BNDES - Agência de Notícias

12:39 01 de Junho de 2020

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:12:12 15/05/2020 |INSTITUCIONAL

Ultima atualização: 12:33 15/05/2020

  • Resultado positivo do primeiro trimestre foi 4,6 vezes o do trimestre anterior, principalmente pela venda de ações

  • Medidas emergenciais crescem puxadas principalmente por crédito para giro e suspensão de pagamentos e novas estão surgindo

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 5,5 bilhões no primeiro trimestre de 2020. O desempenho foi apresentado nesta sexta-feira, 15, pelo presidente Gustavo Montezano, em Live transmitida pelo Youtube, com a participação da diretoria do Banco. Na ocasião foi feito um balanço das medidas emergenciais criadas para enfrentar a crise decorrente da pandemia do COVID-19, que ajudaram empresas onde trabalham 2,2 milhões de pessoas.

O lucro do banco de janeiro a março é atribuído principalmente ao resultado de R$ 8,5 bilhões com participações societárias, dos quais R$ 8,1 bilhões decorreram dos desinvestimentos realizados no período, com destaque para a oferta pública de ações da Petrobras, em fevereiro. Esse efeito foi atenuado pela constituição de provisão para risco de crédito de R$ 1,7 bilhão, influenciada pela revisão das classificações de risco de empresas dos setores mais afetados pela pandemia do COVID-19. “O Banco teve perdas significativas na carteira de ações no primeiro trimestre. Mercados voláteis reforçam a continuidade dessa estratégia, de redução do tamanho das posições no mercado de ações. É importante ter uma carteira conservadora e de baixa volatilidade e manter mais recursos em caixa para novos financiamentos”, disse Montezano.

Segundo ele, as estratégias de desinvestimento da carteira do Banco, em valores relevantes, executadas de dezembro de 2019 a março de 2020, foram “extremamente bem sucedidas, fundamentais e cruciais para que o Banco entrasse nessa fase de maior volatilidade com maior proteção do seu capital e menos exposto ao risco de mercado”.

O lucro com intermediação financeira, ou seja, com os financiamentos feitos pelo BNDES, atingiu R$ 4,1 bilhões, o que equivale a um aumento de 10,1% em comparação com o primeiro trimestre de 2019. Mesmo com o cenário de menor demanda por empréstimos no período, houve resultado positivo com disponibilidades no exterior.

Ativos – O ativo do Sistema BNDES totalizou R$ 718,3 bilhões em 31 de março de 2020, apresentando queda de R$ 9,9 bilhões (-1,4%) no trimestre. A redução da carteira de participações societárias para R$ 59,2 bilhões (ante R$ 111,9 bilhões no fechamento de 2019) reflete em parte a estratégia de desinvestimento (vendas de R$ 23,8 bilhões) e também os movimentos recentes do mercado, que levaram à desvalorização dos investimentos em empresas não coligadas (redução de R$ 28,8 bilhões).

A carteira de crédito líquida somou R$ 442,1 bilhões no encerramento do trimestre, representando 61,6% dos ativos totais e apresentando variação positiva de 0,7% em relação ao fechamento de 2019, quando totalizava R$ 441,8 bilhões. A inadimplência (atrasos superiores a 90 dias), desconsiderando operações com honra da União, recuou de 0,84% em 31 de dezembro de 2019 para 0,37% em 31 de março, abaixo do índice do Sistema Financeiro Nacional (3,17%).

Fontes de recursos – O FAT se manteve como principal fonte de recursos do BNDES. No trimestre, ingressaram R$ 4,46 bilhões do FAT Constitucional e o volume de recursos do fundo com o Banco totalizou R$ 298,34 bilhões em 31 de março de 2020. Junto com o PIS-Pasep, o FAT respondia por 44,4% das fontes de recursos do Banco. O passivo com captações externas totalizou R$ 36,263 bilhões em 31 de março, acréscimo de 26,1% no trimestre, em função, principalmente, de efeito cambial.

Já o Tesouro Nacional encerrou o trimestre respondendo por 27,7% das fontes de recursos do BNDES. O valor devido pelo BNDES ao Tesouro se manteve estável, atingindo R$ 199,29 bilhões em 31 de março. No trimestre, os pagamentos ordinários totalizaram R$ 3,8 bilhões e não houve liquidações antecipadas.

Patrimônio – O patrimônio de referência, base para o cálculo dos limites prudenciais estabelecidos pelo Banco Central, totalizou R$ 167,014 bilhões em 31 de março (ante R$ 191,684 bilhões em 31 de dezembro de 2019).

O Índice de Basileia encerrou o primeiro trimestre em 35,4%, enquanto o Índice de Capital Principal (Basileia III) foi de 25,4%, níveis bastante confortáveis em relação aos 9,25% e 5,75% exigidos, respectivamente, pelo Banco Central, conforme a resolução 4783 de 16 de março deste ano*.

As demonstrações financeiras do BNDES e suas subsidiárias estão disponíveis no Portal de Relações com Investidores do BNDES (www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/relacoes-com-investidores).

Atuação contra a COVID-19
– Além dos resultados financeiros, foi apresentado balanço de suas ações emergenciais de combate à COVID-19, anunciadas em 22 de março. As iniciativas buscam preservar as atividades econômicas das empresas durante esse período, incluindo pequenas e médias empresas, além de investimentos no setor de saúde. Em todas as suas ações emergenciais, o BNDES já soma R$ 13 bilhões em aprovações, apoiando empresas que empregam 2,2 milhões de pessoas.

Em menos de dois meses, 19 mil clientes já solicitaram a suspensão temporária de pagamentos de financiamentos junto ao BNDES, totalizando R$ 8,7 bilhões. Estima-se que essas empresas empreguem 1,62 milhão de pessoas.

Já a linha de capital de giro para micro, pequenas e médias empresas totaliza R$ 2,3 bilhões em aprovações. Por sua vez, o programa para financiamento da folha de pagamentos de pequenas e médias empresas contabiliza 73 mil operações aprovadas, totalizando R$ 1,6 bilhão. Estima-se que o apoio dessa linha tenha contribuído para o pagamento do salário de 460,5 mil pessoas.

Até o momento, o programa emergencial que tem como foco a ampliação imediata de leitos, além de materiais e equipamentos médicos, aprovou R$ 198,2 milhões, que viabilizarão a entrega de 3.126 leitos, 500 mil novos testes rápidos de COVID-19 e 1.500 novos monitores.

Programa de garantia de acesso ao crédito e apoio ao setor aéreo - Montezano destacou que o foco do Banco é apoiar melhor as micro e pequenas empresas, que são as mais afetadas na crise. “Temos dois aspectos nesta questão: acesso a crédito e assunção de riscos. Já foram consumidos metade dos recursos disponíveis para capital de giro e vamos expandir o volume de recursos disponíveis para agentes repassadores. Não haverá falta de liquidez para apoiar esse segmento”, afirmou.

Uma novidade anunciada pelo presidente do BNDES durante a Live foi um instrumento de seguro de crédito que poderá ter um aporte de R$ 20 bilhões do Tesouro Nacional e será gerido pelo Banco. “O objetivo é cobrir parte dos riscos do agente financeiro que empresta para MPMEs”.

Segundo ele, nesse programa de garantia de acesso ao crédito, inovador, o agente financeiro empresta para a pequena e média empresa, que terá parte do seu risco protegido pelo fundo do Tesouro Nacional. “Estamos em tratativas finais com a Casa Civil e Ministério da Economia e esperamos ter nos próximos dias uma MP concluída para colocar esse produto para rodar na semana seguinte, com um alto grau de confiança que isso pode mudar o jogo para a pequena e média empresa”.

Ele apontou que esse instrumento de seguro de crédito para empresas, em preparação, serve para mitigar esses riscos para os agentes e será mais um fator para facilitar a tomada de decisão. “Nesse momento de incerteza, os agentes financeiros ficam, naturalmente, mais conservadores. É importante ter grau de visibilidade quanto à volta à normalidade da economia para que agentes tenham maior apetite a risco”.

Montezano revelou também que as três grandes empresas aéreas do país (Latam, Gol e Azul) aceitaram, nesta quinta-feira, 14, a proposta do sindicato dos bancos, coordenada pelo BNDES: "Conseguimos colocar de pé operação para aéreas com várias condições e o preço final será dado pelo mercado”, pontuou.

A essas iniciativas se somam às seguintes, que já estão em curso:

- transferência realizada pelo BNDES de R$ 20 bilhões do PIS-Pasep para o FGTS;

- Matchfunding Salvando Vidas (www.benfeitoria.com/salvandovidas), ação de financiamento coletivo que já arrecadou R$ 9 milhões (metade desse valor aportado pelo BNDES) para compra de materiais, insumos e equipamentos para Santas Casas e hospitais filantrópicos;

- chamada pública para seleção de fundos (com aporte total de até R$ 4 bilhões do BNDES) com a finalidade de ampliar o acesso de micro e pequenas empresas ao crédito, por meio de canais não bancários, como fintechs e empresas de gestão de pagamentos por meio de máquinas eletrônicas.

O acompanhamento das medidas emergenciais de combate aos efeitos da crise provocada pela pandemia pode ser feito por meio da página www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/bndes-contra-coronavirus.

Banco de Serviços – Mesmo com a ação contracíclica do BNDES por conta da crise, o Banco segue com seu papel estruturante de viabilizar bons projetos de infraestrutura. Quatro novos mandatos de desestatização, formalizados no primeiro trimestre de 2020, elevaram a expectativa de investimento total na economia brasileira para R$ 188 bilhões (frente a R$ 176 bilhões no fechamento de 2019), distribuídos entre as 57 iniciativas da “fábrica de projetos” do BNDES. No caso de saneamento, a expectativa é que os projetos beneficiem 25 milhões de pessoas e gerem investimentos da ordem de R$ 52 bilhões.

“Observamos um amadurecimento no nosso segmento de serviços. Temos observado que demanda o Estado brasileiro por esse “banco de serviços” é muito alta e cada vez mais percebemos a sinergia e a capacidade do BNDES em colaborar com o Estado, seja no âmbito federal, estadual ou municipal”, apontou o presidente do BNDES.

Para ele, o papel do Banco na retomada da economia vai ser fundamental. "Estamos preparados para isso, seja em recursos operacionais, humanos e financeiros. O Banco vai atuar como protagonista na retomada do ciclo economico, do crescimento e no investimento à infraestrutura", disse.

Plano Trienal – De janeiro a março de 2020 a atuação do BNDES no setor de educação básica ou profissionalizante deve beneficiar 64 mil alunos em municípios dos estados de Tocantins, Pará, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná, o que corresponde a 64% da meta estabelecida para 2020 e 6,4% da estabelecida pelo Plano Trienal até 2022.

Outro destaque do Plano Trienal é o investimento em energias renováveis. Até abril, o Banco já financiou a geração de 360 MW, 72% da meta para o ano e 18% da meta para 2022. No campo da saúde, até março, o BNDES realizou a entrega de uma unidade que atende ao SUS. A meta é que esse número chegue a 30 até o fim deste ano e 150 em 2022.

Assista a íntegra da Live aqui.

A apresentação (ppt) está disponível no site do BNDES.

* Percentuais válidos a partir de 01/04/2020. Limites mínimos anteriores eram, respectivamente, de 10,5% e 7%.