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15:00 30/08/2019

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Startups a serviço da saúde

 

Soluções que vão da gestão de agendamentos médicos e de horários de plantão hospitalar até a automatização de exames de microscopia, passando por diferentes ferramentas para monitorar e melhorar a experiência do paciente. O setor de saúde vem se beneficiando, cada vez mais, do uso da tecnologia e da aproximação com startups especializadas na área – as chamadas healthtechs.  

 

O movimento envolve diferentes atores do setor, como hospitais, laboratórios, indústrias farmacêuticas e clínicas, que têm buscado trabalhar em parceria com startups para responder de forma mais rápida e inovadora aos desafios dos seus negócios e para melhor atender seus clientes.

 

Instituições buscam soluções inovadoras com o apoio de startups

 

“Acreditamos que as startups são aceleradores de negócio que, com seus modelos de ideação, desenvolvimento e entrega rápida, podem impactar de forma positiva os beneficiários e clientes da empresa”, afirma o coordenador de desenvolvimento e inovação da Unimed Belo Horizonte, Rafael Moraes. Ele destaca ainda a contribuição delas para mudar o mindset das áreas de negócio da instituição.

 

A ligação da Unimed BH com o ecossistema de startups ocorre por meio da manutenção de um centro de inovação e de um programa de inovação aberta, o Link One. Oito startups já participam do programa e têm contribuído para as diferentes áreas da companhia com soluções de automação de processos, controle e monitoramento, e gestão de documentos e informações.  “Não podemos também deixar de pensar na experiência do cliente, por isso estamos buscando startups que atuem com esse tipo de solução”, conclui.

 

Considerado um dos melhores centros de saúde da América Latina, o Hospital Israelita Albert Einstein também aposta na parceria com as startups. Por meio do programa Eretz.Bio, a instituição apoia atualmente cerca de 35 startups, que contribuem no desenvolvimento de ferramentas para o controle de processos críticos do hospital, o uso de dados e o acompanhamento da jornada do paciente. O programa contempla possibilidade de incubação (presencial ou virtual), apoio ao desenvolvimento de propriedade intelectual, à formatação de projetos para captação de recursos e, ainda, mentoria com profissionais do hospital.

 

A racionalização e eficiência das unidades de saúde, que envolve melhoria da gestão dos recursos disponíveis e a digitalização de processos, é também um dos focos de atuação do BNDES.  “Há grande espaço para soluções baseadas em internet das coisas (IoT), em que os itens de alto valor presentes nas unidades de saúde têm seu uso rastreado”, comenta o economista do Departamento do Complexo Industrial e de Serviços da Saúde do BNDES Vitor Pimentel.

 

Ele acrescenta que o modelo de atuação das startups, nesse sentido, é ideal para testar soluções em formato piloto e selecionar apenas aquelas que de fato trazem redução de custos para o sistema. Esse foi o espírito da chamada de projetos Pilotos IoT realizada pelo BNDES, que teve o setor de saúde como um dos seus focos. 

 

O setor farmacêutico, tradicionalmente muito focado em inovação, também tem  buscado as startups de base tecnológica para otimizar processos nas linhas de produção de medicamentos.  Paulo Braga, head de corporate venture da Eurofarma, conta que a empresa adota atualmente diferentes modalidades de parceria com as startups. Dentre elas, um programa contínuo de open innovation, que busca startups em fase madura para atender necessidades de negócio da companhia; um programa desenvolvido em parceria com a Endeavor, chamado Synapsis, que tem como foco startups em fase de crescimento (scale-ups); e ainda um fundo de capital de risco para investimento em empresas do setor.

  

Healthtechs: um diversificado conjunto de soluções para a saúde

 

Como explica Vitor Pimentel, apesar de ser uma das áreas que mais recebe investimentos em inovação no mundo, a saúde tem demorado a entrar na transformação digital. Isso ocorre basicamente por duas características do setor. A primeira delas é que, por estarem diretamente relacionadas à vida humana, as atividades em saúde são amplamente reguladas, o que eleva os custos de desenvolvimento e limita o escopo de atuação das empresas. A outra diz respeito aos custos crescentes do setor, em um processo que tem sido chamado de “inflação médica” e que tem relação com a incorporação constante de novas tecnologias.

 

 “As startups têm condições de levar muito mais rapidamente inovação para esse mercado (de saúde)”, diz o fundador da Pickcells, Paulo Melo. Na opinião dele, esse tipo de empresa consegue atuar de forma disruptiva em uma área caracterizada pelo perfil tradicional e por uma regulação complexa. No caso da Pickcells, a inovação consiste em um microscópio automatizado capaz de identificar padrões em exames de análises clínicas, patológicas e de imagens, contribuindo para a redução dos tempos de diagnóstico e o aumento da produtividade de laboratórios.

 

Agilizar atendimentos também é uma das prioridades da Encaixe, startup que oferece uma solução para o agendamento de consultas. Iarly Coli, um dos fundadores da empresa, explica que a ferramenta funciona como se fosse um CRM (Customer Relationship Marketing) para estabelecimentos de saúde, ajudando na gestão de horário vagos. Como a maioria dos negócios conta hoje com diferentes plataformas de aquisição de clientes, diz ele, é importante ter uma ferramenta que faça a gestão dos agendamentos de forma unificada.

 

Pimentel ressalta que há grande espaço para o uso de soluções digitais no SUS. Ele cita como exemplo diversas iniciativas de startups voltadas justamente para os chamados sistemas de regulação, isto é, a gestão das vagas e filas de atendimento. De acordo com ele, contudo, essas ferramentas ainda precisam incorporar os protocolos clínicos para a classificação do grau de urgência de cada demanda, fortalecendo o papel coordenador da atenção primária.

 

As startups Pickcells e Encaixe são algumas das representantes de um diversificado conjunto de empreendedores voltados para o mercado de saúde e bem estar, que participam do programa BNDES Garagem nos módulos de aceleração e criação. Com diferentes abordagens e nichos de mercado em vista, elas buscam transformar o setor e, sobretudo, impactar positivamente a qualidade dos serviços disponíveis para a população.

 

Como explica a economista Natalia Cupello, do BNDES Garagem, o programa tem promovido encontros com o intuito de apoiar iniciativas de inovação aberta, aproximando startups de instituições consolidadas. Com isso, busca estimular o networking entre os participantes, propiciando conexões iniciais com potencial de gerar parcerias e negócios.  

 

Confira a seguir o vídeo com alguns depoimentos do evento:

 

 

  

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