BNDES - Agência de Notícias

17:36 28 de November de 2020

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:16:30 22/10/2020 |MEIO AMBIENTE

Ultima atualização: 18:59 22/10/2020

  • Governo é indutor da associação de investidores privados à ampla riqueza da região para resultar em benefícios ambientais e sociais, disse o vice-presidente Mourão

  • A população da Amazônia espera oportunidades e que os empreendedores invistam, disse Damares Alves, Ministra do MMFDH

  • “Queremos apoiar empreendedores que tenham ideias e tecnologias inovadoras”, destacou Montezano, presidente do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoveu nesta quarta-feira (21) o painel Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, no terceiro dia da Semana BNDES Verde, que contou com a participação do vice-presidente da República, General Hamilton Mourão e da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. O mediador do painel foi o presidente do Banco, Gustavo Montezano, que defendeu uma visão holística para a região: “Quando falamos em desenvolvimento sustentável da Amazônia é importante que todas as perspectivas da sustentabilidade estejam presentes: economia, meio ambiente, questão regulatória, ordenamento territorial e comando e controle.”

“São muito importantes iniciativas como a Semana BNDES Verde que, alinhada a uma tendência global, promovem discussões sobre uma agenda que englobe respeito ao meio ambiente, à proteção social e a uma governança sólida de recursos.”, disse Mourão. Sobre as dimensões da região, ainda destacou: “É importante despertar a atenção para a diversidade e a grandiosidade que não são compreendidas pelos habitantes do centro-sul do país e para o restante do mundo. Existem várias Amazônias, e não uma floresta única.”

Em seguida, a respeito do desenvolvimento da região sob a perspectiva humana, Damares destacou: “O bem mais precioso que temos na Amazônia é o povo amazonense. E, infelizmente, este povo ficou por anos invisível e teve direitos básicos violados. São 25 milhões de pessoas que devem ter direito à dignidade humana. Temos 305 povos indígenas no Brasil e a maioria está na Amazônia, alguns deles, até hoje, completamente isolados. No Brasil existem 274 línguas indígenas, das quais mais de 150 são faladas na Amazônia. A pluralidade cultural desta região é incrível.”  

Mourão comentou que a sustentabilidade é um tema caro ao Século XXI e que qualquer projeto atual de desenvolvimento deve respeitar as regras ambientais e dar um retorno social à população. “As regularizações fundiárias de pequenas e grandes propriedades são necessárias para que haja o acesso a financiamentos e assistência técnica rural e trabalhem as propriedades dentro da legislação ambiental.”

De acordo com o vice-presidente, a rica biodiversidade da floresta deve atrair investidores para produzir cadeiras de valor e investimentos na própria região. “A intenção é que as indústrias que produzirão com estes insumos estejam localizadas na região, gerando empregos locais e melhoria na qualidade de vida da população”, completou.

“O governo considera que sua responsabilidade é a de ser o grande indutor e facilitador para promover a associação de investidores privados à ampla riqueza da região, que resulte em benefícios ambientais e sociais. O Estado brasileiro deve se fazer presente na Amazônia. O governo tem um compromisso com as próximas gerações, devemos preservar a vida para que os que nos sucederão.”, finalizou Mourão.

Damares lembrou ainda o Abrace o Marajó, programa desenvolvido pelo Governo Federal que conta com o apoio do BNDES e tem o objetivo de melhorar indicadores de educação, de saúde, de segurança e de rendados municípios da região paraense. “Acreditamos que este programa de desenvolvimento sustentável será um piloto que poderá ser modelo para outras regiões. Agradecemos ao BNDES pela parceria.”

“Empreendedores que tenham ideias inovadoras para regularização fundiária, para comando e controle, podem procurar o BNDES. Nós ajudaremos a promover novas ideias”, disse Montezano no encerramento. A tecnologia pode ajudar muito no desenvolvimento da região, concluiu.

Amazônia e a Bioeconomia – Dando sequência à programação do dia, o segundo painel propôs um diálogo sobre o potencial de exploração e desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia e sua importância para a preservação da floresta. Comandada pelo chefe do Departamento de Meio Ambiente e Gestão do Fundo Amazônia, Nabil Kadri, a conversa contou com a participação da diretora de Sustentabilidade da Coca-Cola, Andrea Mota, do secretário do Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, e do diretor do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, Mariano Cenamo.

Kadri iniciou o painel pontuando que cadeias produtivas da região já ganharam destaque nos últimos anos, como a do açaí, do cacau e da castanha do Brasil, mas que há espaço para avanços em outros produtos, principalmente em uma interação com indústria de alimentos, bebidas, cosméticos e medicamentos. “O BNDES tem apoiado de forma estruturada a bioeconomia, por meio dos recursos do Fundo Amazônia: nos últimos doze anos, o banco investiu na região mais de R$ 720 milhões em projetos que ajudaram a desenvolver as cadeias produtivas locais e tiveram impacto na vida de 190 mil pessoas.”, destacou.

Para Andrea, quando se trata de investimentos em bioeconomia na Amazônia, é necessário ter pensamento no longo prazo agregando setores privado, público e terceiro setor. “O tema ESG finalmente chegou ao Brasil com força e está na mesa dos CFOs das empresas, que levam cada vez mais em conta os impactos ambientais de suas atividades como um todo, considerando a sociedade e a sustentabilidade, e não apenas o retorno financeiro, em suas decisões de negócio”, completou.

Segundo Taveira, a bioeconomia já movimenta US$ 2,3 trilhões ao ano só na Europa e a Amazônia é portadora de um enorme potencial econômico e biológico. “Devemos nos esforçar para despontar a biotecnologia como uma nova oportunidade econômica da nossa região”, disse Taveira.

Segundo Cenamo, o governo deve assumir compromisso de investir de forma relevante, com uma visão ambiciosa e de longo prazo, em pesquisa, desenvolvimento e inovação, incentivando o potencial do setor privado em fazer o mesmo em sua realidade de negócios. “A Amazônia Legal representa 60% do território nacional, e menos de 8% do PIB, em sua maior parte de atividades não relacionadas à bioeconomia. Temos muitas oportunidades para explorar.”

 

Assista ao painel “Desenvolvimento sustentável da Amazônia”:

  

Assista ao painel “Amazônia e a bioeconomia”: