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10:00 21/05/2020

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Cientista de dados: o perfil do profissional do big data

 

A tomada de decisão eficiente é um dos grandes desafios dos gestores e empresas nos dias de hoje. Diante da massiva disponibilidade de dados nas próprias organizações e também em fontes externas, as empresas têm buscado novos métodos e recursos tecnológicos para obter e processar informações de forma a melhorar sua tomada de decisão. Assim, a ciência de dados, ou data science (DS), tem ganhado projeção como tema dos sistemas de informação capaz de se tornar um diferencial na competição entre as companhias.

 

O campo da ciência de dados amplia o conjunto de estatísticas utilizado para lidar com a grande quantidade de dados produzidos nos dias de hoje e inclui conceitos de ciência da computação e de business intelligence, além da capacidade de trabalhar com algoritmos e outras ferramentas computacionais (CIELEN; MEYSMAN; ALI, 2016).

 

Nesse sentido, ele pode contribuir para um resultado mais assertivo na estratégia de negóciosdas empresas, fornecendo informaçõesmais precisas sobre per­fil dos clientes, porcentagem de lucros, novos negócios ou quadro de prejuízos.

 

O big data e o do cientista de dados

 

O termo big data surge como um modelo de representa­ção das características observadas no contexto de grande profusão de dados. A partir da inserção dos computadores no cotidiano da sociedade, cerca de meio século atrás, o mundo passa a não estar apenas reple­to de informação, mas a informação começa a ser acumulada com mais rapidez.

 

Segundo Davenport (2014), o big data nada mais é que um conjunto de dados grande demais para ser guardado em ser­vidores comuns e não estruturado o suficiente para ser alocado em bancos de dados tradicionais, ou acomodado em estruturas estáticas de armazenagem.

 

O ambiente do big data, mais evidente nas últimas duas décadas, as­sim como o entendimento sobre a necessidade de uma área capaz de trazer soluções para os pro­blemas oriundos da enorme produção de dados, propiciou o surgi­mento de um novo tipo de profissional responsável por desenvolver produtos e serviços a partir desses dados, o cientista de da­dos.

 

Esses profissionais, de acordo com Miller (2013), são os mágicos da era do big data. Eles analisam os dados utilizando modelos matemáticos e criam narrativas ou visualizações que consigam explicá-los, e depois sugerem como usar as informações para tomar decisões.

 

Assim,devem ter um conjunto de características e competências que abarque o entendimento razoável de programação e arquiteturas desen­volvidas especificamente para o ambiente big data, os princípios básicos de estatística, de extrema importância na ocasião da mineração e tratamento dos dados, e os fun­damentos de gestão de negócios, liderança e proatividade, ou seja, a conceitos advindos da administração (DAVENPORT, 2014).

 

É nesse contexto que os cientistas de dados podem ser distinguidos em dois tipos: os verticais e os horizontais, sendo os primeiros especialistas em algum campo específico (cientistas da computação, estatísticos, engenheiros de softwareetc.) e os segundos detentores de conhecimento mais geral nas diferentes áreas.

 

O que o mercado busca?

 

No que diz respeito à aplicação da ciência de dados em áreas tra­dicionais da sociedade, é perceptível o surgimento gradual de iniciativas que buscam tirar proveito des­se campo. No setor governamental, por exemplo, segundo Ziviani, Porto e Ogasawara (2015), há uma grande profusão de bases de dados que podem ser utilizadas para análise das atividades desenvolvidas, objetivando tornar o planejamento mais eficiente e criar novos serviços que me­lhorem o relacionamento com o cidadão.

 

Na iniciativa privada, há também diversos empreendimentos que buscam gerar vantagens para o negócio por meio da análise de dados. Isso ocorre não apenas com os dados produzidos pelas pró­prias entidades, mas também com dados comercializados com terceiros, visando agregar maior valor aos serviços e produtos desenvolvidos.

 

Recentemente, diversas startups, como Nubank, Neon e Quinto Andar, vêm contratando cientistas de dados. Com isso, buscam desenvolver produtos específicos para seus clientes a partir da análise de suas bases de dados. A tendência é que essas empresas contra­tem não mais economistas, contadores ou administradores, mas sim profissionais com essas formações que tenham também conhe­cimento de ciência de dados, ou seja, profissionais horizontais.

 

Este texto é baseado no artigo O perfil e o papel do cientista de dados, de Jorge Sandes, publicado na Revista do BNDES 52. 

 

Referências

 

CIELEN, D.; MEYSMAN A. D. B.; ALI M. Introducing data science.New York: Manning, 2016. 300p.

 

DAVENPORT, T.H. Big data no trabalho: derrubando mitos e descobrindo oportunidades. Tradução de Cristina Yamagami. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

 

 

 

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