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Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:10:04 06/05/2020 |INOVAÇÃO |MERCADO DE CAPITAIS |MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS |SAÚDE |SUDESTE

Ultima atualização: 12:50 15/05/2020

Fotos: Divulgacao Cliever, Compass e Nanox
Fabricante de impressoras 3D usa máquinas ociosas para produzir protetores faciais

• MPMEs inovadoras adaptam linha de produção para produzir equipamentos de proteção

 

Empresas nascentes de base tecnológica vislumbraram uma ampla gama de oportunidades ao aceitar o desafio de buscar soluções para enfrentar a pandemia da covid-19. Companhias inovadoras de pequeno porte apoiadas pelos fundos de investimento Criatec do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adaptaram suas linhas de produção para apostar na fabricação de itens de proteção contra o novo coronavírus, utilizando tecnologias como impressão tridimensional e nanomateriais.

A Cliever, que produz impressoras 3D em Belo Horizonte (MG), aproveitou seus estoques de insumos para imprimir componentes de equipamentos de proteção individual (EPIs) destinados aos profissionais de saúde. Em 2015, a empresa recebeu R$ 3 milhões do fundo Criatec 2.

De acordo com o chief executive officer (CEO) da Cliever, Rodrigo Krug, como toda boa ideia, a conversão da linha de produção surgiu da necessidade. “Chegamos a cogitar ficar uma semana com parte da operação parada”, conta. “Porém, inquieto, comecei a observar as oportunidades que pudessem agregar ao que a empresa já fazia. Logo, as coisas fizeram sentido: tínhamos um número grande de máquinas em nossa fábrica e decidimos colocá-las a trabalhar em prol do combate à covid-19”.

O esforço de adaptação resultou em um protetor facial hospitalar, o Cliever Shield. “O processo foi simples, pois é nosso core business”, afirma Krug. “Acionamos todo nosso time fabril para gestão e produção, enquanto o comercial ficou em home office”. O CEO espera uma demanda pelo produto superior a 500 mil unidades durante a pandemia.

 

cliever-interna

Cliever Shield, protetor facial fabricado pela Cliever

 

A tecnologia de impressão 3D também está no foco da atuação de outra companhia com sede na capital mineira, a Compass, que utiliza o equipamento, juntamente com scanners tridimensionais, para produzir aparelhos ortodônticos. A empresa, que contou com R$ 5 milhões em investimentos do Criatec 2 desde 2015, passou a fabricar uma estrutura de suporte dos protetores faciais.

“Estamos mudando o foco da nossa produção para ajudar as equipes que atuam na linha de frente do combate à covid-19”, afirma o fundador e CEO da Compass, Bruno Frazão Gribel. “Vamos suspender nossa produção de alinhadores dentais por algumas semanas para produzir protetores faciais”.

 

Compass

Bruno, da Compass: empresa suspende produção de aparelhos ortodônticos para imprimir EPIs

 

Máscaras N95 – Outra companhia com os equipamentos de proteção na mira é a Nanox, de São Carlos (SP), que fornece uma tecnologia baseada em nanopartículas de prata para revestimento bactericida e antiviral em diversas superfícies. A empresa, na qual o Criatec 2 investiu R$ 3 milhões em 2015, registrou um aumento de 400% na procura por seus produtos desde o início da pandemia.

“Temos uma linha de produtos sólidos, em pó, que podem ser misturados a qualquer tipo de plástico para fazer embalagem, luvas, máscaras, tecidos e até eletrodomésticos”, explica o CEO da Nanox, Gustavo Simões. “A linha de líquidos é destinada a tintas e madeira”.

A empresa prevê a necessidade de expansão da capacidade produtiva para atender à demanda gerada pela covid-19. “Temos projetos para fabricação de máscaras N95, que devem ser lançadas este mês no Brasil e nos EUA, além de um saneante para limpeza hospitalar“, anuncia o CEO.

 

Nanox

Nanox: nanoparticulas promissoras contra o SARS-CoV2, o coronavírus da covid-19

 

“Gratificante” – Para a gerente Lívia Ribeiro, da Área de Mercado de Capitais do BNDES, é “bastante gratificante” ver startups investidas pelos fundos Criatec atuando no combate à pandemia. “A capacidade de empresas brasileiras de atuarem em momentos críticos com tecnologia competitiva reforça a tese da necessidade de investimento em startups”, observa. “Assim, a estratégia do BNDES tem sido de ampliar seu investimento em fundos de venture capital, compondo uma carteira dinâmica que possa apoiar micro e pequenas empresas inovadoras, de forma a reduzir a lacuna no apoio a esse tipo de empresa, tão essencial para o aumento da competitividade do País”.

Os fundos da série Criatec são fundos de investimento em participações em micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) inovadoras, nos quais a BNDES Participações (BNDESPar) – subsidiária de participações societárias do banco de fomento – investe juntamente com outros parceiros, em sua maioria bancos de desenvolvimento regionais. O Criatec está em sua terceira edição e, juntos, os fundos já apoiaram mais de 90 empresas brasileiras, viabilizando o registro de cerca de 100 patentes e a criação de mais de mil produtos.

 

Sobre o BNDES – Fundado em 1952 e atualmente vinculado ao Ministério da Economia, o BNDES é o principal instrumento do Governo Federal para o financiamento de longo prazo da economia brasileira. Suas ações procuram ter foco no impacto socioambiental e econômico no Brasil. O Banco oferece condições especiais para micro, pequenas e médias empresas, além de linhas de investimentos sociais, direcionadas para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano. Em situações de crise, o Banco atua de forma anticíclica e auxilia na formulação das soluções para a retomada do crescimento da economia.

 

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