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BNDES - Agência de Notícias

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Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:12:20 11/03/2022 |INSTITUCIONAL |MEIO AMBIENTE

Ultima atualização: 12:43 11/03/2022

Reprodução da internet
Papel da indústria para neutralidade em carbono foi discutido

A 4ª edição da série Fóruns BNDES de Sustentabilidade, realizada na quinta-feira, 24 de fevereiro, trouxe como tema as oportunidades e os desafios da descarbonização para a indústria. Mediado pelo diretor de Crédito Produtivo e Socioambiental do Banco, Bruno Aranha, e com a participação de representantes dos setores industriais de telecomunicações, automobilístico e siderúrgico e do setor financeiro, o webinar discutiu o papel fundamental da indústria na transição do país para uma economia neutra em carbono, de maneira inclusiva e ambientalmente sustentável.

“Ao longo do ano passado, em especial na COP26, houve uma grande discussão relacionada aos esforços globais para que consigamos manter a temperatura do planeta em apenas 1,5º acima do nível pré-industrial. E uma diferença desta COP foi o relevante engajamento do setor produtivo e financeiro nas discussões: mais de 5,2 mil empresas anunciaram as suas metas de neutralidade climática, assim como mais de 450 instituições financeiras apresentaram o seu engajamento no tema. Para o Brasil alcançar as suas metas de redução, a inovação e a modificação dos modelos de negócio da indústria são fundamentais”, disse o diretor Bruno.

Indústria automobilística - Sobre inovação na indústria automobilística, o Executive Chairman da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si comentou que, atualmente, no Brasil, há várias tecnologias sendo exploradas “com potencial de impactar os pilares ambiental, social e econômico, e de serem exportadas para outros países”. 

Pablo anunciou que a Volkswagen acaba de assinar um acordo com a Unicamp e está buscando parceria com universidades americanas para estudar o desenvolvimento de uma tecnologia que converta o etanol em uma célula combustível a ser utilizada em veículos elétricos. “Todos sabemos que o mundo está passando por um processo de eletrificação de veículos, isso é uma realidade. E o setor automobilístico brasileiro tem muitas oportunidades no cenário atual”, completou.

Siderurgia - “O setor siderúrgico terá que se reinventar, especialmente o setor de aços planos, no qual a Usiminas atua”, afirmou o gerente Geral Corporativo de Sustentabilidade da Usiminas, Andre Chaves de Andrade. “O esforço de inovação para a produção de um aço net zero tem sido mundial, com a adoção de novas tecnologias e processos produtivos ainda em consolidação”, disse.

Telecomunicações - Para o Head ESG da TIM Brasil, Márcio Lino, o setor de telecomunicações pode desenvolver tecnologias digitais que permitam a redução de emissões associadas aos combustíveis fósseis.

“As pessoas que estariam se deslocando para ir para o trabalho ou à faculdade, hoje estão trabalhando de casa e assistindo aulas à distância”, pontuou. “Adicionalmente, desenvolvemos soluções para a prover conectividade tanto em regiões de grande demanda, como os centros urbanos, quanto em regiões mais afastadas, no Nordeste e na Região Amazônica”, explicou.

Sobre o 5G, Lino comentou que a tecnologia trará grandes oportunidades: “será um grande habilitador para a criação de inúmeras soluções, a exemplo do uso em teleconferências e telemedicina. Também será uma rede energeticamente mais eficiente, que promoverá o desenvolvimento social”, previu.

Mercado financeiro - Falando sob a ótica das gestoras de investimentos, o Chairman da BlackRock Brasil, Carlos Takahashi destacou a importância do setor na mobilização de recursos privados junto a investidores:

“As gestoras de investimentos têm a responsabilidade de promover a transição para uma economia descarbonizada da melhor forma possível, considerando as grandes oportunidades e os riscos associados que o tema traz”, disse Takahashi. “É uma nova orientação estratégica de investimento no longo prazo e cabe às gestoras fazer com que os investidores estejam cada vez mais informados e dispostos a financiar essa agenda”, pontuou.

A coordenadora na América Latina da UNEP Fi - Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Maria Eugenia Taborda, falou sobre os desafios da agenda de descarbonização para o setor bancário:

“A agenda Net Zero é muito nova e todos os bancos estão nessa jornada. Existem alguns desafios metodológicos para o setor: como são medidas as emissões financiadas, como deve ser avaliado o seu portfólio, os clientes mais intensivos em carbono e a forma como eles estão trabalhando com a sua cadeia de valor. Os bancos devem incorporar os fatores de riscos de crédito e reputacional, associados à agenda em seus financiamentos”. 

Para Maria Eugenia, tanto o Brasil quanto outros países já dispõem de regulação atenta aos riscos climáticos. “Existe uma rede de reguladores financeiros traçando cenários climáticos e mapeando riscos sistêmicos e econômicos em nível global, dando recomendações para o setor financeiro sobre como observar adequadamente a questão climática. A transição é uma realidade. É apenas uma questão de velocidade. As indústrias que demorarem a fazer a transição acessarão recursos mais caros”, completou. 

Fórum BNDES de Sustentabilidade - A série de encontros e artigos, produzidos pelo BNDES em parceria com especialistas do setor, visa discutir caminhos para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável e proporcionar uma transição justa para uma economia neutra em carbono.

Nos Fóruns, abordam-se os desafios para o alcance desses objetivos e o papel das parcerias na mobilização de recursos. Também se discutem formas de conciliar a transição com o bem-estar social e a redução de desigualdades, além de ações das instituições financeiras para apoiar a preservação da biodiversidade.