BNDES - Agência de Notícias

22:03 18 de Outubro de 2019

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:18:09 07/10/2019 |INFRAESTRUTURA |SUDESTE

Ultima atualização: 10:11 08/10/2019

Fotos: Divulgação GNA

● Operação do BNDES conta com garantia do KfW, responsável pelo financiamento das turbinas alemãs

 

Uma operação pioneira, que envolveu extensas negociações entre o Banco Nacional de Deselvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o KfW, o banco de desenvolvimento alemão, recebeu um prêmio internacional nesta quinta-feira, 3 de outubro, em Nova York, EUA. O financiamento à usina térmica da Gás Natural Açu (GNA) no Porto do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense, foi vencedor em duas categorias no 2019 Project & Infrastructure Finance Awards, concedido pela revista Latin Finance. A operação também foi indicada à premiação do Deals of the Year, também da Latin Finance, a ser realizada no início de 2020.

“Os prêmios são um reconhecimento pelo trabalho de toda a equipe da GNA e dos sócios na estruturação de um financiamento que reúne instituições brasileiras e mundiais de grande credibilidade: BNDES, KfW Ipex-Bank e International Finance Corporation (IFC)”, afirma o diretor-presidente da GNA, Bernardo Perseke.

Com investimento total de R$ 4,5 bilhões, o projeto teve o conteúdo local financiado pelo BNDES no montante de R$ 1,76 bilhão. Responsável pelo financiamento do conteúdo alemão associado ao projeto, o KfW assumiu também a garantia da operação do banco de fomento brasileiro. “A GNA, já no início das conversas, propôs uma estrutura envolvendo o KfW, porque o fornecedor das turbinas é a Siemens, que também é acionista do empreendimento”, lembra o gerente Bruno Cabús Müller, da Área de Energia do BNDES. Outros acionistas da GNA são a fornecedora do gás, a britânica BP (antiga British Petroleum), e a Prumo Logística, que controla o Porto do Açu.

O empreendimento da GNA é o primeiro projeto de térmica a gás natural liquefeito (GNL) apoiado pelo Banco. A usina, que é integrada a um terminal de regaseificação, deverá entrar em operação em janeiro de 2021 – um prazo de execução considerado curto para uma obra desse porte. O maior desafio foi a forma de estruturação da operação. “Nosso jurídico empreendeu um trabalho muito intenso, pois tivemos que fazer diversas adaptações para atender às regras e limitações do KfW e da União Europeia”, conta Bruno. “Foi uma negociação muito pesada para conciliar essa governança com o que podemos fazer dentro das nossas normas”. O primeiro desembolso foi feito em agosto.

A engenheira Clarisse Cortes Moreira, que é coordenadora na Área de Energia do BNDES, explica que a garantia do financiamento aos itens brasileiros está lastreada nos equipamentos da Siemens. “O valor do conteúdo local e do conteúdo alemão é aproximadamente o mesmo, o que tornou possível fazer essas duas coisas conversarem”, observa. “Toda vez que a Siemens recebe um pagamento da empresa, isso abre um valor da garantia do KfW ao BNDES e assim podemos liberar uma parcela dos nossos recursos”. A equipe de acompanhamento visitou o projeto em setembro e pode constatar que o andamento da obra está dentro do cronograma.

De acordo com a coordenadora, o KfW também reconhece a importância da operação. “Já negociamos com eles replicar esse modelo em outro projeto”, adianta. “Para eles, é possível replicar essa estrutura de operação não somente no setor elétrico, mas também em outros tipos de projeto. Eles têm interesse em apoiar a exportação de produtos alemães”.

 

Usina funcionará integrada a navio regaseificador

Um navio do tipo unidade flutuante de armazenamento e regaseificação (FSRU) ficará ancorado no porto por cerca de 25 anos para abastecer a usina térmica, à medida que ela for demandada pelo sistema. Os carregamentos de gás trazidos por outros navios, que encostarão ao lado da FSRU, serão transferidos a esta ainda na forma líquida. Conforme houver demanda da usina, o navio regaseificador transforma o combustível líquido novamente em gás e o envia à térmica através de um gasoduto.

“O navio regaseificador está quase pronto”, diz Bruno. “Ele vem de Cingapura e deve chegar em março do ano que vem”.

Construída com a missão de viabilizar um ambicioso projeto de transformar o gigantesco terminal portuário do Açu em um hub de gás, essa primeira térmica funcionará como âncora de futuros investimentos. A segunda usina, já leiloada, será construída ao lado. A elas deverão somar-se mais duas, cujo licenciamento está previsto, e que poderão utilizar o gás do pré-sal.

 

 gna divulgação

 

“A FSRU está dimensionada para mais do que essa térmica”, garante o gerente. “Há planos de vender a sobra para a rede de abastecimento de gás”.

Com potência instada de 1.338,3 MW, o projeto transcende o setor elétrico, mas tem importância estratégica para este. Localizada na região Sudeste, maior centro de consumo do País, a usina pode ser despachada continuamente, atuando na base da carga do sistema, além de reduzir o risco de falta de energia em caso de escassez hídrica.

“Estamos construindo um projeto estruturante que, atualmente, emprega mais de 5.000 pessoas, sendo a maioria composto por moradores locais, e que irá contribuir para a diversificação da matriz energética brasileira”, afirma Perseke. 

 

Assista ao vídeo de divulgação da GNA: