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BNDES - Agência de Notícias

18:36 23 de July de 2024

Por: Agência BNDES de Notícias

Publicação:12:36 26/09/2023 |CULTURA |SUDESTE

Ultima atualização: 13:05 17/10/2023

May Bandeira de Mello / Divulgação BNDES

Acervo do Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro será recuperado com apoio do BNDES

  • Projeto prevê restauração da infraestrutura da biblioteca e digitalização de acervo com cerca de 140 mil itens

  • Objetivo é tornar o espaço um equipamento cultural de excelência no Centro do Rio, contribuindo para a revitalização do território da “Pequena África”

 

O complexo do Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, principal espaço do Governo Federal na cidade para recepção de delegações estrangeiras e sede da cúpula dos chefes de Estado do G20 em 2024, será recuperado com apoio de R$ 16,3 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Tombado em 1938, o Palácio, que já foi sede do Governo Republicano (1889-1898) e do Ministério das Relações Exteriores (1899-1970), guarda o acervo arquivístico do Ministério das Relações Exteriores (MRE). O projeto inclui a realização de obras na infraestrutura física da biblioteca situada no complexo; a construção de um anexo para guarda de acervo; a promoção de ações de formação e educação patrimonial; e o inventário, tratamento, acondicionamento e digitalização de milhares de documentos, livros, fotografias e mapas.

Com o apoio, espera-se que haja um aumento no número de visitantes no local, bem como maior acesso a documentos e bens históricos. “O acervo é uma parte importantíssima da memória do Brasil que estava em risco, não só de incêndio, mas de deterioração. Estamos conseguindo interromper esse processo, salvar o acervo e devolvê-lo para a população, pesquisadores e historiadores”, comemorou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

Além disso, as ações visam tornar o Palácio um equipamento cultural de excelência no Centro do Rio de Janeiro, contribuindo para o processo de revitalização da região, especialmente do território denominado “Pequena África”, que vem sendo alvo de intervenções do próprio BNDES. “O complexo tem acervo sobre a escravidão. Alguns documentos da biblioteca são únicos no mundo, com nomes dos escravos, registros que em nenhum outro lugar foram preservados. Então, uma parte da memória virá à luz e vai fazer parte dessa entrega”, destacou Campello.

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Acervo - A Biblioteca Histórica do Itamaraty tem cerca de 140 mil itens, incluindo obras raras e coleções especiais, como a que pertenceu ao Barão do Rio Branco. Já o Arquivo Histórico do Itamaraty, com cerca de 3.226 metros lineares de documentos, é, segundo o Arquivo Nacional, um dos cinco mais importantes do Brasil, destacando-se, inclusive, entre os seus similares na América Latina.

O acervo conta com documentos da Secretaria dos Negócios Estrangeiros da Coroa Portuguesa quando se transferiu para o Brasil, em 1808 (documentos manuscritos e impressos, de 1575 a 1959); e documentos relacionados à independência do País, em que constam uma carta patente de Dom João VI a Dom Pedro I, de 1825, e o Tratado de Paz, Amizade e Aliança entre o Reino de Portugal e o Império do Brasil, do mesmo ano. No acervo relacionado à escravidão, há documentos de 1812 a 1869, destacando-se 164 processos de aprisionamento de navios negreiros, únicos no mundo.

O acervo da Mapoteca Histórica do Itamaraty, com cerca de 30 mil itens, é considerado o mais importante da América Latina no gênero, abrangendo toda a história da cartografia ocidental desde o século XVI, e contém exemplares representativos das principais escolas cartográficas. Dentre os documentos, destaca-se o mapa-múndi de 1512, considerado o primeiro mapa em que aparece o nome “Brasil” para designar o território da então colônia portuguesa na América.

Resgatando a História - O projeto será executado pelo Instituto Pedra, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua no campo do patrimônio cultural, tendo como interveniente o Ministério das Relações Exteriores.

O projeto de recuperação da infraestrutura da biblioteca do Palácio foi selecionado, em novembro de 2021, no edital Resgatando a História, chamada pública para apoio ao patrimônio cultural promovida pelo BNDES com a contrapartida de parceiros privados.

O valor total da iniciativa é de R$ 33,2 milhões, sendo parte apoiada pelo BNDES via Lei de Incentivo à Cultura, parte por Vale e Itaipu Binacional, parceiras da iniciativa, e o restante em recursos próprios do MRE.