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Blog do Desenvolvimento

Conhecimento científico para o desenvolvimento

O BNDES sediou na última sexta-feira, 29 de março, o terceiro dia da conferência internacional “Como a ciência e a tecnologia podem contribuir para redução da pobreza e das desigualdades”, uma iniciativa da rede global de Academias de Ciências e Medicina (InterAcademy Partnership - IAP, na sigla em inglês), coordenada no Brasil pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). O evento, que reuniu especialistas e acadêmicos de diversos países, abordou questões ligadas à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), pactuados na Agenda 2030, com especial atenção para a redução da pobreza e das desigualdades.

 

Na abertura do encontro, o presidente da Academia Mundial de Ciências (The World Academy of Sciences - TWAS, na sigla em inglês), Mohamed Hassan, falou sobre a importância dos acordos globais para o desenvolvimento sustentável, citando o Acordo de Paris. Ele lembrou ainda que, embora os EUA tenham se retirado do acordo em 2017, a sociedade civil vem se mobilizando para pressionar os governos nessa direção. A Marcha pela Ciência realizada em 2018 foi citada como exemplo de iniciativa em prol da construção de políticas públicas baseadas em evidências.

 

Hassan destacou ainda o crescimento da produção científica de países do hemisfério sul e em vias de desenvolvimento, que passaram de uma participação em torno dos 15% do total mundial na década de 1990 para mais de 40% em 2016.

 

O papel da ciência na construção de políticas públicas

 

Conferência IAP-SPEC

 

Ao longo do dia, outras três sessões aprofundaram as discussões sobre combate a pobreza e desigualdade, estratégias para empoderar os menos favorecidos e construção de interfaces entre ciências e políticas públicas. Na última delas, o presidente da IAP, Volker ter Meulen, contou que a instituição, fundada em 1993, conta hoje com mais de 130 associadas em todo o mundo e trabalha para fornecer subsídios para a construção de políticas públicas baseadas em evidências científicas.

 

Para o representante da American Association for Advancement of Science (AAAS) William Colglazier (na foto), são três as principais formas de contribuir para isso: produzindo estudos sobre políticas públicas; ajudando a elaborar roadmaps (planos de atuação) nos níveis local, institucional e nacional; e gerando inovação disruptiva, capaz de acelerar o progresso e superar obstáculos burocráticos. “Uma das maiores responsabilidades da comunidade científica é também mostrar aos seus países e governos como lidar com as mudanças climáticas e a sustentabilidade”, concluiu.

 

Como transmitir o conhecimento científico para a sociedade?

 

A importância de saber comunicar o conhecimento científico e acadêmico para a sociedade esteve presente na fala de todos os participantes. O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, chamou a atenção para a dificuldade atual de convencer as pessoas, mesmo quando há ampla evidência científica de um determinado assunto. Ele citou como exemplos a queda nas taxas de vacinação no mundo e as dúvidas levantadas em relação ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Nesse contexto, Davidovich afirmou que a comunidade científica precisa saber como se relacionar com o público para que ele entenda o papel da ciência. Mas ressaltou que acredita na capacidade dos jovens de hoje de fazer uma avaliação inteligente do conhecimento científico e usá-lo para tomar suas próprias decisões.

 

Saiba mais sobre a Conferência IAP-SPEC

 

 

 

 

 

 

 

 

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