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BNDES - Agência de Notícias

09:52 11 de April de 2021

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:10:03 01/03/2021 |INSTITUCIONAL

Ultima atualização: 11:37 01/03/2021

Com a exploração e produção dos novos campos do pré-sal, o Brasil tem potencial para dobrar a oferta de gás natural até 2030, passando de 50 milhões de m3/dia para 100 milhões de m3/dia até 2030. Essa é uma das conclusões do relatório Gás para o Desenvolvimento - Perspectivas de oferta e demanda no mercado de gás natural do Brasil, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou na quinta-feira, 25.

 

O estudo foi apresentado pelo presidente Gustavo Montezano em painel virtual que abriu a 2ª Semana Gás para o Desenvolvimento, promovida pelo Banco em seu canal no Youtube. “Fizemos uma coleta profunda de informações. O resultado foi muito satisfatório para o Brasil: temos uma oferta de gás farta e economicamente viável”, comemorou o Montezano.

 

 

Do ponto de vista da demanda, a indústria é a principal fonte. A partir de pesquisa com 33 grandes grupos industriais, o relatório apontou que apenas eles têm potencial de consumir mais de 70 milhões de metros cúbicos/dia a partir de 2030. O setor termelétrico também pode ser grande consumidor, sobretudo com alguns aprimoramentos regulatórios que já estão em discussão. O potencial é de 13 a 17 milhões de m3/dia a partir de 2030.

 

“A demanda é concreta e iminente. Isso já foi dito por outros players, mas tenho certeza de que é importante para o setor ter o BNDES ratificando essa visão. Outra ótima conclusão é que o consumo dessa nova fonte de energia vai tornar a nossa matriz energética ainda mais limpa”, completou o presidente do Banco. Para o secretário-executivo adjunto do Ministério das Minas e Energia, Bruno Eustáquio, os resultados são animadores porque o país tem “a responsabilidade na renovar a matriz, mas também de garantir o fornecimento de energia elétrica”.

 

Outro ponto abordado no estudo foi a demanda veicular. Há oportunidade tanto no transporte de passageiros quanto de cargas. O potencial em regiões metropolitanas que já são abastecidas por redes de gás é de 18 mil ônibus até 2025. No transporte de cargas, que é mais pulverizado, a tendência é que a adoção seja mais gradual, mas também há espaço de crescimento, inclusive com medidas que induzam a isso, como linhas de crédito mais competitivas e fomento à produção de caminhões a gás.

 

Nesse sentido, Luiz Costamilan, diretor do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), afirmou que “é preciso pensar em regulações de transição, de maneira a abrir o mercado, definir o balanceamento do consumidor e estabelecer uma harmonia entre o setor elétrico e o de óleo e gás”. Presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Pedro Moreira, listou itens que considera necessários para a utilização do gás natural no transporte: “É necessário buscar oportunidades para destravar linhas de financiamento, ampliar a rede de abastecimento e monitorar o tempo que se leva para abastecer, estimular as montadoras a ampliar a produção de veículos e convencer a opinião pública a utilizar veículos a gás” concluiu.

 

 

Investimentos – Do ponto de vista dos investimentos, são necessários R$ 35 bilhões para se chegar ao cenário da pesquisa, considerando expansões, adaptações, modernização ou construção de novas plantas. Nesse sentido, o Banco também apresentou, no webinar, um conjunto de produtos de crédito destinados a contribuir com a viabilização desses projetos.

 

“Estamos falando de investimentos bilionários, de médio e grande porte. Por isso, no estudo, conversamos com potenciais investidores para entender qual era o gatilho de decisão deles”, explicou o diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs do BNDES, Fábio Abrahão.

 

“O escopo do programa é extenso e visa atender toda a cadeia de valor do setor de petróleo e gás (produção, escoamento e consumo final, ou seja: indústria, energia elétrica e veicular). Prevê ampliação da infraestrutura, implantação e expansão das indústrias consumidoras, expansão da frota de veículos pesados consumidores e aumento da capacidade produtiva de máquinas e equipamentos relacionados à cadeia do setor”, resumiu André Pompeo, gerente no Departamento de Gás, Petróleo e Navegação do Banco.

 

“Também remodelamos a linha Finame, podendo apoiar micro, pequenas e médias empresas (posto de gasolina e pequenos transportadores, por exemplo) e vamos apoiar o setor via debêntures sustentáveis de infraestrutura e por meio do BNDES Garantias, iniciativa recém-criada”, completou.

 

Assim como outros convidados do evento, Montezano destacou um aspecto que deve evoluir paralelamente às agendas de conhecimento setorial e oferta de liquidez: “além da nossa ação com os produtos de crédito, é fundamental que enxerguemos, no curto prazo, uma evolução da nossa agenda legislativa. Existe demanda, existe vontade dos players de aumentar a liquidez no mercado, mas é fundamental que sejam dados passos no legislativo”, disse.

 

“O projeto da nova lei do gás está em estágio avançado de tramitação no congresso e é essencial para dar embasamento jurídico do novo mercado e para dotar a ANP de elementos adicionais para promover a concorrência”, reiterou o secretário de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria do Ministério da Economia, Pedro Calhman. “A ANP não quer ser gargalo no processo”, resumiu o superintendente de Infraestrutura e Movimentação da agência reguladora do setor, Helio Bisaggio.

 

Participante do painel de encerramento do evento, o presidente da FIRJAN, Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, ressaltou que, além da aprovação sem mudanças do projeto que se encontra no Congresso, são necessárias a Reforma Tributária e a oferta de um volume adequado de gás a preços competitivos.

 

“O mercado quer produto a preço competitivo, e a nossa expectativa é de que a resposta a esse clamor venha do crescimento”, avaliou  o presidente da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural (ATGAS), Rogerio Manso. “Queremos um modelo de tarifação que facilite o mercado, e isso requer clareza e racionalidade”, concordou o presidente da Associação dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (ABRACE), Paulo Pedrosa.

 

Do ponto de vista do governo, segundo o secretário do MME, “a construção do novo mercado de gás é o exemplo de uma política pública cujo norte é promover a concorrência; a substituição de um modelo verticalmente integrado por um mercado desverticalizado e aberto à entrada de novos players”.