaram o CEO da Salvus, Maristone Gomes, a desenvolver uma solução para evitar a perda de informações e eventuais prejuízos financeiros na gestão da saúde dos pacientes.

 

                                                                                                                                                                                                                Divulgação - Salvus
Protótipo 01 - completo
Protótipo da solução desenvolvida pela startup brasileira Salvus


"Tudo começou quando encontramos um homecare aqui no Recife com a necessidade de gerenciar os pacientes à distância para levar estoques de medicamentos e de oxigênio medicinal aos seus domicílios”, revelou.

Segundo ele, até então esse monitoramento era feito manualmente e os dados médicos se encontravam totalmente descentralizados e não relacionados, não propiciando valor à condução dos tratamentos dos pacientes. A ideia da empresa é fazer uma gestão completamente automática por meio de um equipamento que mede o estoque e o fluxo do oxigênio medicinal.

"De forma autônoma, o equipamento, que é expansivo à internet das coisas (IoT), se comunica com a nuvem e os dados colhidos são enviados para um sistema que processa a estimativa do término do estoque do paciente e controla o quanto foi efetivamente consumido, e se de fato ele está fazendo a posologia que o médico pensou ao programar o tratamento", detalhou Maristone.

"A solução está em teste para ganho de escala e vimos no projeto-piloto de IoT do BNDES uma oportunidade de ampliar o teste e mapear a aplicação da solução nos mais diferentes atores, inclusive em hospitais", completou.

Internet das Coisas – O BNDES, em parceria com MCTIC, apoiou o estudo para diagnóstico e proposição de plano de ação estratégico para o país em IoT, coordenado pelo consórcio McKinsey/ Fundação CPqD/ Pereira Neto Macedo. O plano indicou quatro verticais que apresentaram maior impacto: (i) Cidades; (ii) Saúde; (iii) Rural e (iv) Indústria.

O trabalho também indicou que os impactos do desenvolvimento de aplicações de IoT no Brasil, considerando os quatro ambientes, podem chegar a US$ 132 bilhões (US$ 27 bi para cidades; US$ 39 bi para saúde; US$ 21 bi para rural e US$ 45 bi para indústria).

Pilotos de IoT – Em 2018 o BNDES realizou chamadas para seleção de projetos-piloto de Internet das Coisas (IoT) com foco nas quatro verticais indicadas pelo estudo da McKinsey. Foram selecionadas iniciativas de todas as regiões do país e elas agora passam pela fase de análise, como os demais projetos apoiados pelo BNDES.

A lista completa dos projetos selecionados e outras informações sobre a chamada podem ser obtidas em www.bndes.gov.br/pilotosiot.

A solução tem potencial de gerar, a partir de uma tecnologia de baixo custo, um enorme ganho de eficiência e economia de recursos para o SUS e poderá ser replicada a outros segmentos que utilizam gases industriais