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Relato Integrado: especialistas explicam por que adotar

 

O modelo de relato integrado, lançado em 2013 pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), é uma abordagem diferenciada para a elaboração de relatórios corporativos, que busca oferecer uma visão clara e concisa de como as organizações geram valor ao longo do tempo para suas diferentes partes interessadas, incluindo investidores, empregados, clientes, parceiros comerciais, legisladores, reguladores, entre outros.

 

Partindo do princípio de que “a capacidade de uma organização de gerar valor para si mesma está relacionada ao valor que ela gera para outros”, o que se concretiza por uma ampla gama de atividades, interações e relacionamentos, o modelo aponta a necessidade de relatar como a companhia entende, leva em conta e responde aos interesses e necessidades legítimos de seus diferentes stakeholders.

 

O Relatório Anual Integrado 2019 do BNDES traz informações sobre a estratégia de atuação, o desempenho, a estrutura de governança e gestão de riscos e os relacionamentos do Banco com diferentes públicos, entre outros temas. Ele segue o modelo do IIRC, adotado pelo Banco desde a edição de 2012 (em caráter piloto) e que em 2018 passou também a ser o padrão utilizado para prestação de contas anual ao Tribunal de Contas da União (TCU). Assim, desde sua última edição, o Relatório Anual Integrado unifica os relatórios de atividades e de gestão em um só documento, racionalizando esforços e atendendo aos diferentes públicos do BNDES em uma só peça - saiba mais em www.bndes.gov.br/ra2019.

Veja a seguir como representantes de diversas organizações e setores avaliam os benefícios desse modelo de relato:

 

Sonia Favaretto
SDG Pioneer pelo Pacto Global da ONU, Presidente do Conselho Consultivo da GRI Brasil e vice-presidente do Conselho Técnico-Consultivo do CDP LA

Quando a empresa opta por publicar um relatório integrado, dá um importante sinal de que entendeu o principal em termos de gestão e transparência da sustentabilidade: que a empresa é uma só e, portanto, deve ter apenas um documento corporativo, unificando as informações econômicas, ambientais, sociais e de governança corporativa. Por trás de um relato integrado, está a lógica do “pensamento integrado”, ou seja, quando se consideram riscos e oportunidades de forma interconectada em sua gestão e geração de valor. E este é um posicionamento de ponta.

São muitos os benefícios de seguir este caminho. Podemos destacar: uma base mais consistente para a tomada de decisão nos negócios, estabelecimento de processos de comunicação internos e externos de forma uníssona e alinhada, mais transparência, maior acuidade nas informações prestadas e mais credibilidade frente aos diferentes públicos. Ao adotar o relato integrado, em geral em consonância com outros frameworks mundiais, como GRI e SASB, a empresa se vale de uma abordagem mais ampla e estratégica de se posicionar no mercado que agrega valor a todos os seus públicos e a diferencia no cenário corporativo. É antes, de tudo, uma questão de visão e maturidade corporativa.

 

Marina Grossi
Presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS)

A divulgação de informações Ambientais, Sociais e Governança, ESG na sigla em inglês, se torna cada vez mais demandada por parte dos investidores e credores, e a integração dessas informações aos dados econômicos e financeiros é uma tendência, em linha com essa demanda. Quanto maior a transparência e possibilidade comparativa das informações divulgadas, maior o entendimento por parte de todos os públicos de interesse da empresa, o que tem como consequência maior geração de valor. A transparência é uma das ferramentas mais importantes da sustentabilidade. Podemos observar essa tendência também na Força-Tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas às Mudanças Climáticas (TCFD), que busca a integração de informações relacionadas às mudanças do clima aos dados financeiros.

  

Augusto G. Ferradaes
Secretaria de Métodos e Controle ao Suporte Externo/Tribunal de Contas da União (TCU)

O relato integrado vem sendo implementado pelas unidades prestadoras de contas desde o exercício de referência de 2018. Embora isso venha ocorrendo de modo gradual, já se podem perceber avanços significativos em termos de clareza das informações e de maior grau de vinculação entre elas e os resultados alcançados ea estratégia adotada.

A aplicação do modelo de relato integrado aos relatórios de gestão das unidades da Administração Federal também se mostra interessante quando se pensa naquelas pessoas que são interessadas diretamente nos produtos ou serviços fornecidos. Os dados e informações tratados de modo mais claro permitem que elas compreendam bem o contexto em que suas necessidades estão sendo atendidas, possibilitando maior grau de interação com a unidade, inclusive por parte de representantes no Congresso.

Embora os relatórios de gestão tenham passado a ter um caráter mais de relatório de propósito geral, os órgãos de controle também se beneficiam de uma visão mais ampla e integrada da unidade. Esse quadro é útil nos trabalhos de planejamento de fiscalizações e de análises de gestão, sejam eles de conformidade ou de desempenho, viabilizando que informações mais pontuais ou detalhadas possam ser identificadas, localizadas e solicitadas de modo mais eficiente para complementar e subsidiar os trabalhos.


Prof. Dr. José Roberto Kassai
Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e coordenador do Núcleo de Estudos em Contabilidade e Meio Ambiente (NECMA/USP)

O relato integrado se baseia no princípio de que a geração de valor é uma via de mão dupla entre a empresa e suas partes relacionadas e, por contemplar os desafios do desenvolvimento sustentável, aumenta o nível de transparência e de prestação de contas. Destaco dois benefícios para a empresa que adota este novo padrão: a eliminação de silos e o fortalecimento da integração entre os gestores; e ganhos nos fluxos de caixa futuros oriundos de uma visão de modelo de negócios que inclui capitais financeiros e não financeiros.


Bianca Nasser
Diretora de Finanças do BNDES

O RI possibilita uma visão estruturada e sistemática da geração de valor para a sociedade, com uma linguagem fácil e acessível. Sem dúvida, esse relatório reforça o nosso compromisso com a prestação de contas e com a transparência.

O pensamento integrado é um importante exercício de gestão e possibilita o aperfeiçoamento constante dos nossos reportes e processos. A integração da perspectiva financeira com temas de sustentabilidade, por exemplo, é assunto recorrente na Diretoria de Finanças, que busca alternativas verdes de funding para apoiar os projetos que o Brasil precisa.

 

 

 

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