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Por: Bruno Rodrigues

16:08 07/12/2018

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Hubs de inovação: uma nova oportunidade para o Rio de Janeiro

Uma profusão de hubs de inovação tem se espalhado no Brasil e no mundo. Mas, afinal, o que são eles, e por que, nos últimos anos, têm se multiplicado? Para ajudar a entendê-los, cabe pensar no hub de inovação como um shopping center. Um espaço em que se reúnem empresas nascentes de base tecnológica com alto potencial de crescimento – as startups –, além de médias e grandes empresas e potenciais investidores. Um espaço que, assim como um shopping, é voltado para a geração de negócios.

De forma simplificada, as startups seriam como as lojas, e as empresas e investidores, os clientes que passeiam pelo shopping buscando boas oportunidades de negócio. Tais oportunidades podem incluir a contratação da startup como fornecedora  o estabelecimento de parcerias e o investimento ou até mesmo a aquisição da startup.

Assim como em um shopping, a presença física de todos os envolvidos em único espaço é fundamental. São cruciais as decisões de seleção das startups, do mix de “lojas” que faz mais sentido, assim como dos “clientes” que serão convidados a terem uma presença mais intensa no hub. A presença de “clientes” atrai boas startups e um número relevante de boas startups atrai bons “clientes”, formando-se, assim, um ciclo virtuoso e um efeito de rede.

Além de conectar a startup às empresas e aos investidores, gerando negócios e facilitando a captação de recursos, o hub pode fazer uma ponte entre as startups e especialistas e mentores de diferentes áreas, facilitando a estruturação do negócio. Por vezes, profissionais altamente qualificados em sua área de atuação conseguem desenvolver produtos com tecnologia de ponta, mas têm dificuldade de estruturar o negócio a partir desse produto. Têm dificuldade também de definir o melhor modelo de vendas, a precificação, a estratégia de marketing.

Sendo assim, o hub pode contribuir para simplificar a estruturação do negócio e favorecer a cultura empreendedora. Com base na teoria do professor Clayton Christensen, pode-se dizer que esses hubs são uma inovação disruptiva que estimula a cultura empreendedora.

Conexão é a palavra-chave. Os hubs de inovação conectam as diferentes partes do ecossistema e montam um grande quebra-cabeça. Nesse sentido, podem ser vistos como uma mini-representação do ecossistema em que são criados. São pontos de encontro não só de startups, empresas e investidores, mas também de universidades, instituições de fomento e prestadores de serviços públicos e privados focados em startups, como escritórios de advocacia, contabilidade, entre outros.


A multiplicação dos hubs de inovação

Por que os bancos e as empresas estão partindo para a criação e participação nesses hubs

Oportunidades de negócio
Ao patrocinar e participar desses “shoppings da inovação”, as empresas conseguem ter um bom posicionamento no ecossistema, ficando por dentro de um universo de oportunidades de negócio para financiar, estabelecer parceria, investir ou fornecer seus serviços.

Posicionamento estratégico
Cada vez mais a geração de emprego e de inovações está migrando das grandes empresas para as startups. Nesse cenário, as empresas precisam se aproximar desse novo mundo para continuarem relevantes. Precisam se adaptar e se preparar para construir parcerias com as empresas nascentes.

Renovação da cultura
Além das oportunidades de negócio, a proximidade com um ambiente de inovação traz como benefício a renovação da cultura da empresa. Os empregados podem absorver uma mentalidade mais empreendedora ao interagir com as startups, o que é essencial para a empresa permanecer continuamente se reinventando.

A estruturação de um hub de inovação

Um hub de inovação é formado por tudo que se refere à parte física do espaço – o “hardware” – e o referente à seleção dos residentes e ao estímulo às conexões e geração de negócios – o “software”.

Antes de construir o “shopping”, que envolve investimentos maiores e é mais complexo, uma possibilidade é iniciar com uma “feira da inovação”. Por não exigir um espaço físico definitivo, a “feira” permite testar e refinar o “software” sem incorrer em investimentos elevados. Permite errar com baixo custo e aprender de forma rápida. Mais do que o espaço físico, o que importa é o que acontece lá dentro em termos de conexões. No caso de se estruturar o “hardware” juntamente com o “software”, uma opção é fazer um hub escalável, que possa crescer conforme a utilização aumente ao longo do tempo.

Um hub representa as vocações de seu ecossistema, as vocações de sua cidade e região. É uma representação da cultura de sua cidade, das pessoas e lideranças locais, das empresas que têm presença lá, do estilo e filosofia de vida, de sua história e de seus centros de pesquisa. Cada região tem o potencial de estruturar um hub de inovação, com variação de porte, nicho e parceiros. 

Estruturar um hub de inovação é um mergulho de autoconhecimento em seu ecossistema. É um trabalho de articulação, de estabelecimento de parcerias e conexões que criam esse ponto de encontro em uma região. Quanto mais inclusivo e aberto for o hub, melhor representado estará o ecossistema.

O impacto dos hubs de inovação

Quando se observa hubs com mais experiência, como o Mars, no Canadá, que opera desde 2005, constata-se os resultados que espaços como esses podem alcançar. Em 2017, o Mars (PDF - 4,4 MB) gerava 13 mil empregos qualificados em negócios que, desde 2008, haviam produzido cerca de US$ 3 bilhões de receita e captado quase US$ 5 bilhões. 

Entre os impactos positivos que um hub de inovação pode proporcionar, destacam-se: 

  • apoiar as startups na estruturação de seu negócio e em sua conexão com clientes e investidores, contribuindo para aumentar a taxa de sucesso dos pequenos empreendimentos inovadores; 
  • auxiliar na geração de empregos qualificados;
  • facilitar a criação e exploração de novas tecnologias e modelos de negócio; e
  • fomentar um ambiente empreendedor mais inclusivo.


BNDES Garagem e a estruturação de um novo hub no Rio de Janeiro

A iniciativa BNDES Garagem contempla um programa de criação e aceleração de startups e a estruturação de um hub de inovação no Rio de Janeiro. O objetivo é apoiá-las na superação dos principais entraves ao seu desenvolvimento. 

Segundo estudo conjunto realizado pela Associação Brasileira de Startups e pela Accenture (2018), que envolveu mais de mil empreendedores em todos os estados brasileiros, os maiores desafios para as startups nos próximos três anos são: atração de clientes; funding; e aspectos relacionados à estruturação do negócio.

Dessa forma, o BNDES Garagem tem como objetivo conectar as startups com potenciais clientes e investidores, fornecer o apoio técnico necessário para seu crescimento e fomentar a criação de novos negócios inovadores. Com essa iniciativa, o BNDES vai além do apoio financeiro e contribui com seu conhecimento técnico e sua capacidade de articulação.

 


Bruno Rodrigues

Bruno Rodrigues é mestre em Administração Pública pela FGV e co-fundador do MBA em Parcerias Público-Privadas da London School of Economics. Desde o início de 2018, vem se dedicando integralmente à estruturação do BNDES Garagem, trabalhando no Departamento de Empreendedorismo da Área de Investimentos, Empreendedorismo e Garantias do BNDES. Além disso, foi professor do curso "Startups em Blockchain" da PUC-RJ e do curso "Estruturação de Concessões em Infraestrutura", organizado pelo Governo Federal.

  

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